A Secretaria de Estado da Educação fez uma triagem inicial e identificou 25 colégios de Curitiba que poderão ser incluídas na próxima onda de militarização das escolas paranaenses. Atualmente, há 200 colégios no padrão cívico-militar, que contam com policiais militares aposentados atuando na gestão. O governo Ratinho Jr. (PSD) anunciou que pretende elevar esse número para 400 durante o atual mandato.
A lista das escolas que poderão passar pela militarização, que chegou nesta semana às mãos de professores depois do que a Secretaria considera "um vazamento de informação", inclui colégios centrais e com desempenho considerado bom. Isso parece ser uma contradição com o princípio anunciado pelo governo anteriormente, já que a ideia do programa seria militarizar escolas em má situação tanto social quanto educacional.
Questionada pelo Plural, a Secretaria de Educação afirmou que ainda não há um cronograma para a militarização e que não é possível afirmar que as 25 escolas da lista vazada serão mesmo objeto de consulta pública (a lei obriga o governo a consultar a comunidade escolar para saber se as famílias querem a transformação).
Procurada, a APP, sindicato que representa professores e profissionais da educação pública estadual no Paraná, informa que conversou extra-oficialmente com direções dos colégios e que nenhum diretor teria sido informado até o momento sobre a possível militarização. Caso queira iniciar o processo, o governo precisa, legalmente, publicar com 15 dias de antecedência em Diário Oficial a informação sobre a consulta à comunidade. O sindicato de posiciona contra a militarização. Veja nota abaixo.
A intenção do governador Ratinho Jr. e ampliar o programa, que na opinião dele ajuda a melhorar o desempenho dos alunos, embora não haja provas disso. O governo federal, depois da posse do Presidente Lula (PT), decidiu inclusive acabar com o programa nacional de colégios cívico-militares, iniciado por Jair Bolsonaro (PL). O governo paranaense irá assumir os 12 colégios que faziam parte do programa federal.
Veja a lista de colégios:
Alfredo Parodi
Cruzeiro do Sul
Gelvira Correa Pacheco
Guido Arzua
Isabel Lopes
Ivo Leão
Jayme Canet
João Loyola
João Paulo I
João Paulo II
João Wislinski
Julio Mesquita
Lamenha Lins
Luiza Ross
Lysimaco Ferreira da Costa
Maria Montessori
Milton Carneiro
Natália Reginato
Pinheiro do Paraná
Protásio de Carvalho
Roberto Langer
Santa Felicidade
Santo Antônio
Teobaldo Kletemberg
Xavier da Silva
Nota da APP-Sindicato
"A APP-Sindicato monitora os passos do governo e estará atenta para mobilizar as comunidades escolares contra a militarização.
Não há notícias de qualquer resultado positivo do modelo após dois anos de vigência em 206 escolas. Pelo contrário, até aqui as escolas cívico-militares notabilizaram-se por lamentáveis episódios de exclusão, assédio e violências contra menores. Trata-se de um modelo falido, ultrapassado e cuja única sustentação é ideológica.
A premissa de que escolas funcionam melhor com a presença de militares aposentados(as) desrespeita os(as) professores(as) e funcionários(as), como se não estes profissionais não fossem capazes de manter um ambiente seguro e adequado à aprendizagem sem interferência externa.
Militares aposentados(as) vivem de pensões maiores do que a aposentadoria dos(as) educadores(as) e, na escola cívico-militar, recebem uma gratificação de R$ 5,5 mil para organizar filas e fiscalizar o corte de cabelo de estudantes. A gratificação é maior do que o Piso dos(as) professores(as) e o suficiente para pagar o salário básico de cinco funcionários(as) Agentes I. Escola não é cabide de emprego.
Trata-se de um desvio de recursos que poderiam ser investidos na valorização profissional ou em obras e equipamentos para as escolas, mas acabam sustentando um projeto inútil e demagógico, que divide a rede estadual.
Lugar de militar é na rua, cuidando da segurança pública. Escola é para aprender e ensinar, com profissionais valorizados(as) e ensino de qualidade referenciado em práticas pedagógicas reconhecidamente efetivas."