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Irregularidades mantêm em perigo testemunhas de investigações no Paraná

Três meses após primeiros indícios de abalo, executores do programa comunicaram paralisação das atividades

Irregularidades mantêm em perigo testemunhas de investigações no Paraná
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O programa de proteção a ameaçados de morte (Provita) no Paraná sofreu novo desfalque. Nesta semana, conselheiros foram comunicados sobre a paralisação das atividades da iniciativa, que, por causa de irregularidades não corrigidas a tempo pela gestão de Ratinho Jr. (PSD), corre o risco de deixar em situação de perigo testemunhas importantes para o andamento de processos e investigações de alta periculosidade no estado. Em junho, o recebimento de novas vítimas já havia sido afetado.

Informações às quais o Plural teve acesso indicam uma situação bastante preocupante nos bastidores do Provita. Aluguéis e condomínios, essenciais aos abrigados, deixaram de ser pagos, e serviços de telefone e internet também foram suspensos. Diante da falta de verbas, contas acumuladas teriam passado a ser quitadas com dinheiro próprio de envolvidos na execução do programa. Medidas extremas, como solicitar à União que federalize os casos paranaenses, não estão fora das discussões.

A celeuma que ameaça a condição de testemunhas no Paraná envolve a decisão de manter à frente da execução do programa a entidade que roubou quase R$ 600 mil de outra inciativa federal de proteção, o PPCAAM, destinado a crianças e adolescentes.

Em março de 2021, Marino Galvão, diretor da Avis, fez saques ilegais do caixa do programa no estado, e, por causa do desvio, a entidade foi incluída pela Receita Federal no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados (Cadin). A irregularidade impediu novos repasses do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania ao Provita, também executado pela Avis no Paraná. A última parcela do convênio, no valor de R$ 562 mil, segue retida pelo governo federal.

No fim de junho, o programa já havia sinalizado impedimento de receber novas testemunhas. Casos atendidos pelo Provita chegam majoritariamente a pedido do Ministério Público, mas o Judiciário também pode acionar as medidas de proteção, consideradas como uma ferramenta de assistência bastante importante para acolher pessoas ameaçadas ou coagidas.

À época, a Seju chegou a afirmar que, apesar da parcela segurada pela União, os repasses já feitos eram suficientes para dar continuidade ao atendimento às vítimas. Desta vez, a pasta informou que as verbas estão sendo direcionadas, porém, na forma de ressarcimento, que é a única modalidade possível diante das irregularidades da Avis.

“Na quarta-feira (27), a Seju notificou extrajudicialmente a entidade executora atual para que apresente os comprovantes dos gastos apresentados pela entidade para realizar de forma imediata o pagamento em caráter indenizatório, seguindo o que é previsto pela legislação sobre transparência e repasses de recursos públicos para organizações da sociedade civil e pelo próprio termo de colaboração vigente, para a manutenção da execução do programa nesta fase de transição”.

Três meses depois da primeira publicação do Plural, a pasta voltou a dizer que a “a rescisão do termo de colaboração com a entidade executora atual está em fase conclusiva na sua tramitação”. Segundo o governo do estado, a minuta do termo de colaboração da nova entidade executora do programa foi autorizada, “aguardando apenas a rescisão do contrato atual para ser firmada”. A Seju não deu um prazo de quando isso irá ocorrer.

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