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"Império da luz" tem Olivia Colman e reconstitui a Inglaterra dos anos 1980

Mas não se trata da Londres dos anos 1980 e sim de uma cidadezinha costeira onde existe um cinema enorme e algo decadente

"Império da luz" tem Olivia Colman e reconstitui a Inglaterra dos anos 1980
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Uma boa coisa a respeito de "Império da luz", em cartaz no Star+, é a maneira como o filme retrata a Inglaterra dos anos 1980. Mesmo se você não viveu lá nessa época (como é o meu caso), pode ver o filme e ficar com a impressão de que os anos 1980 foram, exatamente, assim. 

E não se trata da Londres dos anos 1980, com a música e os permanentes que costumamos associar ao período, mas sim de uma cidadezinha costeira e pouco movimentada, chamada Margate, onde fica o cinema que dá nome à história. 

Tenho a impressão de que o filme não cita Margate em nenhum momento, mas encontrei textos na web que revelam o nome da cidade onde "Império da luz" foi filmado e falam também do cinema usado no filme. Na ficção, ele se chama Império. Na vida real, ironicamente, é Dreamland ("terra de sonhos"). 

Império da luz

O cinema Empire fica à beira do mar e parece se ressentir da época quando era mais elegante e glamouroso. Mas não se engane, a sala de projeção ainda é linda – quando as luzes se acendem, logo nos primeiros minutos, chega a ser emocionante. Mas existe algo de decadente com o cinema e também com o proprietário do lugar, Donald (Colin Firth, que não costuma interpretar canalhas como esse). 

A história se concentra na gerente do cinema, Hillary, vivida por Olivia Colman. Hillary parece alheia a tudo e a todos, cumprindo suas obrigações de maneira mecânica. Além disso, ela é amante de Donald e a dinâmica entre os dois é triste de ver…

Até que vemos Hillary ir ao médico e reclamar de estar meio apática com tudo. E o doutor diz algo como: "Ah, com o lítio, é assim mesmo".

É preciso uma atriz da categoria de Olivia Colman (de "A filha perdida" e "Meu pai") para interpretar uma mulher que parece indiferente ao mundo, mas ao mesmo tempo com uma vida interior que parece bem complexa. 

Um pouquinho dessa vida interior começa a vir à tona quando um jovem é contratado para ajudar a equipe de funcionários do cinema que estava desfalcada. Stephen (Micheal Ward) é muito mais jovem do que Hillary, além de ser o único negro entre os brancos que trabalham no lugar. 

Sam Mendes

Num primeiro momento, pode parecer que os dois vão se envolver numa história de amor interracial e complexa. Porém, o cineasta Sam Mendes ("1917"), responsável pelo roteiro e pela direção, não demonstra muito interesse em seguir por esse caminho. 

Mendes prefere mostrar como a relação entre Hillary e Stephen é sim complexa, mas porque lidar com sentimentos é sempre, em alguma medida, um negócio complicado. Não importam idade, raça e sexo.

Onde assistir

"Império da luz" está em cartaz no Star+.

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