Mulheres protestaram, nesta quinta-feira (18), em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Elas representam um grupo muito maior de familiares de presos, que optou por não provocar aglomerações no Centro Cívico. O que eles buscam é informações sobre os detentos, que desde o início da pandemia, em março, não recebem mais visitas. Também não foi mais realizado o mutirão carcerário, para verificação de processos.
"Nós queremos notícias, respostas dos governantes pois não sabemos como estão nossos familiares e está muito difícil pra gente, estamos desesperados", diz uma das integrantes do grupo, que preferiu não se identificar. "Ligamos para a assistente social, não atendem, mandamos e-mail, não respondem. Ligamos nas unidades, desligam na nossa cara. Suspenderam os mutirões, entregam as sacolas 15 dias depois, quando a comida já estragou. Sem falar que todos os dias levam presos novos para as penitenciárias mas não fazem o teste para coronavírus."
O grupo tem pautas bem definidas, entre elas, o acesso dos presos a itens de higiene pessoal e atendimento à Saúde. Ainda são solicitadas: entrega de sacolas direto nas unidades - pois muitas famílias não podem arcar com os custos do Sedex, visitas virtuais e presenciais organizadas, realização de mutirões para reduzir a superlotação e assistência e respostas aos familiares.
Coronavírus
O combate à pandemia nas penitenciárias é a grande preocupação. "Não se tem notícias que o governo paranaense tenha adotado medidas sanitárias que possam impedir que a doença invada o sistema penitenciário. Falta água; há devolução sem justificativa de sacolas de alimentos e materiais de higiene, enviados por Sedex pelas famílias; não há o isolamento necessário dos presos com sintomas nem testes nos detentos; falta material básico de higiene, como sabão e desinfetantes."
Segundo os familiares existe ainda a opressão diária dos detentos, com torturas psicológicas e utilização de spray de pimenta, além do racionamento de comida, que chega estragada e crua.
"A Lei de Execução Penal determina diversas obrigações ao Estado em prol do bem-estar dos prisioneiros, medidas sabotadas pela ineficiência da máquina pública e pela omissão das autoridades", afirma o grupo.