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O que esperar de Athletico e Coritiba de volta à Série A do Brasileirão? Comentaristas opinam

Entre cautela e ambição, Furacão e Coxa retornam à elite com elencos em formação, ajustes em andamento e o mesmo objetivo: se estabilizar na elite antes de sonhar mais alto

O que esperar de Athletico e Coritiba de volta à Série A do Brasileirão? Comentaristas opinam
Foto: FPF
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Depois de um ano indigesto na Série B, Athletico e Coritiba voltam a ocupar seus lugares na elite do futebol brasileiro em 2026. Enquanto ainda dividem atenções com o Campeonato Paranaense — ambos classificados às quartas de final —, Furacão e Coxa já têm data e hora marcadas para o reencontro com a Série A, na próxima quarta-feira (28), quando começa oficialmente um novo capítulo para os rivais paranaenses.

Se voltar à primeira divisão costuma cobrar um preço alto de quem vem de baixo, para entender em que estágio Athletico e Coritiba chegam ao Brasileirão, o Plural ouviu quatro comentaristas que analisam elenco, contratações, contexto recente e capacidade de resposta das duas equipes diante da pressão da elite.

Mauro Cezar Pereira, Ubiratan Leal, Robson de Lazzari e Conrado Santana avaliam as contratações da dupla Atletiba, opinam sobre quem está melhor preparado para suportar a pressão técnica, financeira e emocional da Série A, e também respondem: Furacão e Coxa voltam à primeira divisão apenas para sobreviver ou é possível projetar objetivos mais ambiciosos no médio prazo?

Dentro de campo, os desafios começam já na largada. O Furacão estreia fora de casa, contra o Internacional, no Beira-Rio, às 19h. No mesmo dia e horário, o Coxa recebe o Red Bull Bragantino no Couto Pereira. Dois jogos, dois testes distintos e uma única certeza: a Série A não espera, nem perdoa quem ainda não está pronto.

Athletico busca campanha segura na elite

Com Odair Hellmann mantido no comando, o Athletico retorna à Série A com a percepção, entre os comentaristas ouvidos pelo Plural, de que chega mais preparado para enfrentar o impacto imediato da elite. Ainda assim, o discurso é unânime ao apontar que a permanência precisa ser tratada como prioridade absoluta.

Para Mauro Cezar Pereira, esse é um ponto inegociável para qualquer clube recém-promovido: “Todo time que vem da Série B deve priorizar a permanência na Série A. A partir daí, pode pensar em algo mais, caso a campanha permita”, destaca o comentarista do Uol Esporte, TV Cultura, S1Live e Jovem Pan Esportes.

Na comparação direta com o rival, Ubiratan Leal avalia que o Furacão tem um elenco mais próximo do padrão exigido pela primeira divisão, embora reconheça erros de leitura no ano passado.

“Em princípio, eu acho o Athletico mais preparado, tem um elenco com mais jogadores qualificados e fez campanhas estáveis na primeira divisão recentemente. Porém, demorou para cair a ficha que o clube estava na Série B, achou que fosse passeio, correu risco na parte de baixo da tabela, mas aí acordou, deu uma disparada e conseguiu subir. Agora, pensando em Série A, acho que o Athletico tem um time com mais jogadores capazes de fazer uma campanha mais segura”, avalia o comentarista da ESPN.

Até o momento, o Furacão contratou cinco jogadores: o lateral-direito Gilberto (Palmeiras), os volantes Luiz Gustavo (ex-São Paulo), Jadson (ex-Juventude) e Juan Portilla (ex-Talleres-ARG), e o meia Alejandro García (ex-Once Caldas-COL). Além disso, tem na mira o atacante colombiano Edwuin Cetré, do Estudiantes-ARG. Para Conrado Santana, do canal GOAT, as contratações deixam claro onde o clube identificou seus principais problemas.

“O Athletico reforçou bastante o meio-campo, e isso mostra muito o que o Odair Hellmann pensava sobre o time. E ainda tem o Gilberto, eu acompanhei ele muito na base, acho que foi ótima contratação pra lateral direita, é um cara que pode evoluir no profissional e e ser um grande jogador. Eu pensaria em ponta, um jogador de lado, mas que faça gols, um cara de um nível mais alto. É algo para o Athletico ainda pensar pra Série A se o mercado estiver disponível”.

Robson de Lazzari segue a mesma linha e destaca Portilla como peça central da reformulação, mas alerta que o elenco ainda está incompleto. “O setor dos volantes era o mais carente do Athletico. O Portilla chega para ser titular absoluto, mas ainda vejo a necessidade de mais um zagueiro, um atacante de lado e um centroavante reserva para o Viveros”, diz o jornalista da Rádio TMC.

Quando o tema é a capacidade de suportar a pressão da Série A, o Athletico aparece com leve vantagem nas análises. O histórico recente na elite pesa, mas não elimina riscos, como pondera Ubiratan Leal: “O Athletico tem mais ferramentas para fazer uma campanha mais segura. Ele conhece melhor esse ‘mundo do meio da tabela’ do Brasileirão”.

Vice-campeão da Série B, o Furacão vinha de anos com uma sequência melhor na elite do futebol brasileiro e figurando na parte de cima da tabela, como lembra Santana. “Claro que a ideia é voltar para esse patamar. A meta da permanência na Série A é ir melhorando após a janela de transferências. A estrutura que o Athletico tem e tudo que conquistou nos últimos anos chamou muito a atenção do Brasil inteiro. A queda foi uma surpresa pra muita gente”.

Coritiba: reformulação profunda e o desafio de mudar o roteiro

Se o Athletico surge como mais estruturado, o Coritiba chama atenção pela postura adotada após o acesso. Mesmo campeão da Série B, o clube optou por uma reformulação ampla, decisão que recebeu elogios dos comentaristas justamente pelo realismo.

Ubiratan Leal vê maturidade na leitura feita pela diretoria alviverde: “Estou gostando como a diretoria está tendo uma visão bem realista da Série A e tem feito os movimentos certos para isso, não se iludiu com o título da Série B ou com pequenas coisas como uma vitória num confronto direto. Acho que a diretoria está com uma visão bem interessante de como o time tem limitações”, avalia o comentarista da ESPN.

“O clube tinha muita noção do que foi a Série B e do que é preciso para a Série A. Tem um lado ruim que, com muita contratação chegando, vai ter que mudar a característica de jogo e talvez sofra com isso. Foi bom que o clube começou a fazer essas mudanças no começo do ano e não durante a temporada. Acho que o Coritiba está com uma ideia boa, só que tem muita coisa para encaixar e ver se o time decola”.

Essa percepção se reflete principalmente no ataque, setor apontado como o maior problema da equipe em 2025. De Lazzari considera acertada a prioridade dada às contratações ofensivas:

“A reconstrução do ataque era disparadamente o setor mais frágil. Nomes como Pedro Rocha, Breno Lopes, o próprio (Joaquín) Lavega e o Fabinho, vêm para dar uma cara um pouco diferente para o Coxa, mas ainda acredito na necessidade de trazer um camisa 9. Também foi mantida uma estrutura interessante do sistema defensivo, que se reforçou com o William Oliveira, um volante que jogou bem no Vitória nos últimos dois anos, e a chegada de um lateral bem experiente como o Tinga”, destaca o jornalista.

Além dos citados, o Coxa também trouxe o zagueiro Thiago Santos (ex-Fluminense), o volante Fernando Sobral (ex-Ceará), os meias Gustavo (Dubai United), além do técnico Fernando Seabra, contratado após a saída de Mozart.

Para Leal, Pedro Rocha pode ser o nome mais impactante do elenco, desde que mantenha o rendimento: “O Coritiba tinha uma defesa muito segura, mas do meio para frente era um sofrimento. O Pedro Rocha, por exemplo, se mantiver a produção da Série B, é o jogador que mais pode melhorar o time”, opina.

Apesar dos avanços, as análises seguem cautelosas. Na comparação com o Athletico, o Coxa aparece como um time que ainda precisa encaixar muitas peças, além de lidar com um histórico recente pesado na elite. De Lazzari resume o tamanho do desafio:

“Das últimas quatro vezes que disputou a Série A, em três foi rebaixado. O grande desafio agora é mudar esse histórico, e essa é a grande expectativa da torcida, que o Coritiba não volte mais uma vez para a Série B”, diz.

Ainda assim, há um consenso positivo sobre o caminho escolhido. Santana sintetiza o momento alviverde:

“Eu acho que o Coritiba tem que construir degrau por degrau essa imagem de time de primeira divisão e brigar para estar na primeira página do futebol brasileiro. A questão é ter maturidade e saber que não é fácil vir de uma Série B. Tem que ir construindo devagar essa estrada para se firmar de volta à primeira divisão do futebol brasileiro”.

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Monique Silva

Monique Silva

Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), apaixonada por contar boas histórias, com atuação em conteúdo digital e pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

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