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Hoje na Copa, Léo Pereira começou na Suburbana de Curitiba como atacante

Zagueiro da seleção jogava pelo Trieste, clube amador que o ajudou quando casa da família foi incendiada

Hoje na Copa, Léo Pereira começou na Suburbana de Curitiba como atacante
Léo Pereira, do Trieste para a Copa do Mundo. Foto: CBF

Léo Pereira está onde todo atleta gostaria de estar: nos holofotes do torneio esportivo mais importante do planeta, a Copa do Mundo de futebol. Nem por isso esqueceu suas origens. Em uma entrevista durante a fase de preparação para a Copa, depois de seu nome ser anunciado por Carlo Ancelotti, lembrou dos tempos de Trieste, o clube da Suburbana de Curitiba onde ele começou sua trajetória - e com visível emoção. 

Léo contou que o Trieste abriu as portas para ele em um momento delicado da adolescência, quando a casa de sua família foi atingida por um incêndio. Ainda garoto, ele precisou ajudar a mãe a lidar com todos os problemas - incluindo a falta de dinheiro - e participar dos cuidados com duas irmãs mais novas, que têm necessidades especiais.

Em meio a tudo isso, o Trieste fez uma gentileza que o atleta, hoje no Flamengo, jamais esqueceu. Pela regra, só os atletas que tinham outra cidade tinham direito a dormir nas acomodações do clube, em Santa Felicidade. Mas diante das circunstâncias, uma exceção foi aberta para o curitibano Léo, que na época atuava como atacante no time.

A passagem pelo clube é classificada pelo zagueiro da seleção como uma "virada de chave" em sua carreira. O relato repercutiu, reforçando um sentimento de gratidão mútua entre o atleta e o clube de Santa Felicidade. 

Do Trieste para o mundo

Convocado para defender a Seleção Brasileira no Mundial, no fim de maio, o zagueiro, atualmente no Flamengo, se tornou o primeiro atleta com passagem pelo Trieste Futebol Clube a disputar uma Copa do Mundo pela equipe masculina principal do Brasil. Um feito histórico que ultrapassa as fronteiras do clube e reafirma o trabalho de formação realizado há décadas em Santa Felicidade. 

Carteirinha de Léo Pereira na época da base. Foto: Trieste

Para o presidente do Trieste, Marcos Anzolin, a convocação de Léo Pereira tem um significado histórico. Um marco que simboliza a maturidade de um projeto de formação desenvolvido ao longo de décadas em Santa Felicidade. "É um motivo de orgulho para a comunidade do Trieste e para toda a comunidade de Santa Felicidade", afirma.

Mais do que celebrar a conquista de um ex-atleta, o dirigente entende que o momento projeta o clube para além das fronteiras de Curitiba e do Brasil. "O nome do Trieste está sendo divulgado para o mundo inteiro. Hoje, a marca Trieste é uma referência nacional e internacional quando se fala em categorias de base e formação de atletas", esclarece Marcos Anzolin.

A dimensão desse reconhecimento também se reflete nas redes sociais. A publicação feita pelo clube após a convocação de Léo Pereira ultrapassou 800 mil visualizações entre Instagram e Facebook, números raramente alcançados por uma agremiação amadora. Para Anzolin, o alcance é consequência direta da credibilidade construída pelo trabalho de base. "As pessoas depositam confiança em deixar seus filhos aqui porque sabem que vão encontrar um trabalho sério e muito bem-feito."

Transformação diária

Em meio à repercussão nacional e internacional, a maior transformação acontece diariamente nos campos do Estádio Francisco Muraro. Nos mesmos espaços em que Léo Pereira deu seus primeiros passos, centenas de crianças e adolescentes enxergam uma possibilidade concreta de futuro.

O futebol amador deixa de ser apenas um ambiente de competição e passa a assumir também um papel social e formador, oferecendo referências, disciplina e perspectivas de vida. "A gente vê até o brilho nos olhos das crianças. Elas olham para um banner, veem a história do Léo e pensam: 'Eu também posso chegar lá'. Isso é extremamente motivacional", destaca o presidente Marcos Anzolin.

Marcos Anzolin, presidente do Trieste: orgulho da cria do time. Foto: Rafael Buiar

Quem acompanhou de perto o início da trajetória do zagueiro é o coordenador das categorias de base do Trieste, Ricardo Vargas, que ainda hoje integra o projeto de formação do clube. Para ele, algumas características de Léo Pereira já chamavam a atenção desde os primeiros anos no Estádio Francisco Muraro. "Ele sempre teve humildade para aceitar correções. Mostrava ações de muita qualidade técnica e já tinha uma raça e uma vontade enorme de vencer", relembra.

Segundo Vargas, os atributos que fizeram de Léo uma promessa continuam presentes agora no mais alto nível do futebol mundial. "A qualidade técnica, a determinação e, acima de tudo, a humildade permanecem até hoje."

A história de Léo Pereira também ajuda a explicar a importância dos clubes de base do futebol amador de Curitiba na construção do futebol brasileiro. Muito antes dos centros de treinamento dos grandes clubes, são entidades como o Trieste que oferecem as primeiras oportunidades, identificam talentos e ajudam a moldar atletas e cidadãos. O sucesso alcançado pelo zagueiro na Copa do Mundo de 2026 consolida não apenas a força do Trieste, mas evidencia a capacidade transformadora do futebol de bairro, que segue produzindo sonhos em campos cercados pela comunidade e impulsionados pelo trabalho voluntário, pela paixão e pelo compromisso com a formação humana.

Léo Pereira, primeiro à esquerda na fila do meio, nos tempos de Trieste. Foto: Trieste

Na expectativa de vê-lo entrar em campo para defender a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, o coordenador resume o sentimento compartilhado por toda a comunidade tricolor. "É um orgulho e uma satisfação total vê-lo representar todos nós que o vimos iniciar no futebol."

Para as crianças e adolescentes que hoje vestem a camisa do Trieste, a história do zagueiro se transformou em um exemplo concreto de que o sonho é possível. "É uma inspiração muito grande para que muitos sigam seus passos e realizem o sonho de se tornarem jogadores de futebol profissional de alto nível", afirma Vargas.

História de craques

Embora a convocação de Léo Pereira para a Copa do Mundo de 2026 represente um marco inédito na história do clube, ele não é o único exemplo que alimenta os sonhos da garotada em Santa Felicidade. Nomes como Marcos Guilherme, Lucas Claro, Zé Rafael, Lucas Halter, Léo Linck, Mikael e Pedro Morisco também passaram pelo ambiente de formação do Trieste e se transformaram em referências para os jovens atletas.

Suas trajetórias demonstram que os campos do clube podem ser o ponto de partida para carreiras de destaque no futebol profissional, reforçando diariamente entre os meninos e meninas da base a convicção de que o sonho de chegar ao alto nível é possível por meio da dedicação, disciplina e persistência.

 

O sucesso alcançado por Léo Pereira, com a convocação para Copa do Mundo de 2026, consolida não apenas a força do Trieste, mas evidencia a capacidade transformadora do futebol de bairro, que segue produzindo sonhos em campos cercados pela comunidade e impulsionados pelo trabalho voluntário, pela paixão e pelo compromisso com a formação humana.

Rafael Buiar

Rafael Buiar

Jornalista há mais de 10 anos, gestor criativo e idealizador do projeto DRAP. Com uma visão macro e estratégica, lidera o desenvolvimento editorial e institucional da iniciativa, que há 14 anos valoriza o futebol amador e suas histórias.

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