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De Jaçanã ao Tarumã

Escrito por Camargo
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Fim de semana. Um cabôco que mora no Juvevê, em pleno e sempre inadiável passeio com o cachorro… Epa! cachorro não, pet, pet de estimação da família, teve a atenção voltada para um bar, do outro lado da rua. É que, de viola em punho, alguém, todo empolgado, cantava Trem das Onze, de Adoniran Barbosa.

Uma música que todo mundo conhece, daí ter chamado a atenção um pequeno detalhe:

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro no Tarumã
Se eu perder esse busão
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã…

Ou seja, uma contribuição curitibana ao sucesso de Adoniran, música premiada no carnaval carioca de 1964, gravada pelo grupo Demônios da Garoa, vencedora do Prêmio de Músicas Carnavalescas do IV Centenário do Rio de Janeiro, passando a integrar a lista dos 10 maiores sucessos da MPB de todos os tempos.

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Já em casa, o cachorro (“Epa… cachorro não! Pet!”, levou bronca) descansando num canto da sala, nosso herói foi atrás da ferrovia do trem das 11. Construída em 1894, e apenas para facilitar a instalação de dutos de água da região da serra da Cantareira ao centro da capital paulista, acabou sendo mantida em operação até 1965, ou seja, o ano seguinte ao do sucesso musical. Os pequenos vagões sobre a bitola de 60 centímetros ganharam fama. A letra faz referência ao bairro Jaçanã, situado na zona norte da cidade. O trem ligava o centro de São Paulo a Guarulhos, passando por lá.

Depois de décadas, deixou de circular o trem que foi imortalizado na voz de Adoniran Barbosa. Adoniran, aliás, era o nome artístico de João Rubinato, também humorista e ator de cinema. Isso mesmo: no filme O Cangaceiro, de 1953, de Lima Barreto, faz o papel de Mané Mole.

Para cantar – com ou sem acompanhamento de violão ou enxerto na letra:

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã
Além disso, mulher
Tem outra coisa
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar…

Sobre o autor

Camargo

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