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"Teto constitucional se tornou decorativo", diz diretora da Transparência Brasil

Situação se repete em outros tribunais do país, segundo Marina Atoji

"Teto constitucional se tornou decorativo", diz diretora da Transparência Brasil
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Marina Atoji , diretora de programas da ONG Transparência Brasil, diz que cenário encontrado pelo Plural e pela Rede Lume no Tribunal de Justiça do Paraná não é um caso isolado. Segundo ela, os ganhos muito superiores ao teto constitucional são recorrentes nos diversos tribunais pelo país e também nas cortes superiores.

“A quantidade e o volume dos benefícios para os magistrados são sempre muito significativos e são o que garantem essa remuneração acima do teto", diz Marina Atoji. "Os juízes e desembargadores argumentam que não é ilegal - e, de fato, alguns não são, porque os ganhos se diferenciam entre os remuneratórios (sujeitos ao teto) e os indenizatórios, que não estão sujeitos ao teto”, explica.

Segundo Marina, a criação de benefícios seria uma forma de compensar o que os magistrados consideram “defasagem” em seus salários. “Se demora um pouco para reajustar o teto, obviamente demora-se para reajustar a base deles, então eles criam um ‘penduricalho’ para poder cobrir essa 'defasagem' da remuneração. Em alguns casos, a gente tem também o pagamento de férias, ou são férias retroativas que vão acumulando de alguma maneira e aquilo cai de uma vez num mês só; tem algumas indenizações que são de decisão judicial, com correção monetária; às vezes eles criam benefícios que são retroativos, o que é uma loucura”, afirma.

Um exemplo de benefício retroativo foi a criação, em 2023, de um auxílio-creche para magistrados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O benefício retroagiu a 2010. “Eles têm literalmente o martelinho na mão, então eles podem criar os próprios benefícios,”, diz Marina.

A diretora da Transparência Brasil aponta ainda falta de clareza na divulgação dos dados dos diversos tribunais pelo país. “Muitas vezes é difícil até acompanhar a lógica, porque não vem discriminado de forma correta, vem algo como ‘outras indenizações’, e você não sabe o que é”, exemplifica.

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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