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Invasor manteve criança no colo e deixou carta sobre "massacre"

Polícia divulga detalhes da invasão do CMEI São Braz nesta sexta, quando 13 crianças foram mantidas reféns por três horas

Invasor manteve criança no colo e deixou carta sobre "massacre"
Polícia Militar cercou CMEI. Foto: Giovanni Sella/Plural
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O homem armado que invadiu nesta sexta-feira (9) o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) São Braz, na Rua Genauro Ferreira de Almeida, 79, em Curitiba, deixou a bicicleta do lado de fora, pulou a cerca dos fundos e entrou na unidade levando um produto inflamável de cheiro forte, um pano, uma faca e um simulacro de pistola. Durante o cerco, segundo coletiva da Polícia Militar do Paraná concedida ao fim da operação, ficou com todas as 13 crianças em volta e uma no colo. Deixou cair uma carta escrita à mão enquanto a diretora e os professores retiravam outras crianças da unidade; o texto, iniciado por "MUITA ATENÇÃO", avisa que a situação "pode virar um masacre" (sic) e orienta "siguão todas as minhas orientações e deixem que a polícia e os negociadores venhão resolver" (sic). O coronel que concedeu a coletiva disse à imprensa que não soube afirmar se foi o próprio invasor quem escreveu o documento. Ao fim de cerca de três horas e quinze minutos de negociação, a equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) entrou e neutralizou o agressor por volta das 18h15, libertando as 13 crianças. Uma delas estava com o rosto machucado; cinco foram levadas a atendimento médico.

A descrição foi feita em duas coletivas de imprensa pela PM-PR logo depois do fim do cerco, com a presença do coronel Alexandre Lopes Dias, do Comando de Missões Especiais (CME) da corporação — estrutura à qual se vincula o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). As falas detalham o modo da entrada do invasor, o quadro no interior da unidade, a decisão de ruptura da negociação e o resgate das crianças. A ocorrência é a primeira com agressor armado dentro de uma unidade da rede municipal em 21 anos de Programa Defesa Civil na Educação — Conhecer para Prevenir (CPP), descrito no especial do Plural sobre o programa.

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Como ele entrou

O invasor deixou uma bicicleta do lado de fora da unidade e pulou a cerca dos fundos do CMEI, segundo o coronel Alexandre Lopes Dias, do Comando de Missões Especiais da PM-PR, na segunda coletiva da tarde. Levava um produto inflamável, de "cheiro bem forte" dentro do imóvel, e um pano. A pistola que portava foi identificada depois como simulacro — réplica sem capacidade de disparo. A faca era real. A informação transmitida à equipe de negociação por funcionárias da creche, no primeiro momento, era que o homem portava arma de fogo e faca; a natureza do simulacro só ficou clara após a neutralização.

A carta deixada cair

A carta — escrita à mão em caneta azul, em letra bastão, com destaques a caneta laranja — caiu do invasor enquanto a diretora e os professores retiravam outras crianças da unidade, segundo relato do coronel Alexandre Lopes Dias. O oficial disse à imprensa que não soube afirmar se foi o próprio agressor quem a escreveu. O documento, exibido pela corporação em fotografia divulgada à imprensa, começa com a palavra "MUITA ATENÇÃO" em caixa alta, está assinado com o pseudônimo "FREEZA 383" e inclui um número de celular, acompanhado da orientação "AVISEM A IMPRENSA / COLOQUE NAS REDE SOCIAIS" (sic).

Reproduzido tal como escrito, com os erros ortográficos preservados:

MUITA ATENÇÃO

A princípio vai ser um grande sequestro mais nos próximos segundos e minutos, pode virar um masacre, então siguão todas as minhas orientações e deixem que a polícia e os negociadores venhão resolver.

OBS: mas tomen muito cuidado com seus atos e atitude nos próximos minutos pra não virar masacre.

OBS: a pistola tá com 2 pente de bala, foi testada, vou matar os professores e os aluno ou vice-versa e depois me mato, se vocêis terem dar uma de herói e tomarem alguma atitude boba.

TELEF: (número de celular omitido pelo Plural) / ASS: FREEZA 383

AVISEM A IMPRENSA / COLOQUE NAS REDE SOCIAIS

A PM não divulgou, até o fechamento desta edição, se outros documentos foram encontrados com o invasor nem se o pseudônimo "Freeza" — grafia foneticamente aproximada do nome do vilão japonês Frieza, do desenho animado Dragon Ball — aparece em outros registros ligados ao homem.

Uma criança no colo, outras em volta

Durante a negociação, segundo o coronel Alexandre Lopes Dias, o agressor ficou com todas as 13 crianças em volta dele e uma delas no colo. Na primeira coletiva da tarde, outro oficial já havia descrito que o homem passou a segurar crianças "de uma forma mais acintosa", chegou a machucar uma ou duas e as agredia verbalmente. "As crianças chorando, pedindo para ir ao banheiro, que já estavam fazendo suas necessidades ali na roupinha delas", descreveu esse oficial.

A janela de oportunidade e a entrada do Bope

A decisão de abandonar a negociação foi tomada diante de dois gatilhos simultâneos, de acordo com a PM: o isqueiro aceso na mão do invasor, com a ameaça de atear fogo ao local, e o nível crescente de estresse das crianças. "No momento oportuno, numa janela de oportunidade, a gente optou então pelo adentramento tático", descreveu o oficial da primeira coletiva. A equipe do Bope entrou "de uma forma muito tática, usando todos os recursos aos quais eles vêm treinando cotidianamente".

No instante da entrada, segundo o coronel Alexandre Lopes Dias, o agressor "tentou então investir para tentar pegar uma criança" — momento em que a equipe o neutralizou. Em seguida, as 13 crianças foram levadas aos médicos e bombeiros que estavam de prontidão fora da unidade.

Uma criança com o rosto machucado; cinco levadas a atendimento

Das 13 crianças libertadas, uma estava com o rosto machucado, segundo o coronel Alexandre Lopes Dias. Cinco foram levadas a atendimento médico — parte pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) e parte por decisão dos pais —, para a UPA e para outra unidade de saúde cujo nome não foi detalhado na coletiva. A condição clínica individual das crianças encaminhadas não foi divulgada pela PM nem pela Prefeitura de Curitiba até o fechamento desta edição.

Esquizofrenia e discurso sem conexão

Apenas depois da neutralização a corporação conseguiu identificar o invasor. A PM informou que ele tinha diagnóstico de esquizofrenia e que, durante toda a negociação, "não falava nada que tinha algo conexo" — ou seja, não encadeava um discurso que permitisse à equipe estabelecer com segurança a motivação do ataque. "Não posso afirmar realmente o que ele passava, qual era a intenção dele, o motivo pelo qual ele estava fazendo aquele atentado", disse o oficial da primeira coletiva. A corporação não confirmou, até o fechamento desta edição, se o agressor tinha vínculo prévio com a unidade, com famílias atendidas ou com servidoras da escola.

O que o Censo diz sobre as crianças

Na primeira coletiva, um oficial da PM estimou que as 13 crianças tinham entre quatro e cinco anos de idade. Pelo Censo Escolar 2025 do Inep, no entanto, o CMEI São Braz atende exclusivamente turmas de creche, para crianças de até três anos; a unidade não oferta pré-escola em 2025. A diferença pode refletir estimativa visual do oficial em condições de ocorrência extrema, ou a presença de crianças que estavam prestes a completar quatro anos. O detalhamento etário real do grupo mantido como refém só será confirmado quando a Secretaria Municipal da Educação (SME) divulgar a lista nominal.

O que ainda não se sabe

Permanecem sem divulgação oficial, até o fechamento desta edição, a identidade do invasor; a autoria da carta, com o coronel Alexandre Lopes Dias confirmando que não soube afirmar se foi o próprio homem quem a escreveu; a composição exata do produto inflamável que ele portava; o nome da segunda unidade de saúde que recebeu crianças; a condição clínica individual das cinco crianças encaminhadas; a extensão dos ferimentos da criança com o rosto machucado; e a existência ou não de vínculo prévio do agressor com o CMEI. A PM também não divulgou o tempo exato entre o acionamento e a chegada da equipe de negociação, nem se a unidade constava no roteiro da ronda escolar da Guarda Municipal.

Perguntas rápidas

Como o invasor entrou no CMEI São Braz? Deixou uma bicicleta do lado de fora e pulou a cerca dos fundos da unidade, segundo o coronel Alexandre Lopes Dias, do Comando de Missões Especiais da PM-PR, na segunda coletiva da tarde. Levava um produto inflamável de cheiro forte, um pano, uma faca e um simulacro de pistola.

O que estava escrito na carta deixada pelo invasor? Em letra bastão com destaques a caneta laranja, o texto, assinado como "FREEZA 383", avisa que a ocorrência começaria como "um grande sequestro" e poderia "virar um masacre" (sic), orienta "siguão todas as minhas orientações e deixem que a polícia e os negociadores venhão resolver" (sic), afirma que "a pistola tá com 2 pente de bala" (sic), ameaça "matar os professores e os aluno" (sic) e pede: "AVISEM A IMPRENSA / COLOQUE NAS REDE SOCIAIS". O coronel Alexandre Lopes Dias disse não saber se foi o próprio invasor quem a escreveu.

Alguma criança ficou ferida? Sim. Uma das 13 crianças libertadas estava com o rosto machucado, segundo o coronel Alexandre Lopes Dias. Cinco foram levadas a atendimento — parte pelo Siate, parte por decisão dos pais —, para a UPA e para outra unidade de saúde cujo nome não foi detalhado.

Por que a PM decidiu entrar em vez de continuar a negociação? Pelos gatilhos simultâneos do isqueiro aceso na mão do agressor, com ameaça de incêndio dentro da unidade, e do nível crescente de estresse das crianças, segundo o oficial da primeira coletiva. Houve, na descrição da corporação, uma "janela de oportunidade" para o "adentramento tático", conduzido pela equipe do Bope.

O invasor tinha algum transtorno mental? A PM informou, após identificar o corpo, que o homem tinha diagnóstico de esquizofrenia. Durante toda a negociação, segundo a corporação, "não falava nada que tinha algo conexo".

  

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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