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Feira gastronômica do IFPR aproxima alunos das culturas de países de língua espanhola

No Campus Curitiba, alunos e docentes transformam as aulas de espanhol em um evento que mistura gastronomia, história e cultura latino-americana

Feira gastronômica do IFPR aproxima alunos das culturas de países de língua espanhola
Estandes temáticos apresentam pratos de vinte países hispânicos. Imagem: Noah / IFPR
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No último sábado (3), o Campus Curitiba do IFPR (Instituto Federal do Paraná) recebeu a 11ª edição da Feira Gastronômica Sabores y Colores del Castellano. Na quadra da instituição, 20 grupos de estudantes montaram estandes com comidas típicas de 20 países de língua espanhola. Cada grupo preparou e serviu sobremesas, salgados e bebidas.

Ao todo, cerca de 400 estudantes participaram da organização, que recebeu um público estimado em 700 pessoas, entre alunos, familiares, professores e convidados. O evento é a principal atividade do projeto de extensão Colores del Español, desenvolvido por cinco professores de língua espanhola do campus.

A professora Regiane Porrua, idealizadora e coordenadora do projeto, explica que a iniciativa surgiu de uma inquietação acadêmica. Em sua pesquisa de mestrado, defendida em 2015, ela identificou o que chama de silenciamento da língua espanhola no Brasil e a distância cultural entre brasileiros e seus vizinhos hispanofalantes. “A ideia era que, por meio da comida, as pessoas conhecessem um pouco mais sobre a língua espanhola e as culturas desses países”, afirma.

Feira integra a disciplina de Espanhol no Campus Curitiba. Imagem: Rafaela Pereira Rodrigues / IFPR

De modo geral, participam estudantes dos cursos técnicos de Eletrônica, Mecânica, Processos Fotográficos, Petróleo e Gás, Contabilidade, Administração, Informática e Jogos Digitais.

Segundo Regiane, embora compartilhem o mesmo espaço, os alunos de diferentes cursos nem sempre convivem no cotidiano do campus. O evento, nesse sentido, também proporciona um momento de integração entre as turmas.

A preparação começa três ou quatro meses antes do evento, quando cada turma recebe, por sorteio, um país para representar. A partir daí, os estudantes pesquisam a história, os aspectos sociais e a cultura do lugar, além de organizar os pratos, os recursos financeiros e a apresentação. O trabalho também faz parte da avaliação da disciplina de espanhol.

Participam alunos de oito cursos técnicos. Imagem: Ana Lívia Zanini / IFPR

Sabores do Chile e descobertas sobre a América Latina

Para a turma de Isadora Stein, de 15 anos, aluna de Processos Fotográficos, o sorteio resultou no Chile. “Achei a proposta muito legal, embora um pouco maluca, porque é a nossa primeira vez participando”, conta.

Antes de escolher o cardápio, a turma preparou uma apresentação sobre o país, reunindo curiosidades e fatos históricos. Depois, definiu os pratos que seriam apresentados na feira.

Entre as opções estavam o chilenito, doce semelhante ao alfajor argentino; as palmeras, que lembram o garibaldi; e um doce de coco. Nos salgados, os estudantes prepararam empanadas de carne e bacalhau. Para acompanhar, ofereceram o terremoto, bebida que, na versão da turma, leva Sprite, sorvete e xarope.

A colega de curso Mylena Zelinski, de 17 anos, afirma que a pesquisa ampliou seu conhecimento sobre a região. “Existem muitos países da América Latina sobre os quais sabemos muito pouco”, observa.

Para ela, o trabalho ajuda a combater preconceitos e o desconhecimento sobre os países latino-americanos. Além das descobertas culturais, a preparação exigiu habilidades que vão além da cozinha, como administrar dinheiro, organizar tarefas e trabalhar em equipe.

“Nós somos calouras, então a primeira participação na feira acaba sendo mais difícil e trabalhosa. Mesmo assim, acho que conseguimos fazer um bom trabalho”, diz.

A experiência também levou as estudantes a refletirem sobre a própria identidade latino-americana. Mylena considera que, por falar português, parte da população brasileira acaba se distanciando culturalmente dos países vizinhos. “Às vezes, o brasileiro não se reconhece como parte da América Latina justamente por não falar a mesma língua que a maioria dos países da região”, afirma.

Para a estudante, conhecer a história e a cultura desses países é também uma maneira de reconhecer experiências compartilhadas e fortalecer o sentimento de pertencimento à América Latina.

Atividade mobiliza mais de quatrocentos estudantes. Imagem: Caju (Gustavo) Ferreira / IFPR

Da feira à profissão

A importância desta atividade para a formação dos estudantes também apareceu na pesquisa de doutorado de Regiane. Ao analisar memórias das práticas pedagógicas de língua espanhola no campus, a professora identificou lembranças recorrentes sobre o evento, especialmente pela oportunidade de interação entre turmas de diferentes cursos.

“Os estudantes lembravam como era divertido, como aquele era um momento diferente e como a atividade aproximava turmas que normalmente não tinham contato”, relata.

A história de Ana Carolina é um exemplo de como essa experiência pode permanecer na vida dos estudantes. Ex-aluna do curso técnico de Informática, ela participou da Sabores y Colores em 2018, quando as atividades ainda aconteciam dentro das salas de aula. Depois de deixar o IFPR, decidiu cursar Letras-Espanhol, escolha que atribui, em parte, à influência das aulas e da professora Regiane.

“A Feira Gastronômica é um evento que reúne as pessoas e fortalece esse sentimento de pertencimento à instituição. É quando as aulas de espanhol saem da sala de aula e ocupam a escola inteira”, lembra.

Ana recorda que a preparação envolvia semanas de atividades coletivas, com estudantes se reunindo na casa de colegas para preparar os pratos que seriam apresentados. Para ela, essas experiências ajudavam a construir vínculos entre os alunos e com a própria instituição.

Ao retornar ao campus, encontrou um evento maior da qual participou em 2018, agora realizada na quadra, com participação da comunidade e divulgação produzida pelos próprios estudantes.

O reencontro também trouxe lembranças da época em que estudava no Instituto. “Ontem mesmo, eu estava revendo algumas fotos e pensando em como o espanhol esteve presente na minha vida por tanto tempo”, conta. “Quando olho para os últimos dez anos da minha vida, percebo como tudo isso esteve presente na minha trajetória.”

Projeto surgiu de pesquisa acadêmica sobre o ensino de espanhol. Imagem: Yasmin Calabrese / IFPR

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