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Curitiba simula invasor armado em escolas e CMEIs desde 2005

O módulo "agressor ativo" integra o Programa Defesa Civil na Educação — Conhecer para Prevenir (CPP), coordenado pela Secretaria Municipal da Defesa Social e pela Secretaria Municipal da Educação (SME)

Curitiba simula invasor armado em escolas e CMEIs desde 2005
Simulação de segurança em escola municipal de Curitiba. Foto: SMCS

A rede municipal de ensino de Curitiba inclui o cenário de invasor armado nos simulados de emergência de escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) desde abril de 2023 — dois meses depois do ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, que matou quatro crianças, e quatro anos depois do ataque à Escola Raul Brasil, em Suzano. O módulo "agressor ativo" integra o Programa Defesa Civil na Educação — Conhecer para Prevenir (CPP), coordenado pela Secretaria Municipal da Defesa Social e pela Secretaria Municipal da Educação (SME). A invasão desta sexta-feira (9) ao CMEI São Braz, na Rua Genauro Ferreira de Almeida, 79, é a primeira ocorrência com agressor armado dentro de uma unidade da rede municipal desde que o módulo foi criado. Até esta semana, o coordenador da Defesa Civil de Curitiba afirmava publicamente, em entrevistas, que "nunca um agressor invadiu uma escola em Curitiba".

O CPP foi criado em 2005 pela Defesa Civil do município, autorizado pela Lei Municipal 14.579/2014 e regulamentado pelo Decreto Municipal 852/2019. O decreto obriga cada escola e cada CMEI da rede a manter um Plano de Preparação para Emergência Local (PPEL) — documento interno com rotas de fuga, pontos de abrigo, lista de brigadistas e contatos de emergência. Também determina que o Grupo Gestor do programa, composto por representantes da SME, da Defesa Civil, da Guarda Municipal e da Coordenadoria do Sistema Integrado de Defesa Civil (COSEDI), se reúna a cada três meses.

O que mudou em abril de 2023

Até 2023, o foco do CPP era incêndio, enchente e vendaval. O módulo "agressor ativo" entrou no programa em 20 de abril de 2023, quando a Prefeitura, então sob gestão de Rafael Greca (PSD), anunciou um pacote de resposta aos ataques a escolas em Blumenau (abril de 2023) e, antes, em Suzano (março de 2019). Na mesma data, cada escola e cada CMEI recebeu uma cota extra de R$ 2 mil pelo Fundo Rotativo para comprar ou manter itens de segurança: interfone, cadeado, portão, câmera.

O pacote de 2023 incluiu ainda a ampliação da Muralha Digital, sistema de videomonitoramento integrado da Guarda Municipal; contrato da SME com a empresa G5 para monitoramento interno das unidades por sensores; colares de identificação para funcionários; e a criação de um Comitê Permanente para a Cultura da Paz na SME.

Permanência segura, não evacuação

A orientação do CPP para o caso de invasão é a permanência segura — ficar dentro da unidade, trancado, em local protegido, até a resposta policial. É o oposto da evacuação, que vale para incêndio, enchente e vendaval.

A SME declarou, em 2025, que foram realizados 1.075 simulados em 440 unidades da rede municipal e em 16 instituições particulares conveniadas, com periodicidade mínima semestral e sem aviso prévio à direção. Depois de cada simulado, o PPEL da unidade é ajustado.

Um simulado de invasor documentado pela própria prefeitura ocorreu em 3 de abril de 2025 na Escola Municipal Julia Amaral di Lenna, no bairro Barreirinha, com acompanhamento do então prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Participaram equipes da Defesa Civil, da Guarda Municipal e do Núcleo Regional de Educação.

As camadas da Polícia Militar

O CPP convive com outras duas camadas de prevenção, operadas pela Polícia Militar do Paraná: o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), aplicado a alunos do 5º ano em período integral — a SME anunciou a retomada da parceria com a PMPR — e a Patrulha Escolar Comunitária (BPEC), que faz patrulhamento ostensivo em escolas estaduais e aplica o Curso de Segurança Escolar Avançado, usado em treinamento conjunto com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) em março de 2024 no Colégio Estadual Cívico-Militar Ermelino de Leão.

A legislação em vigor é curta

A legislação municipal direta sobre o tema é curta. Além da Lei 14.579/2014 e do Decreto 852/2019, há a Lei Lucas (federal 13.722/2018 e municipal 15.346/2018), que exige profissionais com curso de primeiros socorros em cada unidade de ensino.

Dos projetos de lei apresentados na Câmara Municipal depois de Blumenau, nenhum virou lei. Entre os arquivados estão a Guarda Municipal Escolar Comunitária (Professor Silberto, 2019), a regulamentação da ronda escolar (Toninho da Farmácia, 2019), o monitoramento eletrônico em salas de creches (Zezinho Sabará, 2020), a autorização para moradia de guarda municipal dentro de escola (Sargento Tania Guerreiro, 2021), o totem da Muralha Digital com botão de pânico (Osias Moraes, 2023) e as câmeras com reconhecimento facial em CMEIs (Delegada Tathiana Guzella, 2025).

O que ainda tramita

Em análise na Câmara estão três projetos que mexem no protocolo em vigor: a Política Municipal de Proteção e Capacitação em Segurança Escolar (Lorens Nogueira, 005.00078.2026), a capacitação em primeiros socorros e resposta a emergências nas unidades de ensino (Delegada Tathiana Guzella, 005.00213.2026) e as diretrizes de protocolos de segurança nos cuidados íntimos de crianças nos CMEIs (Sargento Tania Guerreiro, 005.00161.2026).

Episódios recentes na rede

Nos últimos 12 meses, a Câmara Municipal tratou de pelo menos cinco episódios de invasão ou furto em unidades da rede: CMEI Moradias Augusta (CIC, invasão e subtração de equipamentos, setembro de 2026), CMEI Sylvia Orthof (Sítio Cercado, furto recorrente de fiação, setembro de 2026), CMEI Carlos Alberto (Guaíra, furtos de ar-condicionado, abril de 2026), Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves (Uberaba, invasão nas dependências, outubro de 2025) e CMEI Maria Cazetta (Uberaba, furto de utensílios, janeiro de 2024).

No próprio bairro São Braz, o CMEI Nelson Buffara recebeu pedido de patrulhamento urgente do vereador Colpani em 2016, após "constantes assaltos", conforme o requerimento 044.11981.2016.

O CMEI São Braz, pelo Censo

Segundo o Censo Escolar 2025 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o CMEI São Braz — código INEP 41356543 — tem 47 crianças matriculadas, todas em creche, com até três anos de idade. O perfil completo da unidade, com indicadores de regularidade docente, estrutura e fundo rotativo, está no especial do Plural sobre o CMEI.

O que o dado não mostra

O número de simulados declarado pela SME em 2025 (1.075 em 440 unidades) não distingue, no agregado publicado, quantos foram do módulo "agressor ativo" e quantos foram de incêndio ou enchente, nem a distribuição entre escolas de ensino fundamental e CMEIs. Também não se tornou público o conteúdo do PPEL de cada unidade — por tratar de rotas de fuga e pontos de abrigo, o documento é interno, por desenho. A declaração do coordenador da Defesa Civil ("nunca um agressor invadiu uma escola em Curitiba") passa a ter, a partir desta sexta, uma exceção verificada.

Perguntas rápidas

Desde quando Curitiba simula invasão nas escolas? Desde 20 de abril de 2023. Nessa data, a prefeitura incorporou o módulo "agressor ativo" ao Programa Defesa Civil na Educação — Conhecer para Prevenir (CPP), em resposta aos ataques a escolas em Blumenau (abril de 2023) e em Suzano (março de 2019).

Qual é o protocolo em caso de invasão? Permanência segura: ficar dentro da unidade, trancado, em local protegido, até a resposta policial. É o oposto da evacuação, que vale para incêndio, enchente e vendaval.

Quantos simulados foram feitos na rede municipal? A SME declarou, em 2025, 1.075 simulados em 440 unidades da rede municipal e 16 instituições particulares conveniadas, com periodicidade mínima semestral e sem aviso prévio à direção.

Qual legislação sustenta o programa? A Lei Municipal 14.579/2014, que autoriza o CPP, e o Decreto Municipal 852/2019, que o regulamenta e obriga cada unidade a manter um Plano de Preparação para Emergência Local (PPEL). Soma-se a Lei Lucas (federal 13.722/2018 e municipal 15.346/2018), que exige profissionais com curso de primeiros socorros em cada escola.

Já havia ocorrido invasão de agressor armado em escola de Curitiba antes de 9 de outubro de 2026? Segundo o próprio coordenador da Defesa Civil do município, não. A invasão ao CMEI São Braz é a primeira ocorrência registrada desde a criação do módulo "agressor ativo", em abril de 2023.

  

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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