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Curitiba abre licitação para trazer três girafas do Rio ao zoológico

Pregão de R$ 757,5 mil vai trazer três girafas de Mangaratiba (RJ) ao Zoológico de Curitiba: 800 km em caixa com teto móvel. Propostas até 20 de outubro

Curitiba abre licitação para trazer três girafas do Rio ao zoológico
Foto: David White / Unsplash

A Prefeitura de Curitiba abriu pregão para contratar o transporte de três girafas de um resort e safári de Mangaratiba, no Rio de Janeiro, até o Zoológico Municipal — 800 quilômetros por estrada, em caixa com teto móvel, acompanhadas de dois veterinários, quatro tratadores e cinco motoristas. O preço estimado é de R$ 757.500,00, o equivalente a R$ 252.500,00 por animal. Em abril, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já havia anunciado que pretendia contratar uma empresa específica para o mesmo serviço, por "provável exclusividade técnica". Seis meses depois, o transporte foi para licitação aberta — e com uma girafa a mais.

O Pregão Eletrônico 147/2026, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), foi publicado no Diário Oficial do Município de 5 de outubro e tramita no processo 01-215693/2026. As propostas podem ser enviadas até as 8h50 de 20 de outubro, com a disputa de lances marcada para as 9h do mesmo dia, pelo critério de menor preço global. O pregoeiro é José Roberto Martins Gomes Junior.

O objeto não pode ser dividido. Pelo estudo técnico preliminar, os serviços "configuram sistema único e integrado", o que afasta o parcelamento previsto como regra na Lei 14.133/2021. A empresa vencedora terá 180 dias, contados da ordem de serviço, para executar o transporte, e o contrato vale por um ano. O pagamento só acontece na entrega integral: o critério de medição é a chegada das três girafas ao zoológico "em condições adequadas", atestada por avaliação clínica feita tanto na origem quanto no destino.

De onde vêm as girafas

Os documentos do pregão informam que os animais são "disponibilizadas pelo Ibama" e vêm do Porto Belo Resort e Safari, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro. O estudo técnico cita dois processos do órgão federal: 02017.002476/2025-98 e 02001.034607/2024-94. Segundo o mesmo documento, a necessidade do transporte "provém da escolha do Zoológico de Curitiba para o recebimento de três girafas".

Nem o estudo técnico, nem o termo de referência, nem o edital explicam por que o Ibama disponibilizou os animais, em que situação eles estão ou por que Curitiba foi escolhida para recebê-los. O custeio é municipal: pelo estudo, os serviços serão pagos "com recursos próprios da SMMA".

O que mudou desde abril

Em 1º de abril, a SMMA publicou no Diário Oficial o Comunicado 6, que abria uma consulta pública para "validação da provável exclusividade técnica e oportuna de contratação" da empresa Artemis – Serviços Ambientais, CNPJ 10.598.701/0001-28, que havia apresentado "intenção declarada de prestação de serviços". O objeto era o transporte de duas girafas de Mangaratiba até Curitiba, e a meta declarada era "efetivar a transferência no 1º semestre de 2026". Outras empresas com estrutura semelhante tinham até 9 de abril para apresentar carta de intenção, em procedimento análogo ao do Decreto Municipal 1.802/2017.

Aquele comunicado descrevia, item por item, o reboque da Artemis: 6,25 metros de comprimento por 2,90 de largura, dois compartimentos conjugados com 4,50 metros no total — 2,25 metros por animal —, altura de 3,10 metros fechada para trânsito e até 4,80 metros elevada, três eixos, piso antiderrapante e fechamento em lona removível.

O estudo técnico assinado em 10 de agosto confirma que a consulta pública foi feita para "averiguar a possível existência de empresas com condições técnicas similares eventualmente também interessadas", com base no artigo 23 da Lei 14.133/2021. O documento registra que o transporte de girafa é raro no mercado brasileiro e que, por isso, "existem poucas empresas que podem ter interesse neste serviço".

Nenhum contrato com a Artemis foi publicado no Diário Oficial depois disso, e o transporte anunciado para o primeiro semestre não se concretizou. O serviço reapareceu em outubro como pregão aberto, para três animais e com especificação diferente da que havia sido publicada em abril: a caixa agora deve ter até 7 metros de comprimento externo, 3,50 metros de compartimento interno por animal — um metro e vinte e cinco mais do que no reboque descrito em abril — e fechar a 4 metros de altura para trânsito, chegando aos mesmos 4,80 metros quando elevada.

Como a viagem tem de ser feita

O teto móvel existe por uma razão prática explicada no estudo técnico: as girafas são adultas e medem quase cinco metros, mas as estradas têm trechos com limitação de altura em torno de quatro metros. Os animais viajam em pé, "postura mais comum para a espécie", e a sedação foi descartada "pelos elevados riscos técnicos e operacionais" — daí a exigência de que o teto possa ser rebaixado em viadutos, túneis e pontes.

O termo de referência vai além da caixa. Exige ventilação forçada capaz de manter o interior entre 20 ºC e 26 ºC, hidratação automática com reserva mínima de 200 litros, piso antiderrapante compatível com o peso do animal, monitoramento visual e ambiental em tempo real, rastreamento por satélite e, preferencialmente, câmera interna no compartimento de carga. A jornada diária de transporte fica limitada a dez horas e 500 quilômetros, com pernoites pré-determinados a cada 500 quilômetros e tacógrafo digital para fiscalização. A empresa também terá de apresentar rotograma de carga superdimensionada, autorizações de trânsito junto ao DNIT e às concessionárias, autorização de escolta da Polícia Rodoviária Federal e das polícias rodoviárias estaduais, rota alternativa para cada trecho, mapeamento de oficinas e de guincho pesado ao longo do caminho e uma viagem prévia de teste.

O comboio previsto tem um caminhão, dois carros de batedores e um carro para a equipe técnica. A tripulação mínima é de dois médicos veterinários — um deles responsável técnico, com registro no CRMV — e quatro auxiliares de manejo, além de cinco motoristas; o objeto publicado no Diário também menciona biólogo ou zootecnista. Há exigência de duas apólices: seguro de responsabilidade civil profissional e ambiental e seguro de carga viva, com cobertura para morte, lesão grave ou invalidez, estipulado em R$ 500 mil por animal.

Um anexo de nove páginas fixa o protocolo clínico. Até 48 horas antes do embarque, cada girafa passa por exame com registro de frequência cardíaca (referência de 40 a 60 batimentos por minuto em repouso), frequência respiratória (8 a 15 movimentos por minuto), temperatura retal (37,5 ºC a 38,8 ºC) e tempo de preenchimento capilar. Na chegada, o veterinário do destino assina um parecer com três opções: animal estável, alerta clínico com monitoramento por 24 a 48 horas ou emergência veterinária, prevista para casos de trauma grave ou miopatia.

Os documentos não dizem quantas viagens serão feitas. O objeto publicado no Diário fala em veículo adequado ao acondicionamento de três girafas; o estudo técnico e a minuta de contrato falam em veículo para "pelo menos uma (01) girafa, por vez"; e o termo de referência descreve compartimento individualizado de 3,50 metros por animal numa caixa de até 7 metros. O preço é global, independentemente do número de idas e vindas.

As girafas que o zoológico já teve

Os registros de licitação da própria Prefeitura guardam duas passagens anteriores. Em novembro de 2024, a SMMA contratou por inexigibilidade, por R$ 170 mil, a preparação, impermeabilização e osteomontagem de esqueletos biológicos — "duas girafas, dois muriquis e uma leoa" — para o acervo do Museu de História Natural Capão da Imbuia. O contrato, de número 26338, foi assinado com a Amâncio Osteomontagem em 2 de dezembro daquele ano. Antes, em março de 2022, outra inexigibilidade de R$ 100 mil pagou o trabalho de um artista plástico para a "criação e confecção de escultura da girafa Pandinha".

Quantas girafas o zoológico tem hoje é informação que não está nos documentos do pregão. O que eles registram é a decisão de trazer três.

Na mesma semana, a SMMA abriu outro pregão para o zoológico: o 138/2026, de R$ 6.927.957,72, para serviços de apoio às atividades do Zoológico Municipal, do Passeio Público e do Centro de Apoio à Fauna Silvestre, com lances marcados para 23 de outubro.

Perguntas rápidas

Quanto Curitiba vai pagar para trazer as girafas? O valor estimado da licitação é R$ 757.500,00, ou R$ 252.500,00 por animal. É o preço máximo de referência; a disputa é por menor preço global e pode fechar abaixo disso.

De onde vêm as três girafas? Do Porto Belo Resort e Safari, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, a 800 quilômetros de Curitiba. Os documentos dizem que os animais foram "disponibilizadas pelo Ibama" e citam dois processos do órgão, mas não explicam o motivo.

Como as girafas vão ser transportadas? Em pé, dentro de uma caixa com teto móvel que fecha a 4 metros para passar sob viadutos e sobe até 4,80 metros, com ventilação forçada entre 20 ºC e 26 ºC, hidratação automática e câmera interna. A sedação foi descartada pelos riscos. A jornada é limitada a dez horas e 500 quilômetros por dia.

A Prefeitura tentou contratar sem licitação? Em 1º de abril, a Secretaria do Meio Ambiente publicou consulta pública para validar a "provável exclusividade técnica" da empresa Artemis – Serviços Ambientais, então para duas girafas. Nenhum contrato com a empresa foi publicado no Diário Oficial, e em outubro o serviço virou pregão aberto para três animais.

Quando sai o resultado? As propostas vão até as 8h50 de 20 de outubro e os lances começam às 9h do mesmo dia. A vencedora terá 180 dias, a partir da ordem de serviço, para concluir o transporte.

Última atualização: 9 de outubro de 2026.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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