O Festival de Curitiba já está a todo vapor. Ontem foi a primeira noite com sessões abertas e os burburinhos já colocam “(Um) ensaio sobre a cegueira” (adaptação do livro de José Saramago) como a melhor peça desta 34ª edição. Mas, como a gente sempre faz questão de repetir, quem acha que os bons espetáculos estão só na Mostra Lúcia Camargo está redondamente enganado. O Fringe, apelidado de “mostra mais democrática do festival”, reúne teatro popular e também montagens que podem competir em pé de igualdade com as produções que vão para os palcos mais consagrados do evento. E até ganham em criatividade.
Pensando nisso, o Plural montou um Miniguia do Fringe para o leitor poder aproveitar o que há de melhor na mostra que começa nesta quarta-feira (01/04). As opções vão dos clássicos ao contemporâneo em diferentes gêneros, são para adultos e crianças, em novos espaços culturais ou mesmo na rua, com ingressos pagos e também gratuitos. A seguir você confere a primeira parte das indicações, exclusiva para o teatro curitibano em cartaz.
O talento das mulheres
Nos primeiros lugares da seleção estão mulheres que são grandes exemplos da qualidade e força da arte paranaense. “Para não morrer” garantiu a Nena Inoue mais um dos grandes prêmios de sua trajetória, o Shell de Melhor Atriz em 2019. Recentemente, a artista também conquistou o Mestras e Mestres da Arte da Funarte. Por sua vez, Hiperfabulária Tropical traz para a cena Carmen Jorge - diretora, coreógrafa e pesquisadora e fundadora da PIP Pesquisa em Dança. A artista tem no currículo trabalhos em diversas cidades brasileiras, bem como na Itália e Nova Iorque.
Para não morrer
Sinopse: A partir da obra “Mulheres”, de Eduardo Galeano, o solo de Nena Inoue fala de acontecimentos verídicos de distintas épocas e lugares, com protagonismo para mulheres que deram sua vida pela liberdade e pela justiça - reduzidas pela perspectiva dominante.
Dias 07/04 e 08/04, às 20h. No Teatro Lala Schneider. Duração: 80 min. Ingressos: 80 e 40.
Dramaturgia: Francisco Mallmann. Idealização, atuação e direção: Nena Inoue. Direção de texto: Babaya. Realização: Espaço Cênico e Teatroca.
Hiperfabulária Tropical
A proposta é uma política de resistência em benefício da vida. O ponto de partida é um corpo que vaza palavras apocalípticas, ali a presença é exposta e atravessada pelo caos contemporâneo num ato radical, denuncia o violento mundo em que vivemos e revela os sintomas. O espetáculo foi concebido, adaptado e é interpretado por Carmen Jorge, a partir do texto-livro “PanAmérica”, escrito por José Agrippino de Paula em 1967.
Dias: 01/04, 02/04, 07/04 e 08/04, sempre às 16h. No Ateliê Luan Valloto (Rua Comendador Macedo - 360). Duração: 35 min. Ingressos: 30 e 15.
Realização: PIP Pesquisa em Dança.
Um diretor que surge
Adriano Petermann é uma cria de Curitiba. Do curso de Ator do Colégio Estadual do Paraná (CEP) ele foi alçado ao mundo das telenovelas e do cinema no eixo Rio-São Paulo, sem nunca sair do teatro. De volta à cidade, continua atuando, mas também se lança a um novo papel: o de diretor. As duas peças a seguir mostram um pouco da linguagem que está se tornando sua assinatura, com destaque para interpretações que fogem do naturalismo, iluminação que ganha uma dimensão criativa e narrativa forte, e trilhas que eu gostaria de salvar como playlist.
Os analfabetos
Com Guta Stresser como destaque no elenco, o espetáculo tem texto de Paula Goja inspirado na densidade psicológica de Ingmar Bergman. Um drama que confronta a vida prática com os sentimentos reprimidos de seis indivíduos, com suas incomunicabilidades nos papéis sociais que os aprisionam. Em um jogo de máscaras, o espetáculo questiona: somos capazes de nos ver além das aparências que criamos? O fato é que somos todos sentimentalmente analfabetos. Como compreender o outro, se nada sabemos de nós mesmos?
Apresentação única, dia 10/04, às 20h. No Teatro Paiol. Duração: 55 min. Ingressos: 50 e 25.
O santo
Adaptação de “O Santo Inquérito” de Dias Gomes. A fé e o poder entram em confronto em um cenário de intensas perseguições. Acompanhe a jornada de Branca Dias, uma jovem que entenderá o significado de “liberdade” ao perdê-la, por um ato de compaixão, que será interpretado de diferentes formas.
Dias 01/04, 02/04, 04/04, 05/04, 08/04 e 09/04, às 20h. No Centro Cultural Gabriela Valentina (R. XV de Novembro, 266 - Centro). Duração: 72 min. Ingressos: 50 e 25.
Montagem da Companhia Contemporânea do Fim do Mundo.
Uma companhia jovem dedicada a criar trabalhos de repertório
A Sol-te é uma companhia relativamente nova de Curitiba e que está em cartaz pela segunda vez com dois espetáculos no Festival de Curitiba. Ela surge por volta de 2020, capitaneada pelos artistas Mariana Mello e Nathan Milléo Gualda, que se conheceram no curso de artes cênicas da Unespar. O foco da dupla são trabalhos guiados pela pesquisa e inventividade, que possam ter vida longa.
Juventude
Roberto Carlos é apenas um rapaz latino-americano cheio de dúvidas, desejos e inseguranças. Nesta comédia dramática, com ares de show e manifesto, a saga desse personagem - do ensino médio até a formatura na universidade - vai para cena revelando conflitos como decisões profissionais, interação com a tecnologia, exaustão, idealização romântica e desilusões, embates com os pais, questões políticas e o futuro do planeta. A direção é de Mariana Mello, com Nathan Milléo Gualda no elenco. Indicada para público adolescente.
Dias 09/04 e 10/04, às 16h e 20h. No Espaço Fantástico das Artes (R. Trajano Reis, 41. Centro). Duração: 105 min. Gratuito.
Brio Breu
Espetáculo infantil que conta a história de Brio, que tem muito medo do escuro. E nesse escuro cabe tanta coisa que cabe até o próprio medo! Medo do desconhecido. Medo da diferença. Medo da irmã: Breu, que é como a escuridão da noite. Brio não consegue enxergar que Breu também tem muitos medos. E o medo lhes mostra que é muito mais aquilo que os une do que aquilo que os separa.
Dias 11/04 e 12/04, às 11h e 15h. No Espaço Fantástico das Artes (R. Trajano Reis, 41. Centro). Duração: 50 min. Gratuito.
Direção: Mariana Mello. Elenco: Alini Maria, Ana Paula Machado, Beth Maria, Henrique Augusto, Nathan Milléo Gualda e Pietra Silvestri.
Teatro que nasce da literatura paranaense
Três peças que saem de livros, contos e escritos de autores paranaenses para ganhar os palcos da cidade.
Pequenas mortes cotidianas
A partir de contos do livro de Paula Giannini “Pequenas mortes cotidianas”, que foi semifinalista do Prêmio Oceanos. A escritora premiadíssima ainda é atriz, diretora e dramaturga. Ela também é autora de textos como o grande sucesso nos palcos brasileiros “Casal TPM” e ocupa a cadeira nº 52 na Academia de Letras do Paraná.
Sinopse: A narrativa percorre as miudezas do dia a dia para revelar as pequenas erosões que nos transformam: perdas discretas, renascimentos íntimos e marcas que o tempo deposita de forma quase invisível. As histórias iluminam personagens à margem — crianças, idosos, animais e pessoas silenciadas — e, expondo a fragilidade, a ironia e a resistência das vidas ordinárias. O texto ganhou destaque na crítica e circulou amplamente em projetos literários: foi selecionado pelo Concurso de Tutoria da Casa das Rosas (São Paulo) e alcançou a semifinal do Prêmio Oceanos em 2018.
Dias 03/04 e 05/04, às 20h. No Auditório da FESP (Rua Dr. Faivre - 141 - Centro). Duração: 80 min. Ingressos: 30 e 15.
Direção: Amauri Ernani. Elenco: Paula Giannini, Andreza Crocetti, Amauri Ernani, Altamar Cezar, Edson Vanzo, Daniel Kellers e Larissa Moutinho. Elenco em vídeo: cães de Paula Giannini e Amauri Ernani.
Singélida
Espetáculo inspirado em contos de autores curitibanos, entre eles Luiz Felipe Leprevost. No espetáculo, Curitiba é o território, o cenário em comum. Um lugar bonito e organizado onde pessoas ainda se apaixonam distraídas num passeio pela praça. Ali, pequenas coisas acontecem ou permanecem para sempre na iminência de acontecer.
Apresentação única no dia 04/04, às 22h. No Espaço Excêntrico Mauro Zanatta (Rua Lamenha Lins, 1429). Duração: 60 min. Ingressos: 50 e 25.
Montagem da Companhia Pé no Palco.
Matemorra
Composição cênica que parte de textos de Paulo Sandrini para refletir sobre a existência humana. A obra acompanha um homem comum que, guiado pela lógica do mérito, enfrenta frustrações, solidão e a incapacidade de criar afetos. Essas tensões se acumulam na busca por uma reinvenção.
Dias 01/04 e 02/04, às 20h. No espaço Garalhufa (Rua São Francisco, 308 - 2º Andar - Centro). Duração: 90 min. Ingressos: 40 e 20.
Dramaturgia: Paulo Sandrini, com colaboração de Rafael Rodrigues. Supervisão: Lucienne Guedes. Elenco: Rafael Rodrigues.
34º Festival de Curitiba
De 30/3 até 12/4 de 2026
Ingressos gratuitos e pagos até R$85 (mais taxas administrativas), à venda no site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
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