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Você conhece Benjamin de Oliveira, um dos primeiros palhaços negros do Brasil?

Peça de teatro “Benjamin, o Rei Negro do picadeiro” presta homenagem a um artista que teve a importância apagada na cultura brasileira por muito tempo

O ator Maicon Morais interpreta Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil
O ator Maicon Morais interpreta Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil. Foto: Paula Villa Nova/Divulgação

Estrelado por Maicon Morais, o espetáculo solo “Benjamin, o Rei Negro do picadeiro” está em cartaz em Curitiba, levando ao palco a história e a arte de um dos primeiros talentos negros circenses brasileiros que também foi precursor do circo-teatro, além de questionamentos sobre racismo estrutural. Com temporada que segue até 11 de outubro, as sessões da peça são de quarta-feira a domingo, no Teatro José Maria Santos. Os ingressos são gratuitos e distribuídos 30 minutos antes das apresentações.

A montagem, da Isidoro Diniz Produções e da Cia. Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo, tem texto criado por Salloma Salomão e Victor Nóvoa e direção assinada por Cesar Almeida e Isidoro Diniz. A equipe também conta com o ator, diretor e palhaço Mauro Zanatta, que fez a preparação de clown para o ator Morais interpretar o protagonista. 

Combate ao racismo

Diniz, que iniciou sua carreira no teatro há 47 anos, é um dos nomes mais atuantes na defesa da cultura afro-brasileira no Paraná. Nesta produção, ele conta que também são homenageados outros artistas, humoristas e escritores negros, como Grande Otelo, Tião Macalé, Mussum, Machado de Assis, Clóvis Moura e Carolina Maria de Jesus.

“Mais do que uma biografia, o espetáculo estabelece um forte paralelo entre o passado e o presente. Infelizmente, ainda é necessário falar sobre o racismo, pois persiste em nossa sociedade a falta de valorização e de reconhecimento dos talentos pretos.” Isidoro Diniz

A história de Benjamin de Oliveira

Um dos filhos de um capitão do mato e de uma escrava considerada de “estimação”, Benjamin de Oliveira ganhou a alforria ao nascer, em 1870, na cidade de Pará de Minas-MG. Aos 12 anos, fugiu com um circo que passava pela região para poder iniciar sua trajetória artística. No primeiro circo em que trabalhou, era espancado pelo dono e também fugiu. Ainda precisou fugir de um grupo de ciganos e de um fazendeiro que mentia ser seu dono para poder seguir na vida e na arte. Ele foi palhaço, acrobata, músico, ator e diretor. 

Foi depois de passar por vários circos que a palhaçaria o encontrou. Teve que substituir o palhaço principal do espetáculo, que estava acamado. Trocou de circo ainda várias vezes até ingressar para a trupe do Circo do Comendador Caçamba. Ficou famoso e até Floriano Peixoto foi assistir seu espetáculo lá. Em seguida, o então presidente ajudou o artista autorizando e oferecendo transporte militar para a transferência do Caçamba para a Praça da República, um local de status, na frente do Palácio do Itamaraty.

Ele também escreveu peças de sucesso, entre as quais “O Diabo e o Chico”, “Vingança Operária”, “Matutos na Cidade” e “A Noiva do Sargento”, sendo pioneiro em levar ao picadeiro encenações teatrais estruturadas. Cantava e tocava no violão lundus, chulas e modinhas durante os entreatos. Saiu de cena como muitos artistas: faleceu sofrendo muitas dificuldades financeiras, aos 83 anos, no Rio de Janeiro.

“Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro” é realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba. O projeto também presta uma homenagem póstuma ao ator, diretor e produtor Maurício Vogue, falecido no ano passado.

Teatro: “Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro”

Até 11 de outubro, quarta a sexta-feira, às 20h, sábados, às 17h e às 20h, domingos, às 11h e às 18h, no Teatro José Maria Santos (R. Treze de Maio, 655. São Francisco, Curitiba).
Sessões exclusivas para escolas: 2, 7, 8 e 9 de outubro. Interessados devem fazer o agendamento pelo WhatsApp: (41) 99235-4389.
Ingressos: Gratuitos, distribuídos 30 minutos antes do início do espetáculo, na bilheteria do teatro.
Acessibilidade: Todas as sessões contarão com intérpretes de Libras.

Outras informações em https://www.instagram.com/isidorodinizproducoes/.

Ficha técnica

Ator: Maicon Morais
Direção: Isidoro Diniz e Cesar Almeida
Dramaturgia e pesquisa: Salloma Salomão e Victor Nóvoa
Trilha sonora original: Cesar Almeida
Preparação de clown: Mauro Zanatta
Direção de arte e figurinos: Paula Villa Nova
Cenário: Guenia Lemos e Vilson Kurz
Iluminação: Lucas Amado
Operação de luz: Alefer Soares
Operação de som: Cesar Almeida
Produção: Bia Reiner
Coordenação: Carlos Roberto Barbosa
Realização: Cia. Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo e Isidoro Diniz Produções
Intérprete de Libras: Elaine Moreira

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Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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Assuntos: Teatro cultura

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