Em cartaz na Mostra Fringe do 34º Festival de Curitiba, a comédia dramática “Visita a Domicílio” fala sobre Gabo (Juan Tellategui) e Fernando (Cícero de Andrade), que viveram um amor interrompido na adolescência em Buenos Aires e, 25 anos depois, podem acertar as contas com o passado. O texto inédito do argentino Alberto Romero é estrelado pelo ator argentino Juan Tellategui e pelo brasileiro Cícero de Andrade, com direção do artista Zé Guilherme Bueno e do jornalista Miguel Arcanjo Prado. As sessões são de terça-feira a quinta (7 a 9 de abril), às 18h30, no Teatro Paiol
Bueno, que também está em cartaz no Festival com o espetáculo “Perda Maior”, falou à reportagem sobre a montagem que segue para temporada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, após as duas sessões na capital do Paraná. Confira a seguir.
“Visita a domicílio” marca sua estreia como diretor de teatro no Festival de Curitiba?
Sim, mas é a minha quarta participação no Festival de Curitiba. Eu estive aqui em edições anteriores como ator em espetáculos dirigidos por Gabriel Vilela e Kleber Montanheiro.
E agora retorno em um momento muito especial. Estou celebrando dez anos de carreira no teatro com participação dupla no maior evento de artes cênicas da América Latina: como ator, no elenco de “Perda Maior”, com dramaturgia de Patrícia Vilela e direção de Elias Andreato; e, em “Visita Domicílio”, na codireção e encenação - ao lado de Miguel Arcanjo.
É confortável passar para os bastidores?
Está sendo uma surpresa e um grande desafio. A cada “re-visita” ao texto de Alberto Romero durante o processo, eu descobri novas camadas, algo natural na criação, mas aqui acontecia de forma especialmente intensa. O texto trabalha com polaridades muito fortes, transitando entre extremos com bastante potência. Um dos principais desafios da encenação foi justamente encontrar o equilíbrio entre esses polos, sem perder a unidade da narrativa. Foi um processo muito instigante, exigiu uma escuta fina e um trabalho cuidadoso de linguagem. No fim, acabou sendo um desafio muito prazeroso, que ampliou bastante o meu olhar sobre a obra.
Por que, entre mais de 300 peças na programação do Festival de Curitiba, o público deve assistir a “Visita a Domicílio”?
A peça fala sobre como conflitos e histórias mal resolvidas podem atravessar o tempo e continuar agindo na vida das pessoas. São situações que, por não terem sido elaboradas ou encerradas, acabam influenciando escolhas, relações e caminhos, muitas vezes desviando completamente o curso de uma vida.
No palco, o que se vê é uma história que carrega a força da intimidade, um conto que poderia acontecer bem diante dos nossos olhos, na janela da frente do próprio prédio, conduzido por reviravoltas. A plateia irá se surpreender até o desfecho, que faz a gente engolir seco e permanecer em reflexão.
Então, o espetáculo também é um convite para cada olhar para esses atravessamento, para aquilo que fica em aberto, e a pensar sobre o impacto silencioso que essas questões podem ter ao longo do tempo.
“Visita a domicílio”
Dias: 7 a 09/04/2026
Horário: 18h30
Local: Teatro Paiol (R. Cel. Zacarias, 51 – Prado Velho)
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).
"Perda Maior"
Dias: 8 e 9 de abril
Horário: 20h
Local: Teatro Paulo Autran, no Shopping Novo Batel
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).
34º Festival de Curitiba
De 30/3 até 12/4 de 2026
Ingressos gratuitos e pagos até R$85 (mais taxas administrativas), à venda no site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
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