O lançamento de "Moeda de troca”, novo romance de Lucas Mota e o segundo do escritor publicado pela Rocco, é nesta sexta-feira (9), às 19h, na Livraria Curitiba do Shopping Palladium. No evento, estará presente o autor, que venceu o prêmio Jabuti de 2022 com “Olhos de pixel” e anteriormente escreveu “Boas meninas não fazem perguntas”, “Todos os mentirosos” e contos para algumas coletâneas. A programação tem sessão de autógrafos e fotos, além de um bate-papo mediado pela repórter do Plural Luciana Melo.
O livro é uma fantasia urbana brasileira com temática social, em que uma revolução surge das ruas liderada por um morador de comunidade, pai de uma menina. Na história, o Ox (metal que serve tanto como moeda quanto fonte de magia) está nas mãos da elite, geração após geração ele é controlado pelas mesmas famílias poderosas. A ficção politizada questiona o direito ao poder e traz em primeiro plano muita ação, referências da cultura pop e do cinema.
Ao Plural, ele falou sobre o enredo e por que acredita que “um herói só pode vir de baixo". Também contou detalhes da obra, a novidade em sua escrita que está impressa no texto e falou sobre a grande inspiração para o personagem principal do livro. A seguir, confira a entrevista de Lucas Mota, concedida para a repórter Luciana Melo, sobre "Moeda de troca”.
Quando você escreveu “Moeda de Troca"? No fim de 2022, você comentou que já tinha cinco livros prontos, esperando publicação, e que alguns eram utopias, ao invés de distopias, outros flertavam com a literatura fantástica latino-americana. O que o leitor encontrará disso nas páginas do lançamento de agora?
Escrevi no final de 2021. Sim, ele é um dos cinco livros que já estavam prontos. “Moeda de troca” é uma fantasia urbana, super ágil e cheia de ação. Minha utopia e meu projeto de literatura latino-americana ainda virão em outras ocasiões.
Mesmo considerando que foram poucos anos de 2021 até hoje, estávamos no meio da pandemia e muita coisa mudou. A obra não ficou datada?
Infelizmente não. Aliás, como eu quase sempre escrevo sobre problemas crônicos do nosso mundo, adoraria que meus livros ficassem datados. Seria bom para todos nós.
Uma Curitiba cyberpunk é o cenário da história de “Olhos de pixel”, seu livro que ganhou o Prêmio Jabuti na categoria romance de entretenimento e foi finalista dos prêmios Argos, Leblanc e Odisseia de Literatura Fantástica. O novo romance se passa na mesma cidade?
Não. Dessa vez eu escolhi uma cidade não nomeada, porém fortemente inspirada em São Paulo.
No livro premiado, a protagonista é "Nina Santteles", uma queer. Quem é seu novo protagonista e qual o motivo da escolha?
Meu novo protagonista é Rato, um motoboy que trabalha como entregador de aplicativo precarizado. Ele é livremente inspirado no Galo, líder dos entregadores antifascistas, conhecido por seu envolvimento político, alta capacidade de articulação e muito carisma. Me atrai muito essa ideia de um revolucionário que vem de baixo, que luta para sobreviver todos os dias e mesmo assim encontra uma forma de organizar sua luta com os seus, transformando uma demanda individual em um ato coletivo.
Em cima disso tudo, eu acredito apenas em heróis que sonham sinceramente com a mudança das coisas. Por isso, um herói só pode vir de baixo. Quem está em cima tem muito a perder com as mudanças.
No enredo, existem referências da cultura pop e pistas (ou homenagens) a obras e autores que você admira. Pode revelar algum spoiler sobre isso?
Tem uma personagem do livro que é inspirada em duas autoras brasileiras que eu admiro muito, e são de extrema importância para a nossa literatura. Vou deixar os leitores descobrirem sozinhos de quem se trata (risos). Além disso, o livro é recheado de referências ao cinema, então os cinéfilos vão ter várias surpresas ao longo da leitura.
As duas obras publicadas pela Rocco são de literatura fantástica, entretanto, você apresenta críticas sociais nos livros. Como acontece esse entrelaçamento?
Pra mim não existe separação entre as duas coisas. Por mais que eu crie universos fantásticos e goste de explorar cenários diferentes do mundo real, se eu não puder falar sobre a nossa realidade, ainda que em forma de metáfora, não vejo muito sentido em escrever coisa nenhuma. A literatura fantástica é, pra mim, uma oportunidade de explorar o extraordinário sem nunca fechar os olhos para o real, que nos aflige todos os dias.
O que há de mais diferente entre o lançamento e suas publicações anteriores? Vai curtir “Moeda de troca" quem já leu e gostou de qual outra obra que você escreveu?
A diferença está na narração e na prosa. Eu criei um narrador cheio de personalidade, que às vezes perde um pouco a paciência e acaba falando coisas engraçadas. Este narrador não é um personagem, é apenas um narrador para o qual eu decidi imprimir uma personalidade única. Na minha escrita, isso é novidade. Agora em termos de sentimento, ritmo e ideias, o livro conversa muito com minhas outras obras, especialmente com “Olhos de Pixel”.
O novo livro conversa com um público novo ou amplia o público que já lê Lucas Mota?
“Moeda de troca” conversa muito com o que já lancei até hoje, eu costumo até brincar dizendo que ele é uma espécie de ‘sucessor espiritual’ de “Olhos de Pixel”.
Lançamento do livro "Moeda de troca", de Lucas Mota
Data: 09/05/2024 (sexta-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria Curitiba – Shopping Palladium (Av. Presidente Kennedy, 4121)
Atividades: Bate-papo com os leitores, sessão de autógrafos e fotos.
Preço de capa R$ 69,90, com brindes exclusivos no evento (marca-páginas e card especial). Editora Rocco, 256 páginas.
