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Última semana do Festival de Curitiba: corre que ainda tem ingresso para espetáculos da Mostra Lúcia Camargo

“Sidarta” ganhou uma sessão extra e apenas outras 5 peças não estão esgotadas. Saiba quais são a seguir

Cena do espetáculo "Sidarta"
"Sidarta", espetáculo inspirado no livro homônimo de Hermann Hesse, tem sessão extra no Festival de Curitiba. (Foto: Claudio Pitanga e Marcela Casarin/Divulgação.)
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Quem não conseguiu um lugar na plateia das peças do Festival de Curitiba que esgotaram rapidamente fica na expectativa: será que vai ter sessão extra? A boa notícia é que “Sidarta” terá mais uma apresentação na sexta-feira (10), às 16h (os ingressos já estão à venda no site oficial do evento e na bilheteria física). Agora, se der bobeira, fica sem. A montagem – livremente inspirada no livro homônimo do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Hermann Hesse – está em cartaz no Teatro Zé Maria, que não é grande.

Além dela, outras cinco peças da Mostra Lúcia Camargo ainda não esgotaram. São “Édipo REC”, “Dois papas”, “Pai contra mãe ou você está me ouvindo?”, “{Fé}sta” e “Veias Abertas 60 30 15 Seg”. Leia um pouco mais sobre cada uma delas a seguir.

“Édipo REC”

Uma tragédia à la Magiluth - para quem quer conhecer um dos melhores grupos do teatro contemporâneo brasileiro.

O Magiluth comemora 20 anos em atividade com sua montagem de “Édipo REC”, sob a direção de Lubi (Luiz Fernando Marques), parceiro frequente da companhia. Com festa, teatro imersivo, cinema (inspirado em obra de Pasolini), comédia e tragédia, o espetáculo leva ao palco, a partir do texto clássico de Sófocles “Édipo Rei”, a potência e o experimentalismo que são assinaturas do grupo do Recife-PE. Com certeza, o público terá mais uma dose de arte contemporânea concentrada na veia enquanto a trupe prova que experimentalismo, talento e qualidade podem conviver num perfeito trisal.

Para quem ainda não se convenceu de que a peça é uma boa aposta, vale conferir o nome do diretor na lista de indicados ao 36º Prêmio Shell. Lubi concorre na categoria Melhor Direção por “Um Clássico: Matou a Família e Foi ao Cinema” - que esteve em cartaz no Fringe em 2025. O resultado da premiação será divulgado em breve.

Enredo: Tudo começa com a alegria de um reino que vive seu momento de renascimento, marcado pelo exagero, com a produção excessiva de imagens, tanto de câmeras de segurança quanto de celulares para redes sociais. Por isso, o Corifeu é a câmera. Durante momentos de descontração, pequenas tragédias podem acontecer e alguém pode estar gravando. Então talvez seja melhor não investigar e seguir vivendo, afinal, quanto tempo dura uma tragédia? Num jogo cruzado entre tempo e espaço, Tebas transforma-se em uma Recife fantasmagórica e presentificada onde Édipo tem esperança de fugir do próprio destino.

Nos dias 8 e 9 de abril, às 20h30, na Ópera de Arame.

Classificação indicativa 18+

“Dois papas”

Primeira montagem brasileira do texto de Anthony McCarten, autor do livro que deu origem à peça e do roteiro do filme indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA.

Enredo: O cardeal Jorge Bergoglio planeja pedir aposentadoria, motivado por divergências com o Papa Bento XVI. Ao mesmo tempo, Bento XVI avalia renunciar ao papado em meio a pressões crescentes, tornando Bergoglio um sucessor improvável. Em um encontro reservado, visões de mundo se chocam, segredos vêm à tona e ambos precisam atravessar suas diferenças para tomar decisões que podem transformar o futuro da Igreja e de suas próprias vidas.

6 e 7 de abril, às 20h30, no Guairão.

Classificação indicativa 14+

“Pai contra mãe ou você está me ouvindo?”

Literatura e teatro desmascarando o racismo estrutural no Brasil.

A adaptação do Coletivo Negro para o palco de um dos contos mais contundentes de Machado de Assis, senão o mais contundente, garantiu ao grupo indicações aos maiores prêmios do teatro brasileiro. Pela montagem, Jé Oliveira concorreu na categoria de melhor direção no APCA 2025 e está disputando o Shell, ao lado de Lubi.

O espetáculo reflete sobre racismo estrutural, em diálogo com as desigualdades raciais do Brasil contemporâneo.

Enredo: Um narrador negro nos conta a história de Zaíra da Conceição, mulher, negra, retinta, grávida, e de Osvaldo, homem, negro, que acabou de se tornar pai. Ela está desempregada e ele acabou de conseguir emprego em uma rede de varejo. As histórias dos personagens se cruzam em meio às desigualdades e à herança escravocrata brasileira que ainda ecoa nos dias de hoje.

7 e 8 de abril, às 20h30, no Teatro do Sesc da Esquina.

Classificação indicativa 16+

{Fé}sta

Espetáculo do Coletivo Prot{agô}nistas que leva ao palco circo, dança e música para celebrar a experiência humana.

Após o sucesso de 2024, o grupo paulistano de circo formado por 27 artistas negros retorna ao Festival com montagem dirigida por Ricardo Rodrigues. Em {Fé}sta, o palco se transforma em picadeiro para colocar em foco cultura negra, dança, música e teatro, enquanto o circo negro se torna território de memória e reinvenção, com poesia e humor.

Enredo: O espetáculo faz do picadeiro um ritual traçado por quatro pontos inerentes à condição humana: morte, nascimento, união e fé. Entre acrobacias, dança e música, é celebrado o ciclo da vida e a força que transita entre mundos.

8 e 9 de abril, às 20h30, no Teatro Guairinha.

Classificação indicativa livre

Veias Abertas 60 30 15 Seg

Inspirado em “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, o espetáculo tem narrativa ágil, com dança e cenas de no máximo um minuto.

A partir do livro que é um marco do pensamento progressista, a peça da companhia Aquela Cia em parceria com o grupo Corpo Rastreado tem direção de Marco André Nunes. Os textos são de Pedro Kosovski e Carolina Lavigne, e um dos integrantes do elenco - Rafael Bacelar - foi indicado ao Prêmio APCA de Melhor Ator pelo trabalho.

Enredo: Um funcionário da United Fruit Company, multinacional norte-americana que mandou e desmandou nas repúblicas do Caribe durante todo o século 20, se apaixona por um militar. No dia do casamento, no entanto, o exército colombiano promove o Massacre das Bananeiras, para pôr fim a uma greve dos trabalhadores da companhia. Assim, os dois ficam em lados opostos do conflito.

10 e 11 de abril, às 20h30, no Sesc da Esquina.

Classificação indicativa 16+

34º Festival de Curitiba

De 30/3 até 12/4 de 2026

Ingressos gratuitos e pagos até R$85  (mais taxas administrativas), à venda no site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo. Confira também todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras. Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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