Rubia nasceu com o sobrenome Divino. Quem a vê nos palcos, até entende que ela conversa, de alguma forma, com o que é sagrado. Criada em Irajá, no Rio, teve na presença do pai, pastor evangélico, uma grande referência: foi ele que, além de mostrar o que era oratória e presença, também a brindou, ainda menina, com as referências de Negro Spiritual.
De mãos dadas com este pai, a menina correu pelas ruas do centro do Rio, à procura de CDs de Mahalia Jackson, Aretha Franklin e Take 6. Também criança, teve que lidar com a morte deste homem em que se espelhava. Fato que a deixou quase um ano sem falar. Ainda na igreja, encontrou na música a saída para curar traumas. Vale lembrar que, na vida dela, referências não faltaram: a luta das mulheres pretas de sua família, a quem ela carinhosamente chama de “ganhadeiras", também forneceu um olhar atento e afiado sobre política, direitos humanos e negritude.
Ainda jovem, se envolveu com o movimento estudantil. Estudou administração, mas aquilo não era pra ela. Carregou nas mãos, e no peito, a autora Neusa Santos, com o título Tornar-se Negro. “Foi o meu Afrossurto", afirma.

Já vivendo no norte do Paraná, cantava na noite escondida da família e dos colegas da igreja. Durou pouco, logo teria shows anunciados nos jornais do interior. Ficou grande demais para aquilo, mudou-se para Curitiba em 2018, “com uma mão na frente e outra atrás", diz aos risos.
Poucos anos depois, próspera, com um feat recém lançado com Luedji Luna, um dos nomes mais celebrados da música contemporânea brasileira, Rubia prepara agora, o lançamento do álbum Liberdade, que deve sair em outubro, com sonoridades que falam sobre amor, conscientização social, conjuntura política e principalmente, ascensão.
Para ela, sua mistura rítmica acontece “porque tudo é música preta". E assim o faz entre embalos de afrobeat ou psicodelia e rock and roll, para além de tudo que a cerca, ela diz que não vai vibrar no lugar de escassez. “Nesse novo disco, eu quero falar sobre o tempo presente. Eu quero falar sobre a imagética negra como território". Sim, ela quis ser e é exemplo, espelho de muitas e muitos.
A gente sabe do esforço para o apagamento das histórias, principalmente num país colonial. Mas você sabe que a sua família é uma linhagem de sacerdotes do Congo e que foi para Minas Gerais. Como você descobriu isso?
Eu vou cada vez mais pesquisando. Eu falei sobre isso com a minha terapeuta e ela falou para eu resgatar esta e outras histórias, porque eu tenho algumas lacunas de vida, principalmente depois da morte do meu pai, quando eu tinha oito anos. Foi um trauma e a forma como a minha irmã lidou com esse luto, foi uma forma totalmente diferente de mim, ela soube fazer uma escolha para não se travar. E eu fui uma criança travada, que ficou quase um ano sem falar depois desta morte. A música me resgatou desse lugar. E aí, voltando lá no gancho da terapeuta, ela falou “você tem que resgatar esse lugar”, por isso pesquiso. Desde os 8 anos, já tive que correr com a minha mãe pra trabalhar junto com ela, pra fazer o corre. E aí você coloca uma criança capricorniana, com 9 anos de idade, com responsabilidades, para trabalhar: ela vai entregar tudo e é uma coisa que eu prezo muito até hoje. Então, eu precisei fazer esse resgate do que sou eu antes desse lugar de luto. E procurando e pesquisando, eu vi que o “Divino” vem de uma de uma linhagem do Congo, fazendo um mosaico desse histórico a partir da oralidade. Conversei muito com a minha mãe, conversei muito com minhas tias, avós e tios avós.

E como foi essa sua criação?
Eu fui criada dentro do matriarcado de mulheres pretas. Costumo até falar pra minha irmã gêmea, “cara, a nossa família é uma família de ganhadeiras, né?", porque é uma família que se estrutura a partir do trabalho das mãos de mulheres negras. São elas que fazem toda essa “matrigestão” de vida, de cotidiano, da organização da casa e de como se portar fora de casa, porque tem isso também, né? Fui construída nesse lugar de “dentro de casa, você pode ser o que você quiser, mas fora daqui, você tem que ter uma cartilha pra você ser uma pessoa pretas”. Eu acho que eu segui essa cartilha por muito tempo. E quando eu comecei a questionar essa cartilha, foi quando eu me encontrei com os movimentos estudantis, com os movimentos progressistas, com o movimento negro, quando eu realmente li Tornar-se Negro, da Neusa Santos, e me deu o Afrosurto, que a gente costuma chamar, que é um livro que fala justamente dessas nuances de como a sociedade lê pessoas negras e como essa sociedade se movimenta como um indivíduo e com micro-agressões. Hoje, a gente tem um conceito sobre burnout racial, porque se a gente for ver isso partindo do lugar corporativo, pessoas pretas no lugar corporativo, sofrem violência diariamente. Eu falo porque eu sou administradora, me formei em administração e trabalhei no Estado e também na iniciativa privada e é um negócio meio complexo. Eu parei pra pensar que me formei para aquilo, mas será que aquela era realmente a única escolha que eu tinha? E aí a música, nesse lugar todo, ela vai perpassando, ela vai fazendo uma linha ali do tempo, porque ela já tem uma historicidade ali na infância , na criação que meu pai me deu.
Eu vou voltar um pouquinho antes da música pra entender como é que uma carioca da Gema, criada em Irajá, veio parar no Paraná.
Vou falar, não vou te mentir, que eu não queria não. Na época, eu ia completar 18 anos e falei pra minha mãe, “me deixa aqui. Eu estudo, vou fazer faculdade aqui, vou me estruturar". E minha avó estava muito doente e minha mãe já estava cansada do Rio, porque ela trabalhava muito, de diversas formas, desde diarista, salgadeira, até a fornecer salgados para instituições, escolas, a fazer comida pras pessoas. Eu lembro que nessa época, a mudança foi caótica, porque minha avó já estava com demência e foi muito difícil fazer a mudança com ela.
Mas ela veio pra cá por quê?
Porque minha mãe era de Paranavaí, nascida e criada. E conheceu o meu pai, que era carioca, casou e foi viver no Rio. Aí no final, em 2007, viemos todos para o Paraná. Cheguei e chorei durante três meses. Eu lembro que ainda tinha locadora e eu maratonava, ficava vendo vídeo e chorando. Foi difícil interagir com a cultura da cidade, porque era um movimento completamente diferente. Você sai de uma capital, o Rio de Janeiro, e acontece essa ruptura. Caí em Paranavaí e demorei a me adaptar. Melhorou quando conheci a Orquestra de Sopros. Aí eu também comecei a cantar em alguns bares, cantava na noite. E cantava escondida.

Escondida em Paranavaí?
Então, eu cantava! (risos) A gente tinha um lar evangélico e a minha mãe tinha a bolha dela da igreja, ninguém ia pra essas coisas de bar, da noite. Eram bares que a galera da igreja não frequentava. A minha mãe ficou muito surpresa quando saiu uma foto minha no caderno de cultura da cidade, bem gigante, anunciando o show que faria com a Orquestra de Sopros. E foi o caos, porque o pastor da igreja também descobriu e eu fui chamada pro gabinete dessa liderança que me colocou pressão para escolher um mundo.
Mas ao mesmo tempo é curioso, porque a música entrou na sua vida através da igreja. E você carrega religiosidade no seu som, né?
É, eu acho que a música é espiritual num lugar exponencial, porque ela alcança e ela vai ser manifestada independente da crença que você professe. Ela tem um lugar muito rico de abarcar vivências e culturas e pessoas e alcançar um estado máximo de conexão que você vai ter entre o Ayê e o Orum, entre o céu e a terra. Você consegue perceber quando você está num estado elevado, quando você tá num estado espiritual, de vida, de comunhão, de conexão. E eu acho que esse caminho, quando eu falo dessa linhagem de sacerdotes, eu entendo que é um lugar de liderança também. É um lugar de você manifestar e de você trazer a consciência do que as pessoas precisam e não precisam ouvir. Eu costumo dizer que esse lugar espiritual da música negra, faz com que a gente manifeste as coisas que a gente não tem nem consciência e quando a gente vai revisitando esses lugares e construindo e reconstruindo eles, alocando ele nas caixas e no lugar certo, você vê que já falava sobre aquilo sem conseguir dar nomes. Por exemplo, eu demorei muito para me entender como produtora cultural. Eu faço isso desde os meus 20 anos de idade. Eu produzo show, eu organizo a coisa, faço a escolha dessas pessoas que vão estar comigo, que vão executar isso comigo. E eu vejo que meu pai era uma pessoa de uma oratória muito bonita, Acho que também, a questão dele ser uma liderança religiosa também fortaleceu esse lugar.
Seu pai era pastor e eu sei que ele e a sua avó foram grandes influenciadores da sua música, certo?
Sim, porque foram as pessoas que eu mais convivi. Eu morei com a minha avó Severina, que é a avó carioca. Eu acho fantástico: meu pai faleceu, eu era muito nova, mas ainda assim, eu guardei uma memória musical e afetiva grande. A gente tinha uma conexão forte para além da paternidade, da relação pai e filha, - tinha esse fio da música que nos unia. A gente dançava descalço em casa, minha mãe ficava de cara. Ele tinha toda uma questão religiosa, mas a gente ouvia música secular dentro de casa. Ele me apresentou muitos artistas brasileiros, ele me apresentou muitos artistas instrumentais norte-americanos, porque além de tudo, ele era missionário e recebia muitos intercambistas em casa, da galera que vinha fazer missões de outros lugares do mundo. Ele falava inglês fluente com a gente. Toda essa referência de comunicação, de lidar com as pessoas, de oratória, de música, vem do meu pai. A minha mãe, fazia o trabalho de bastidores disso tudo: a criança está alimentada, está vestida, está arrumada, está com os deveres prontos? E meu pai era a pessoa que levava a gente para os lugares. Eu amava ir com ele para o centro do Rio, para comprar CDs e livros. Ele era teólogo, estudava muito e ouvia muita música “Negro Spiritual”. A gente tinha um CD duplo da Mahalia Jackson. Era ela e a Aretha Franklin, uma galera muito próxima de discurso, de gerações, porque o protestantismo lá fora, foi construído de uma forma completamente diferente de como foi construído aqui. A gente também ouvia muito Take 6, porque ele tinha esse cuidado de trazer muita referência preta.

Até porque os grandes nomes da música negra saíram de dentro da igreja, né?
Sim, sim! Não existe uma coisa sem a outra, né? Eu acho que é isso: a igreja, com todas as suas questões, é um lugar que investe muito na música, no estudo, na profissionalização dessas pessoas que estão dispostas. É um lugar de investimento. A gente vê que eu, hoje, como artista independente, se eu estivesse dentro de uma igreja, eu estaria tendo muito mais investimento do que eu, aqui fora, como artista independente, dentro de um meio global de música.
Esse fio condutor da espiritualidade, foi sendo reformulado conforme a trajetória e aí que eu falo que existem essas encruzilhadas. São muitas encruzilhadas que a gente vai conseguir chegar no mesmo lugar, que é comunicar através do espiritual. Vai perpassar esse lugar e aí é um lugar que a gente vai provocar, se encontrar, se acolher e acolher o outro. A música, para mim, vem muito do me entender como gente, de conseguir nomear as coisas e dizê-las. Se não fosse a música, eu não conseguiria.

Como você começou na igreja, com a música? Foi através da voz?
Foi através da voz, mas eu não cantava bem, não.
Não? Quando você achou que você cantava bem?
Até hoje eu não acho que eu canto bem. Eu nunca fui aquela criança, “meu Deus, era um prodígio da música", ou “nossa, essa menina tem o futuro”. Não! Eu acho que eu quis muito isso. E eu entendi que era um caminho para eu dizer e conseguir verbalizar. Eu falei, “ah, vou me empenhar nisso aqui. Vou estudar". Então, eu entrei no conservatório e fiz aula de canto. Tinha canto coral na escola, tinha canto coral na igreja. Tinha aula de instrumentação, de preparação vocal. Quando eu falo desse lugar de investimento, esse lugar foi extremamente fundamental para eu conseguir construir essa voz que as pessoas conhecem hoje. Mas eu costumo dizer que a minha voz é uma voz construída. Eu tinha o dom, mas eu tive que desenvolver isso. E é incrível, mas eu percebo que eu tive que construir.
Seu som é muito diverso, tem forró, maracatu, afrobeat. Essa mescla de vários ritmos, transmite um pouco da sua inquietação enquanto artista. Por que essa necessidade de constante mudança e também de fazer essa viagem entre o passado e o futuro?
Cara, não é a primeira vez que eu recebo essa pergunta. Eu lembro que eu fui entrevistada e me perguntaram porque tem a psicodelia e o tem o rock aí no meio disso tudo também. A resposta é: porque tudo isso é música preta! E eu acho que isso não me torna uma artista que não tem coerência. Eu acho que me torna justamente essa artista que as pessoas já identificaram e que, tipo, vem surpresa.
Por exemplo, já dando spoiler aqui sobre o próximo disco. Ele vai vir com uma acidez sonora que vai misturar tanto essa psicodelia, quanto o dub, com efeitos, com misturas rítmicas, com hip hop e com a MPB, a música africana, o afropop. Tem toda uma linhagem que já vem construindo essa bagagem sonora. A sonoridade deste disco é de sons de liberdade. Porque todas essas sonoridades vão falar sobre amor, sobre conscientização social, sobre a conjuntura política, mas principalmente, falando do lugar de ascensão.
Esse próximo disco quer justamente fazer uma caminhada de encruzilhada sonora, porque vai se perceber várias influências, num passeio sonoro para falar sobre os sons da negritude, que sempre tiveram a serviço político e também a serviço de humanidade, de colocar realmente a gente no lugar: a gente é gente, a gente respira, a gente vive, a gente tem as nossas demandas, nossas vulnerabilidades e a gente precisa ser visto. E para além de tudo isso que me cerca, que me rodeia e muitas vezes me atinge, ainda assim eu vou falar sobre prosperidade, porque eu não vou continuar vibrando no lugar de escassez.

Seu corpo é político, o seu som é político e a música para você não se difere da política? E é um tipo de som que também fala dessa legitimação e de vibrar essa prosperidade na luta das mulheres negras. Talvez por ter vindo dessa família matriarcal?
Sim, eu tenho isso, não tenho como negar, porque é o que me compõe, o que me constitui como gente, é um espelho. Mas aí, por exemplo, nesse disco, eu vou falar sobre sistema imunológico cultural, que é um conceito africano, também falado por Katiúscia Ribeiro e também é falado por vários outros pensadores, que é o sistema imunológico cultural da cultura negra. Aí, a gente entra no que realmente nos alimenta e nos retroalimenta para que a gente continue falando da mesma coisa, de formas diferentes, abrindo sempre brechas e virando chaves. Se a gente vai falar de presente, passado e futuro, vai falar sobre espiral de tempo, abrindo portais. E nesse disco eu trago mais para a presença, eu quero falar sobre o tempo presente e eu quero falar sobre a imagética negra como território. Porque se meu corpo é território e é visto por uma pessoa parecida comigo, ele tem que ser próspero, abundante, já que a imagética da sociedade onde estou inserida, vê essa imagem como uma imagem que quer, na verdade, reproduzir a escassez e a violência. Mas, como eu falei que a imagética é território, como é que você vai construir território com essa imagem? Não vai ser um território construído para pessoas negras, vai ser um território construído para a sociedade, para a branquitude entender que eu posso ir até ali.
A gente se torna, a gente começa a se investigar a partir da imagem. E eu tenho uma conexão com a imagem desde muito sempre. Meu pai era uma pessoa que amava tirar foto, que amava gravar vídeos desses encontros, em Xerém, no Rio de Janeiro, em Caxias, na casa da minha tia, com as minhas primas, com os meus tios avós. A imagem sempre nos acompanhou, e era uma imagem de sorriso, de prosperidade. E eu sentia que aquilo que estava me cercando, não só a minha família, mas tudo aquilo que estava sendo construído a partir dos meus olhos, numa comunidade majoritariamente periférica e negra, dizia muito sobre mim.
Se a gente for falar de prosperidade, as pessoas geralmente falam de dinheiro. Mas nossa prosperidade é algo muito profundo, algo que também é muito subjetivo.
Isso de nós, artistas fora do eixo, termos que estar transitando sempre em São Paulo ou Rio, saindo do lugar onde a gente vive. Como é que você enxerga isso e como você vê o futuro da arte aqui em Curitiba, tem prosperidade?
Eu vim para Curitiba, porque eu já tinha feito muitas coisas em Maringá e Londrina, e já eram pequenas para mim. Foi uma questão de estar incomodada de fazer mais do mesmo, de me comunicar basicamente com as mesmas pessoas. Então, isso me gerou uma inquietação de sair, mas eu tive essa confirmação quando a mãe Gloria de Abê jogou para mim os búzios e eu perguntei para ela para onde que eu iria, e ela falou que era Curitiba. Eu falei “ah não, eu não quero passar frio” (risos). E eu vim para cá com 700 reais em 2018, com uma mão na frente e outra atrás. Fui morar num hostel. Falei, “tem que ter um lugar para eu tomar um banho, para eu descansar". Fiquei lá por uns meses. Morei no Centro, no Bacacheri, no Santa Cândida. Mas, assim, essa coisa do trânsito de São Paulo, São Paulo foi uma cidade que eu desejei muito estar. Mas aí eu entendi que não, que eu posso estar lá, mas eu posso estar aqui. São seis horas de viagem, aqui o custo de vida é mais acessível. Eu já sou uma pessoa que trabalha muito, eu sou a pessoa do trabalho, eu sou a pessoa que tem tesão no que está fazendo e não só para mim, mas quando eu falo dessa questão de ser espelho e de comunidade e de sistema imunológico cultural, é porque estou me alimentando e alimentando várias outras pessoas através da minha arte. E fazer isso aqui é muito mais tranquilo. O tempo em São Paulo gira completamente diferente do tempo em Curitiba, ia me sugar e eu tenho esse cuidado de ir até onde eu consigo.
Agora, falando do feat com a Luedji Luna, queria saber qual foi a estratégia, porque os feats, hoje em dia, vêm como uma estratégia de marketing também. Como é que foi a escolha da Luedji?
Pô, Luedji Luna, uma artista pé no chão, geminiana e muito generosa. Foi um presente, assim, porque eu sou caruda, né? Acho que a maioria dos meus feats, eu perguntei, “vamos fazer um feat?", simples assim. Eu acompanho ela já há um bom tempo, e desde o primeiro disco dela, que é O Corpo no Mundo, eu venho acompanhando a trajetória dela, e é um espelho para mim. E aí quando eu chamei ela para fazer, é uma curiosidade, porque essa música que a gente gravou não era a música que seria o feat, só que eu entendi que ela estava num momento de carreira, com o álbum do Bom Mesmo Estar Debaixo D’água, que era um álbum mais para frente, que tinha toda aquela profundidade, mas num lugar mais glamouroso, lugar de luz, mais sensual, mais etílico e eu falei, “cara, vamos trazer também algo mais solar para isso, né? Vamos trazer algo que também converse com o que essa mulher, essa grande artista está vivendo, e que eu também acredito que vai anunciar também o que eu quero trazer, porque as linguagens acabavam se conversando". E aí convidei, chamei ela para fazer o Arrasto. E gravamos e foi incrível como ela recebeu esse som, foi incrível como ela estava na disposição de gravar o material. Eu gosto de me comunicar com artistas que realmente estão dispostos a trabalhar com a humanidade, com as vulnerabilidades, com o corre da coisa toda e não ficar naquele lugar de estrelismo, num lugar que distancia a coisa toda.
E onde é que você fez esse convite?
No Instagram. Olha ela, caruda. (risos). Gente, quando eu falo, eu sou caruda sim, porque é isso, acompanho muitos artistas e eu me comunico muito por direct do Instagram, curto as coisas, converso. E eu acho que eu peguei a Luedji numa fase que ela queria entregar um álbum que realmente a consagra como essa grande artista que ela é. E depois estava na disposição de compartilhar a música com outros artistas. Eu sei que ela escolheu isso a dedo, eu não fui uma escolha aleatória, porque não tem como ser uma escolha aleatória dela. A gente se conectou de alguma forma.
