Do dia 22 ao dia 26 de abril, a Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN‑PR) promove em Curitiba o Seminário Ubuntu: Educação e Cultura Negra no Paraná, com debates e atividades de formação, arte, debate e memória. A proposta não se limita a palco ou sala de conferência, mas parte do Centro Histórico, passa por teatros, por espaços culturais e pelo Centro Histórico, com encerramento no Memorial de Curitiba.
A programação pretende atender ao significado do próprio nome do evento: Ubuntu (“eu sou porque nós somos”), como forma de pensar relações, redes e resistência. O destaque e para os saberes e as experiências de mulheres negras, artistas e educadoras que costumam historicamente ficar à margem das políticas de educação e cultura. Em meio a rodas de conversa, oficinas, percurso urbano e feira cultural, o Seminário trabalha ideias de colonialidade, decolonialidade e o lugar da cultura negra na agenda da cidade e do estado.
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Programação
Abertura com show e discotecagem
O primeiro dia marca a ponte entre política e criação para levantar o debate sobre cultura negra passa tanto por políticas quanto por palco: quem produz, quem decide e quem assiste não são três mundos separados. A abertura é no dia nesta quarta-feira (22), às 18h30 no Teatro Sesi CIC, com representantes do Ministério da Cultura e da Fundação Palmares, e também show da cantora Janine Mathias e a discotecagem da DJ Mithay.
Conversa sobre produção de arte decolonial
No dia 23 (quinta-feira), às 19h, a Roda de Conversa “Produção Cultural Ubuntu”, no Teatro Sesi Centro, reúne nomes como Ana Preta, Bella Souza e Brenda Oyatunde para discutir o que significa produzir arte decolonial dentro de um campo ainda marcado por padrões raciais e coloniais. O encontro pretende problematizar a lógica de financiamento, a visibilidade midiática e a forma como instituições culturais lidam – ou ignoram – a presença de artistas negras.
Educação e cultura negra
No dia 24, às 14h, a filósofa e pesquisadora Helena Theodoro participa da mesa “Travessias do saber: Educação e Cultura Negra em Movimento”, explorando a relação entre escola, currículo, narrativas históricas e a incorporação de saberes afro‑brasileiros. A roda busca fio condutor entre experiências de coletivos, escolas e organizações que já trabalham com educação antirracista e a necessidade de consolidar isso em políticas de estado, e não apenas em projetos de ocasião.
Caminhada pelo centro histórico
No dia 25, às 9h30, a proposta muda de ambiente, mas não de objetivo. A atividade “Trajetos Negros”, guiada pela historiadora Fernanda Santiago, conduz uma caminhada pelo centro histórico de Curitiba, falando de ruas, praças e edifícios a partir da presença, trabalho e resistência da população negra. Longe de uma narrativa oficial, a saída de campo faz da cidade um arquivo vivo, mostrando como questões de raça atravessam o urbanismo, o comércio e a memória coletiva.
Fechamento com feira e arte na rua
O encerramento é no dia 26, das 9h às 14h, no Memorial de Curitiba, durante a Feira Afro da Zumbi com apresentações culturais. Instalações artísticas de Eliana Brasil e Fernanda Castro dialogam com a história de resistência, raça e ancestralidade, no espaço físico e simbólico do museu em uma lógica de reivindicação e afirmação.
Serviço: Seminário Ubuntu, Educação e Cultura Negra no Paraná
O Seminário é gratuito e direcionado para quem quem trabalha diretamente com cultura e educação, bem como para o público interessado em compreender a presença negra na cidade, na história e na configuração da cidade. Para participar, é preciso fazer inscrição prévia por formulário e haverá emissão de certificados para os integrantes das atividades.
Colaborou Marya Marcondes sob supervisão de Luciana N. Melo.
