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Peças como "Las Peripécias de la Calaverita y sus Manos” podem nos levar à festa

O novo espetáculo da companhia Trupe Trio Elétrico de Teatro estreou na Praça Santos Andrade durante o Festival de Curitiba 

Peças como "Las Peripécias de la Calaverita y sus Manos” podem nos levar à festa
Bárbara Vieira, em cena de "Las Peripécias de la Calaverita y sus Manos”. (Foto de: Luciana Nogueira Melo/Plural.)
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"Las Peripécias de la Calaverita y sus Manos” fez sua estreia na programação da Mostra Fringe, do 33º Festival de Curitiba, na última terça-feira (31), com apresentação única na Praça Santos Andrade. O espetáculo passa brevemente pela cosmovisão Inca para apresentar ao público um ser místico latino - La Calaverita. Estrelada pela mesma dupla que assina a dramaturgia, Bárbara Vieira e Carlos Becker, a peça de teatro é uma derivação de "Fervo!”, produção da Trupe Trio Elétrico de Teatro que foi dirigida por Ricardo Nolasco. Ele e Ariel Pascke são os provocadores cênicos da nova montagem. 

A maioria dos habitués dos palcos e das plateias curitibanas já conhece o trabalho de Ricardo Nolasco, mas eu nem sabia da existência da Trio Elétrico. Foram dois os motivos da escolha, primeiro a apresentação foi na rua (há tempos não conseguia assistir a algo fora dos teatros) e a sinopse fala sobre o tal ser místico latino, com suas mãos mágicas, “descobrir suas origens na América Latina”.

Não é o caso aqui de discutir a execução da obra, até porque os artistas explicaram ser um spin-off em estreia, e a peça deve amadurecer bastante após essa primeira sessão. Mas, sim, de pontuar coisas interessantes. 

O teatro de rua fez sua magia por ali, chegou ao público. E não estou falando do bom número de companheiros de companhia, colegas de profissão e produtores que avolumava a turma sentada nas escadas do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para assistir "Las Peripécias de la Calaverita y sus Manos”. O caso é um daqueles singelos quando – apesar da agenda apertada num evento grande e importante como o Festival de Curitiba – você lembra do encanto e renova os votos de amor pelo teatro. Na lateral do palco, ou melhor, da cena, entre as várias pessoas que cruzavam a praça apressadas, uma parou, olhou para os artistas e ali ficou. Voltei minha atenção novamente para o espetáculo e a perdi de vista, entretanto a encontrei durante os aplausos. Estava junto à plateia. É isso, é o teatro.

Depois da apresentação, descobri não ser por acaso a escolha do tema. O grupo se define como  uma “trupe multiartista que pesquisa manifestações artísticas latino-americanas dentro da cena teatral e audiovisual”. Bingo! 

Em entrevista no final do ano passado (2024), quando perguntei sobre o número (relativamente pequeno) de montagem de textos de Guillermo Calderón no Brasil, o diretor Diego Fortes respondeu que o país tem o mau hábito de olhar para o teatro da Europa e Estados Unidos, e não para o da América Latina. “O mais triste é que eles se conhecem, e a gente está fora da festa. A Lola [Arias] conhece o Guillermo… Todos eles se frequentam: os diretores chilenos estão no Uruguai, os diretores uruguaios estão na Argentina, na Venezuela, no Peru, na Bolívia. E nós, de vez em quando, somos incluídos.” 

É muito provável que o nosso convite para essa festa também dependa de pesquisas e montagens de teatro popular que apresentem temas culturais latino-americanos para o público brasileiro. Principalmente para aquela pessoa desavisada que passava por ali e virou plateia, para que ela se reconheça e a sensação de pertencimento entre em cena.

33º Festival de Curitiba

De 24/3 a 6/4 de 2025

Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85  (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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