Narrativas policiais, metaliteratura e angústias contemporâneas são as recorrências que o leitor vai encontrar em "Um Sentimento Semelhante à Culpa", de Nícolas Wolaniuk. O livro é o primeiro publicado pelo escritor, uma coletânea de contos inéditos e também já publicados em jornais e revistas especializadas em literatura, e sai do prelo pela Editora Patuá. O lançamento em Curitiba é nesta sexta-feira (20), a partir das 19h, no Royalty Café. O autor estará presente e a entrada é livre.
Nícolas Wolaniuk
O curitibano Nícolas Wolaniuk nasceu em 1999. Professor de grego antigo e francês, é formado em Letras e mestrando em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fundou e dirige o grupo de teatro Hápax, dedicado à montagem de peças da Antiguidade, e faz parte como ator e sonoplasta dos Brontossauros Babando Bicicletas e da Cia Arte da Comédia. Também toca violão, compõe e está prestes a publicar um trabalho em parceria com o Plural.
Em entrevista ao jornal, ele fala sobre seu livro de estreia e escapa de uma "armadilha" citando Proust. Leia a seguir.
Dos textos reunidos em “Um Sentimento Semelhante à Culpa”, quantos já foram publicados anteriormente e quais são inéditos? Em que período foram escritos?
Cinco já foram publicados em periódicos: “A Estranha Morte de Madalena Xavier” no RelevO, na Revista Cândido e na Revista Tinteiro, “Tonho Torto e Severo Sentado” e “O Interventor e a Guilhotina” na Revista Tinteiro, “Assassinato na Fronteira” na Revista Júlia e “Quem escreveu a obra de Alice Quaresma?” no RelevO. Os outros doze são inéditos em publicação oficial. Os mais antigos são de 2018, os mais novos são do ano passado.
A ideia de lançar a coletânea surgiu anos depois da criação de alguns dos contos. Existem temas em comum?
É difícil dizer que a perspectiva de coligir contos em um livro estivesse ausente em algum momento. O destino por excelência de um conto é um livro de contos, né? Eu gosto de periódicos, leio sempre o RelevO, lia muito o Cândido na época que ainda era impresso, mas, ainda assim, sinto que, hoje, um conto se cumpre na publicação em livro.
Embora o arranjo final dessa coletânea date do fim do ano passado, eu já tentava publicar coisas mais ou menos parecidas com esse livro há pelo menos uns dois anos, quando o volume de coisas que eu achava publicáveis passou a justificar um códice.
O fator decisivo agora foi o aparecimento de uma editora que apostou de fato no livro, isto é, que não me pediu que eu custeasse a sua publicação — nem via pagamento explícito, nem via financiamento coletivo (que às vezes, aliás, é só uma maquiagem para o pagamento explícito). Sou muito grato à Patuá por isso.
Existem recorrências na coletânea: os lugares-comuns das narrativas policiais (assassinatos, mistérios, detetives), alguma reflexão metaliterária, a confusão e a angústia contemporânea. Essas recorrências, é justo que se diga, são mais limitação e inevitabilidade do que projeto.
Quais são seus autores preferidos e quais influenciaram os contos?
Olha, essa pergunta é sempre uma armadilha… Até porque, nisso, eu concordo com Proust: “Na arte não há (pelo menos no sentido científico) iniciador ou precursor. Tudo está no indivíduo, cada indivíduo recomeça, por conta própria, o empreendimento artístico ou literário; e as obras dos predecessores não constituem, como na ciência, uma verdade adquirida, da qual aproveita-se aquele que vem em seguida. Um escritor hoje tem tudo por fazer. Ele não está mais avançado que Homero.”
É claro que coisas que eu li nesses anos me inspiraram e me tocaram, mas os caminhos da elaboração literária são tão elusivos que uma lista de predileções soaria, para mim, como uma coleção de falsas promessas. Além de que prefiro dar aos leitores liberdade total para a deliberação genealógica — empreendimento sempre divertido. Alguns leitores, julgando descobrir influências, me apresentam bons livros.
“Um Sentimento Semelhante à Culpa” é seu primeiro livro, muita gente nunca leu seus textos. Qual dos 17 contos do livro você indica como a melhor opção para conhecer sua obra?
Os retornos de leituras me fizeram acreditar que “A Estranha Morte de Madalena Xavier” é uma boa porta de entrada. Espero que seja, porque coloquei no começo do volume. Também acho que este conto concentra sozinho as recorrências que explicitei na pergunta anterior, além de ser o conto que se acha mais fácil na internet, pela publicação do Cândido, por ter sido discutido em um Terapia Literária da Banca Tatuí.
Você já tem outros livros de gaveta prontos? Está trabalhando em algum novo projeto literário?
Tenho um romance policial que, inclusive, pelo que me disseram, deve sair sob forma de folhetim no Plural logo logo…
Não consigo falar muito sobre as coisas nas quais estou trabalhando — não dá pra dizer o que algo será antes de ser, se é que meus rabiscos atuais chegarão a ser alguma coisa.
Lançamento do livro “Um Sentimento Semelhante à Culpa”
Com presença do autor Nícolas Wolaniuk e sessão de autógrafos
Dia 20 de março, sexta-feira, a partir das 19h, Royalty Café (Rua São Francisco, 179 — Centro, Curitiba).
Entrada livre.