Um dos mais importantes eventos da cena HQ do país tem novo endereço. É a 8ª edição da Bienal de Quadrinhos de Curitiba, marcada para os dias 4 a 7 de setembro, que anunciou a transferência da maior parte de sua programação para o Museu Oscar Niemeyer (MON). A mudança foi necessária porque, apesar de ser um dos acontecimentos do calendário oficial da capital do Paraná, surgiram entraves para a realização no Museu Municipal de Arte (MuMA), local que foi sede das edições anteriores desde 2014.
Conforme explica Greice Barros, que coordena a Bienal ao lado de Gilmar Kaminski e Luciana Falcon, o problema é uma questão burocrática. “A Bienal e outras realizadoras de festivais e feiras literárias de Curitiba iniciaram um movimento junto à Fundação Cultural de Curitiba (FCC) para buscar desburocratizar e facilitar o acesso de ações culturais às estruturas públicas de cultura da cidade. Neste momento, esses espaços estão submetidos ao Decreto Municipal nº 700/2023, que regula os procedimentos administrativos de ocupação e impossibilita algumas linguagens artísticas de comercializarem suas obras/trabalhos como publicações, artesanato, ilustrações, entre outros", diz ela.
Ainda segundo Barros, os produtores da Bienal, bem como de outros eventos, estão tratando com o poder público para evitar novos prejuízos para artistas e público: “Como essa pauta não diz respeito apenas a Bienal, ou seja, há outras singularidades a serem consideradas e também o tempo necessário para o aprofundamento jurídico, a possível nova regulamentação não sairá a tempo de nossa programação no MuMA. Mas estamos confiantes que essa mudança será um salto facilitador para todos os eventos destas linguagens e, assim, terão condições de promover outras lógicas de fruição econômica para os artistas e o amplo acesso da população.”
Novidades
Segundo Luciana Falcon, a conquista de novos apoios auxiliou na mudança e permitiu a ampliação da Bienal que “será uma nova festa das HQs". "A Bienal sempre foi inovadora em movimentar a cena de quadrinhos na cidade, fazendo alterações significativas ao longo das edições conforme ampliamos o evento. Neste ano, agregamos importantes apoios que viabilizaram a sua realização, como a Secretaria de Estado da Cultura e o Museu Oscar Niemeyer ‐ a nova casa da Bienal de Quadrinhos ‐ e o Instituto Francês, através da Temporada Cruzada Brasil-França 2025, com a programação BD Encontra a HQ e a delegação francesa de autores, editores, agentes literários e curadores de eventos", fala a coordenadora.
Ainda sobre as novidades, Gilmar Kaminski destaca que “a ocupação do MON reflete o interesse do evento em expandir sua atuação para outros espaços públicos de Curitiba e também para outras cidades do Estado”. Ele também explica para onde as fronteiras do evento foram ampliadas, com recursos do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado da Cultura. "Além da programação da Bienal em Curitiba, de 4 a 7 de setembro, com ações no MON, MuMA e Gibiteca, esta edição é marcada pela descentralização, contando com atividades em escolas da rede pública de ensino e também realizando a Bienal Circula, que promoverá programação com artistas convidados nas cidades de Paranaguá, Pato Branco e Foz do Iguaçu, entre os meses de setembro e outubro", fala o coordenador.
A 8ª Bienal
A programação continua totalmente gratuita nesta edição de 2025, que apresenta cerca de 30 convidados nacionais e internacionais, palestras, debates, oficinas, lançamentos, feira de livros e exposições organizadas sob o tema “Futuros Possíveis”. E a curadoria do evento segue feita integralmente por mulheres, a cargo do trio Dandara Palankof (tradutora, editora e pesquisadora), Maria Clara Carneiro (professora, pesquisadora, tradutora e crítica), e Mitie Taketani (produtora de eventos de quadrinhos e literatura, e proprietária da Itiban, livraria e espaço cultural).
A artista homenageada neste ano é Cida Godoy, pioneira entre as mulheres quadrinistas e roteirista de “Drácula”, outra artista com presença confirmada é a ilustradora e quadrinista israelense Rutu Modan, vencedora do prêmio Eisner em 2008, por seu livro “Exit Wounds”, e colaboradora de revistas e jornais como The New York Times, New Yorker e Le Monde.
Já o quadrinista cubano Alexander Izquierdo, autor de “Rosa de La Habana” e “Eugenia”, entre outras obras, também está entre os convidados internacionais; ele será publicado no Brasil pela primeira vez pela editora Trem Fantasma, desdobramento do Programa Brasil em Quadrinhos, uma iniciativa da Bienal em parceria com o Ministério das Relações Exteriores - Itamaraty. Entre as ações resultantes da parceria com o Instituto Francês também está uma residência artística com Matthias Lehmann (sobrinho do escritor Roberto Drummond), autor da HQ “Chumbo”.
Bienal de Quadrinhos de Curitiba 2025
De 4 a 7 de setembro, no Museu Oscar Niemeyer - MON (R. Mal. Hermes, 999)
Gratuito
www.bienaldequadrinhos.com.br
@bienaldequadrinhos