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Mural de Rimon Guimarães é apagado do Centro Histórico de Curitiba

Artista diz que o pedido foi da administração pública; prefeitura nega

Mural de Rimon Guimarães é apagado do Centro Histórico de Curitiba
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Em 2014, durante o 3º Fórum Mundial da Bicicleta, Rimon Guimarães ocupou um espaço simbólico de Curitiba: ele desenhou uma bicicleta na fachada de um estacionamento do Centro Histórico da cidade.

“Eu conversei com os proprietários e pedi autorização. Eles autorizaram. Usei minhas próprias tintas e pintei, sem nenhum apoio financeiro, por puro amor ao que faço”, relembra. O mural ficou famoso na região, atraindo olhares de conterrâneos e turistas, mas essa história acabou na última semana, quando o grafite foi apagado. 

“Esses dias eu passei por lá e vi que estava descascando, então falei com os donos. Eles me contaram que fariam uma reforma e eu poderia pintar de novo”, diz. “Ontem, passei em frente e vi que apagaram. Foi quando eles me contaram que a prefeitura exigiu que pintassem a fachada e escrevessem apenas estacionamento. Se não cumprissem, poderiam tomar multa porque estão no Centro Histórico.”

Chateado, o artista fala que perguntou o que eles preferiam: o muro cinzento ou sua arte? “Penso que a arte muda a atmosfera do espaço, muita gente tirava fotos ali. Foi um marco, era interessante ver essa arte na fachada de um estacionamento. Trazia outra visão. Mas eles me disseram: olha, cara, a gente até gosta, mas não quer tomar multa.”

Prefeitura nega

“A Comissão de Avaliação do Patrimônio Cultural (CAPC) não tem registro de demanda para fiscalização do imóvel em questão. Portanto, o município não é responsável pela pintura do muro”, disse a Secretaria Municipal do Urbanismo, em resposta ao questionamento do Plural. “No entanto, o imóvel está situado no setor histórico da cidade. O grafite, nesse caso, depende de uma licença da CAPC, que não foi solicitada.” A reportagem tentou contato com o estacionamento, sem sucesso até o fechamento.

Foto: Rimon Guimarães

Para Rimon, a visão da prefeitura é controversa. Afinal, por que apenas o grafite demanda autorização do município? “Não faz sentido nenhum. Se é patrimônio histórico, é legal que tenha também o registro da atualidade. Não dá pra ficar estacionado”, argumenta. 

“Eu faço esse trabalho há muitos anos… No começo, houve repressão mas a gente conquistou espaço. Agora está voltando essa onda repressora, com respaldo do governo federal e de figuras como Ratinho Jr. e Rafael Greca… A sensação é de regressão”, lamenta o curitibano cuja arte está em 27 países ao redor do globo. “Eu faço trabalhos para outras cidades e aqui na minha cidade não valorizam?”

Apesar do dissabor, ele pensa em outras estratégias, como descentralizar. “Não é isso que vai me parar, ainda tem muito espaço na cidade para pintar. Essas atitudes tentam nos minar, mas não é por aí…  Eles nos deixam cada vez com mais gana de fazer.”

Jess Carvalho

Jess Carvalho

Jornalista investigativa com foco na defesa dos direitos humanos. É formada em Jornalismo pela Universidade Positivo e mestre em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa

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Tags: cultura

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