Nesta terça-feira (23), o coletivo Cultura Algures lança no YouTube a série “M Marginal Algures”, que reúne oito videoartes poéticas protagonizadas por mulheres e pessoas não binárias paranaenses. Os clipes, disponibilizados gratuitamente no canal do coletivo, contam com audiodescrição, legendas e Libras.
O lançamento na plataforma digital dá continuidade ao projeto apresentado ao público em um evento presencial, no Casarão Marcílio Dias – Escola de Pesca, que reuniu uma oficina de poesia marginal e a exibição inaugural dos vídeos. A estreia no YouTube marca uma nova etapa do projeto, ampliando o alcance das produções e permitindo que as poéticas periféricas cheguem a diferentes públicos e contextos como ferramenta de arte-educação.
Acesso à cultura periférica
Proposto pelo coletivo Cultura Algures — coordenado por Grazi Calazans e formado por mulheres que atuam na área artística, especialmente na literatura —, o projeto une poesia marginal, linguagem audiovisual e diversidade de corpos, vozes e territórios.
Segundo a produtora cultural e poeta Maluz, idealizadora do projeto ao lado de Vanda Moraes, a iniciativa nasce da vivência de quem enfrenta as barreiras históricas do setor cultural: “A ideia do M Marginal foi dar espaço para mulheres que trabalham com a poesia marginal periférica e que, muitas vezes, sonham em registrar e divulgar seu trabalho, mas não têm acesso a equipamentos e outros recursos. Eu mesma já passei por isso. O projeto foi pensado para oportunizar esse processo criativo, tanto para as artistas quanto para a equipe técnica que fez tudo acontecer, também majoritariamente composta por mulheres.”
Mulheres no audiovisual
Além do protagonismo feminino e não binário, o projeto adota critérios de diversidade racial, social e territorial. Pelo menos 80% das artistas participantes são mulheres negras ou indígenas, incluindo mulheres cis, trans, pessoas com deficiência. A proposta dialoga com dados da Ancine que evidenciam a desigualdade de gênero no audiovisual brasileiro, especialmente em cargos de direção e criação de roteiros. “Buscamos contribuir para mudar esse cenário, criando oportunidades reais de trabalho, aprendizado coletivo e descentralização dos recursos culturais, especialmente fora da capital”, diz Maluz.
A maior parte das gravações foi feita em Guaratuba, com cenários naturais e urbanos, e algumas em territórios simbólicos, como a comunidade indígena Tekoa Ywu Djú, em Piraquara. O processo foi marcado por trocas coletivas, experimentação artística e construção conjunta, fortalecendo vínculos entre as participantes e ampliando o sentido comunitário do projeto que envolveu mais de 60 pessoas.
Aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura – Governo Federal, o “M Marginal Algures” é exemplo da importância das políticas públicas de fomento à cultura para a descentralização de recursos, o fortalecimento de agentes culturais periféricos e a valorização da produção artística de mulheres e pessoas não binárias no estado.
Série “M Marginal Algures”
Outras informações e episódios no YouTube.