Nesta terça-feira (6), na Biblioteca Pública do Paraná, a performer e diretora artística Carmen Jorge, estreia sua nova criação solo “Hiperfabulária Tropical”. A performance da também fundadora da PIP Pesquisa em Dança é construída a partir do universo explosivo de José Agrippino de Paula e da bailarina e coreógrafa Maria Esther Stockler.
Arte para confrontar discursos imperialistas
Inspirado no livro “PanAmérica” (1967) – obra de Agrippino precursora da Tropicália e ícone do experimentalismo contra-hegemônico – o espetáculo busca a construção de um corpo apocalíptico e tropical, onde palavra, dança e som colapsam em cena para tensionar mitos culturais e confrontar discursos imperialistas. A proposta é de um estado de "corpocaos", articulando técnicas de Popping (dança urbana derivada do Hip Hop) com a emissão de texto, dissociada de movimentos contínuos. A montagem tem colaboração da designer sonora Edith de Camargo, figurinos de Luan Valloto e iluminação de Wagner Corrêa.
Entre o caos e a criação
"Hiperfabulária Tropical" é um rito de colapso e reinvenção, com dramaturgia construída a partir de textos de Agrippino, reinterpretados como voz-corpo tropical, revelando camadas de destruição poética e resistência indígena – com destaque para o pensamento Krenak: “A vida é, independente dos homens. ”
A estrutura coreográfica é aberta à improvisação, com a performer atravessando estados físicos extremos e variações de contrações corporais (Pop, Strobing e Hitting); a composição rejeita o espetáculo convencional, evocando um gesto político performado no corpo brasileiro. A performance se apresenta como um ato radical ao usar as artes cênicas como denúncia do violento mundo em que vivemos, revelando o caos como sintoma.
"Hiperfabulária Tropical", na BPP
Dias 06, 07, 13 e 14 de maio (terças e quartas-feiras), às 16h, na Sala Aquário da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133 – Centro).
As apresentações seguidas de bate-papo com a artista.
Sempre com entrada gratuita e tradução em Libras.