A menos de um mês do início da 34ª edição do Festival de Curitiba, muita gente já está com a agenda de espetáculos preenchida do começo ao fim do evento. Mas quem não se decidiu logo que a venda de ingressos começou pode ficar tranquilo: dá para lotar as duas semanas do festival com muita coisa boa. Tanto que o espetáculo de abertura ainda é um mistério. Ele somente será revelado para a imprensa e para o público na quinta-feira (5).
Pensando em quem continua tentando decidir o que vai assistir (ou não tinha se ligado que o tempo urge e os lugares nas plateias também), o Plural apurou quais peças estão esgotadas e selecionou seis apostas na programação principal, a Mostra Lúcia Camargo, com lugares disponíveis (até a publicação deste texto). Confira a seguir e faça suas escolhas para garantir bons momentos e muitos aplausos pelos teatros da cidade.
1 - “Édipo REC”
Para quem não tem medo da ousadia do teatro, uma tragédia à la Magiluth
O Magiluth celebra 20 anos de estrada e pesquisa com sua 16ª montagem – “Édipo REC”, sob a direção de Lubi (Luiz Fernando Marques), parceiro de longa data da companhia. Com festa, teatro imersivo, cinema (inspirado em obra de Pasolini), comédia e tragédia, o espetáculo leva ao palco, a partir do texto clássico de Sófocles “Édipo Rei”, a potência e o experimentalismo que são assinaturas do grupo do Recife-PE. Com certeza, o público terá mais uma dose de arte contemporânea concentrada na veia enquanto a trupe prova que experimentalismo, talento e qualidade podem conviver num perfeito trisal.
Para quem ainda não se convenceu de que a peça é uma boa aposta, vale conferir o nome do diretor na lista de indicados ao 36º Prêmio Shell. Lubi concorre na categoria Melhor Direção por “Um Clássico: Matou a Família e Foi ao Cinema” - que esteve em cartaz no Fringe em 2025. O resultado da premiação será divulgado em breve.
Sinopse: Tudo começa com a alegria de um reino que vive seu momento de renascimento, marcado pelo exagero, com a produção excessiva de imagens, tanto de câmeras de segurança quanto de celulares para redes sociais. Por isso, o Corifeu é a câmera. Durante momentos de descontração, pequenas tragédias podem acontecer e alguém pode estar gravando. Então talvez seja melhor não investigar e seguir vivendo, afinal, quanto tempo dura uma tragédia? Num jogo cruzado entre tempo e espaço, Tebas transforma-se em uma Recife fantasmagórica e presentificada onde Édipo tem esperança de fugir do próprio destino.
Nos dias 8 e 9 de abril, às 20h30, na Ópera de Arame.
Classificação indicativa 18+
2 - “Pai contra mãe ou você está me ouvindo?”
Literatura e teatro desmascarando o racismo estrutural no Brasil
A adaptação do Coletivo Negro para o palco de um dos contos mais contundentes de Machado de Assis, senão o mais contundente, garantiu ao grupo indicações aos maiores prêmios do teatro brasileiro. Pela montagem, Jé Oliveira concorreu na categoria de melhor direção no APCA 2025 e está disputando o Shell, ao lado de Lubi.
O espetáculo reflete sobre racismo estrutural, em diálogo com as desigualdades raciais do Brasil contemporâneo.
Sinopse: Um narrador negro nos conta a história de Zaíra da Conceição, mulher, negra, retinta, grávida, e de Osvaldo, homem, negro, que acabou de se tornar pai. Ela está desempregada e ele acabou de conseguir emprego em uma rede de varejo. As histórias dos personagens se cruzam em meio às desigualdades e à herança escravocrata brasileira que ainda ecoa nos dias de hoje.
7 e 8 de abril, às 20h30, no Teatro do Sesc da Esquina.
Classificação indicativa 16+
3 - “A sabedoria dos pais”
Para ir sem medo, teatrão com grandes nomes dos palcos e da TV brasileira
A comédia dramática “A sabedoria dos pais” fala de recomeços, amadurecimento e amor. O espetáculo é estrelado por artistas que são chancelas de sucesso com plateias lotadas. Miguel Falabella, que assina o texto e a direção, escreveu a peça especialmente para Natália do Vale e Herson Capri, celebrando os 50 anos de carreira da dupla. Como se este cenário não fosse suficiente, conferir a atuação de Capri no Guairão também é comemorar a recuperação do ator que sofreu um infarto recentemente e foi liberado pelos médicos para as apresentações no Festival de Curitiba.
Sinopse: O enredo de “A sabedoria dos pais” fala de recomeços, amadurecimento e amor. Leva ao palco a história de um casal que, após 35 anos de um casamento aparentemente perfeito, decide se separar. Nos dez anos que se seguem, um aprende a viver sem o outro, ao redor de lembranças e ensinamentos dos casamentos duradouros de seus pais. Movidos pela esperança, com humor e delicadeza, abordam em cena o etarismo, a reinvenção pessoal e a continuidade da vida afetiva na maturidade.
8 e 9 de abril, às 20h30, Guairão.
Classificação indicativa 14+
4 - “Reparação”
O drama vindo da realidade para o palco
Com dramaturgia e direção de Carlos Canhameiro, o espetáculo parte de entrevistas com pessoas ligadas a um episódio traumático ao longo de 23 encontros. Em cena, 23 desses depoimentos reais se misturam com a ficção e revelam diferentes versões do mesmo fato, construídas por memórias e pela imaginação.
“Reparação” fecha a “Trilogia da Cor Local”, com montagens que levam o público à imersão na vida das classes populares, retratada em lugares típicos do cotidiano brasileiro. Anteriormente, em “Agamenon 12h”, o cenário da trama era um camelódromo, e em “Xs Culpadxs”, em um bar. Agora a ação acontece em um salão de beleza dos anos 80.
Sinopse: Baseada em um caso real ocorrido no interior de São Paulo nos anos 80, a peça combina depoimentos, ficção e drama para reconstruir um episódio de violência e suas reverberações ao longo do tempo. A narrativa acompanha a trajetória de uma jovem violentada por dois colegas de escola, que, após engravidar, é obrigada pela família a deixar a cidade para ter o filho. Seis anos depois, ela retorna com a criança para apresentá-la ao pai, e o reencontro coloca em choque passado e presente, oscilando entre desfecho trágico e possibilidade de reparação.
31 de março e 1º de abril, às 20h30, Teatro do Sesc da Esquina.
Classificação indicativa 16+
5 e 6 - “Deriva” e “O grande cabaré combo drag week”
A arte curitibana em cena
Estas duas opções não estão juntas por acaso, são os espetáculos que representam Curitiba dentro do festival. “Deriva” é a mais nova montagem da Súbita Companhia de Teatro, que está prestes a completar 20 anos em atividade com um trabalho fortemente dedicado à experimentação e pesquisa. O grupo é um dos exemplos da qualidade do teatro contemporâneo de Curitiba, com produções que ultrapassam fronteiras e circulam por várias cidades brasileiras.
Sinopse: A peça tem como proposta ativar os sentidos e provocar deslocamentos de percepção ao fundir o real e o ficcional, abrindo espaço para o encantamento do cotidiano em um convite para percorrer um trajeto no centro histórico de uma cidade. Dentro da paisagem, o tempo é para observar, perceber os detalhes e reconhecer as narrativas que se sobrepõem. Atravessados pela cidade enquanto caminhamos sobre o asfalto que cobre os rios, vemos o encontro entre sankofas e azulejos portugueses, lixo e árvores centenárias, coisas e gentes. Refletidos na vitrine das lojas nos percebemos inseridos nesse lugar que nunca para, enquanto uma tempestade se aproxima.
6 e 7 de abril, às 18h30, no Teatro Zé Maria.
Classificação indicativa 14+
“O grande cabaré combo drag week” é uma celebração da arte drag e burlesca, com protagonismo para artistas locais e nacionais. O espetáculo também comemora os 10 anos de trajetória drag de Juana Profunda - nome de destaque no cenário cultural curitibano e nacional.
Sinopse: Um espetáculo coletivo e vibrante, em formato de cabaré, com grande elenco de drags e performers burlesques que levam ao palco uma experiência cênica híbrida. O Carnaval, o burlesco e o teatro musical se unem para, entre humor e brilho, afirmar a arte drag como festa, memória e liberdade. Participação especial de Miranda Lebrão (RJ), que esteve na 1ª temporada do Drag Race Brasil e no RuPaul's Drag Race Global All Stars.
5 e 6 de abril, às 20h30, no Guairinha
Classificação indicativa 18+
Outros espetáculos da Mostra Lúcia Camargo com ingressos à venda
- Na marca do pênalti
- Dois Papas
- {Fé}sta
- Veias abertas 60 30 15 seg
- Jonathan
- Vinte!
- Brace
- Cabo enrolado
Esgotados
A bailarina fantasma, A boca que tudo come tem fome (Do cárcere às ruas), A máquina, Atrás das paredes, Bailarinas incendiadas, Como um palhaço - Like a clown, Dias felizes, Histórias de teatro e circo – três gerações de arte brincante, Mulher em fuga, (Um) Ensaio sobre a cegueira, O motociclista no globo da morte, Tim Maia - Vale tudo, e Sidarta.
34º Festival de Curitiba
De 30/3 até 12/4 de 2026
Ingressos gratuitos e pagos até R$85 (mais taxas administrativas), à venda no site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
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