Abre no dia 11 de novembro, às 19h, na Casa Monsenhor Celso, no centro histórico de Paranaguá (PR), a mostra “Soterramento”, do artista matinhense Thales Bispo. Ao todo, 35 obras compõem as 4 salas do espaço e dialogam com paisagens, identidade cultural e território caiçara do litoral paranaense.
A exposição tem curadoria de Luiz Lavalle, professor de Thales durante 3 anos no museu Alfredo Andersen, em Curitiba. “Thales chegou ao ateliê com uma proposta figurativa de pintura, interessado na reprodução de cenas de basquete e retratos de pessoas", conta. “De maneira inventiva, ele absorveu as referências e proposições nas aulas e as adaptou à própria pesquisa, que aos poucos se consolidou em torno da paisagem litorânea, dos sambaquis e das populações do litoral".
A curadoria prezou por apresentar três subséries desenvolvidas pelo artista. Na série que ganha o nome da exposição, a “Soterramento", Thales usa verniz e areia para literalmente soterrar as pinturas com material coletado nas praias de Matinhos. “Eu coleto madeiras e trato, para então fazer, sobre elas, pinturas figurativas das paisagens do litoral e depois soterra-las na praia", conta.

Já na série “Almas”, Thales usa a técnica da "Frottage", que consiste em colocar um tecido em algodão cru ou linho sobre uma superfície texturizada, para capturar e imprimir sambaquis, antigos monumentos feitos de ossos de animais e humanos, conchas e objetos construídos por povos tradicionais e que viveram no litoral brasileiro há alguns milênios.
Thales conta que sua vontade foi a de imprimir seu próprio território nessas telas. "Eu sempre quis que minha produção tivesse relação com aquela territorialidade, por isso eu aproximei os sambaquis na minha pesquisa", diz. "Acho interessante poder ir até esses lugares, porque às vezes eles não estão catalogados ou preservados e existem em contextos urbanos, como em cima de parquinhos infantis ou pontos de vendas de drogas, por exemplo", completa.
Ainda sobre essas impressões de sambaquis, Thales realiza um trabalho figurativo, onde se revelam imagens de pássaros daquele território, como guarás, biguás, andorinhas e gaivotas. Para o curador, a ideia de soterramento também está presente no trabalho de Frottage, “a gente também discute a ideia dos sambaquis serem terrenos soterrados e que guardam por milhares de anos, a história dos povos que estiveram aqui antes de nós", diz Lavalle.
Já na terceira série, que se chama Matéria Suspensa, o artista cria pinturas-objeto, onde incorpora às paisagens, tralhas de pesca. Nessas obras, chumbos, anzóis, boias e linhas funcionam como continuidades da imagem para ativar o espaço a partir da pintura.
Serviço
Abertura exposição Soterramento, de Thales Bispo|
Data: 11 de novembro
Horário: 19h
Local: Casa Monsenhor Celso / Praça do Marco Comemorativo do Tricentenário - Centro Histórico, Paranaguá - PR, 83203-030
Visitação: de 11.11 a 12.12
Dias: segunda a sexta, 8h às 12 e das 13 às 17h.
Entrada Gratuita