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Dá tempo de comprar ingressos para o Festival de Curitiba?

Confira a lista de espetáculos que ainda não esgotaram e quais são as 5 melhores apostas segundo o Plural

Dá tempo de comprar ingressos para o Festival de Curitiba?
Fernando Eiras e Emílio de Mello, atores de "In On It", em cartaz no Festival de Curitiba. (Foto de: Joana D'Aguiar/Divulgação.)
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Dá para considerar que estamos às vésperas do Festival de Curitiba, a programação intensa nos teatros e nas ruas da cidade começa no dia 25 de março. Por isso mesmo, tem muita gente achando que agora é tarde e que tudo o que há de melhor está esgotado.

A boa notícia é que ainda dá para comprar ingresso para muita coisa boa na Lúcia Camargo – uma das peças é ótima, já assisti e garanto! A dica é correr, pois 81% das entradas da mostra já estão vendidas (não tem como prometer que os lugares estarão disponíveis quando você terminar de ler esse texto). Além desses espetáculos, vale lembrar de que ainda tem muito ingresso para o Fringe (para todos os gostos), e também para o Risorama, Guritiba, MishMash…

Para facilitar as escolhas dos leitores, o Plural descobriu quais atrações da Mostra Lúcia Camargo ainda estão à venda, preparou uma lista e destacou as cinco melhores apostas. Confira a seguir.

1 – “In On It”

Se você só pode comprar uma atração do Festival de Curitiba, escolha “In On It".

Não dá para explicar como a peça ainda tem lugares à venda, a suspeita é de que o público não sabe muito bem do que se trata. Com um elenco que por si só indica coisa boa, a dupla Emílio de Mello e Fernando Eiras, e uma direção genial de Enrique Diaz, o espetáculo é um fenômeno no teatro brasileiro. 

A estreia de “In On It” foi há 15 anos e rapidamente começou uma batalha por um lugar na plateia. A primeira temporada no Rio de Janeiro foi prorrogada até durar seis meses, os ingressos esgotavam rapidamente, teve lista de espera, muita gente indo para o teatro torcendo por uma desistência, sessão extra e por aí vai. O frenesi se repetiu nas cidades brasileiras em que a montagem foi apresentada depois, ao longo de três anos, inclusive aqui, no Festival de Curitiba de 2009. A peça voltou em cartaz no Rio, ano passado e provou que venceu o tempo com bilheterias esgotadas novamente.

Eu não lembro de alguém dizendo que não gostou de “In On It” (e tem quem assistiu mais de uma vez). Inclusive, venceu o Prêmio Shell, o mais importante do teatro brasileiro, nas categorias de Melhor Direção, para Enrique Diaz, e de Melhor Ator, para Fernando Eiras.

O que se vê no palco é de uma simplicidade corajosa e hipnotizante, não tem qualquer parafernália, basicamente são dois atores (que interpretam cerca de dez personagens), duas cadeiras e um casaco, num texto escrito com uma engenharia genial pelo canadense Daniel MacIvor. No palco, os protagonistas discutem uma relação do passado enquanto trabalham na criação de uma peça de teatro. E o mais bacana é que entender, ou melhor, decifrar o enredo certinho não faz muita diferença, mesmo quem não entendeu nada sai vibrando do teatro (na maioria das vezes, querendo voltar).  

Dias 2 e 3 de abril, às 20h30, no Teatro da Reitoria. Drama.

2 - “O Céu da Língua” - sessão extra

O monólogo é uma comédia definida como poética por Gregório Duvivier. Na montagem, que estreou com sucesso em Portugal, ele sobe ao palco para mostrar que tropeçamos na poesia no dia a dia, e que isso é prazeroso e divertido, que gênero não é hermético e que a língua portuguesa não deve nada a nenhuma outra. Pelo contrário, o artista prova que temos uma imensa poesia desperdiçada em cada conversa despretensiosa.

Duvivier não estreava uma peça nova há cinco anos. Mais conhecido pelos vídeos do Porta dos Fundos e pelo espetáculo de improvisação Portátil, ele é formado em Letras e já publicou três livros sobre poesia, e criou o monólogo para homenagear sua língua-mãe. 

Sessão extra no dia 4 de abril, às 17h30, no Guairão. Comédia.

3 - “Cabaré Haikai” - sessão extra

No palco, os atores se debruçam sobre a obra literária e musical de Paulo Leminski, artista Curitibano reconhecido por explorar formas alternativas e experimentais, valorizando a liberdade criativa. 

Ao mesmo tempo, a peça mostra como o poeta utilizava a arte como forma de resistência cultural, expressão da individualidade e ferramenta para desafiar as normas pré-estabelecidas, como uma forma de celebrar a vida e o legado do artista curitibano, que faria 80 anos em 2024. A montagem também aborda como as suas reflexões e produções questionam a função da arte no contexto sociocultural brasileiro. A dramaturgia é assinada por: Estrela Leminski, filha do artista, Eduardo Ramos e Rodrigo Fôrnos.

Sessão extra no dia 25 de março, 21h, no Teatro Zé Maria.

4 - “Júpiter e a Gaivota - É Impossível Viver Sem o Teatro”

Espetáculo da Companhia Setor de Áreas Isoladas com uma nova escritura cênica da obra “A Gaivota”, do russo Anton Tchékhov. Em cena, é discutida a ideia de amor e evocação nos tempos atuais, a partir de uma leitura feminina, contemporânea e brasileira.

O enredo apresenta uma companhia latino-americana que precisa fazer teatro, e encara o não-saber dos tempos que virão a partir da obra tchekhoviana, eles fitam o não-saber dos tempos que virão. O “logo-depois”, é aí onde estão. Júpiter está irado, o mitificador está sempre à espreita e todas as espécies de gaivotas continuam sendo abatidas em pleno voo por homens que não sabem o que fazer com seus próprios egos. Os tempos não estão fáceis, nem para a companhia e nem para o público. Suas incertezas abraçam suas obsessões e é preciso carregar a cruz e suportar, e, entre taquicardias, ansiedades e gotas de passiflora, uma personagem resolve o enigma: é impossível viver sem o teatro!

Dias 3 e 4 de abril, às 20h30, no Guairinha.

5 - "Bom Dia, Eternidade"

O espetáculo do coletivo O Bonde traz uma abordagem sensível sobre o envelhecimento da população negra no Brasil.

A peça narra a trajetória de quatro irmãos idosos que, após quase sessenta anos, recebem a restituição do terreno de sua antiga casa, de onde foram despejados na infância. O reencontro os leva a uma profunda reflexão sobre o tempo, entrelaçando memórias e sonhos em um jogo de cortinas que revela um mosaico de histórias embaladas pela melhor música brasileira do século XX.

Em cena, estão quatro atores – Ailton Barros, Filipe Celestino, Jhonny Salaberg e Marina Esteves – que dividem o palco com quatro músicos com mais de 60 anos: Cacau Batera (bateria), Luiz Alfredo Xavier (violão e contrabaixo), Maria Inês (voz) e Roberto Mendes Barbosa (piano). Juntos, eles misturam ficção e memórias reais para contar uma história marcada por afetos, lembranças e música.

Nos dias 30 de abril, às 19h, e 31 de abril, às 20h30, no Teatro da Reitoria.

Outros espetáculos da Mostra Lúcia Camargo que ainda não esgotaram

“Ray - Você Não Me Conhece”

Musical que retrata a trajetória de Ray Charles desde os primeiros passos na música até sua consagração como um dos maiores ícones, ressaltando sua luta pelos direitos civis e o papel como voz contra as injustiças sociais.

Dias 27 e 28 de abril, às 20h30, no Guairão.

"Trivial, um espetáculo de B-boys"

Espetáculo de dança urbana com seis bailarinos da periferia. Eles cruzam o trivial cotidiano e as dificuldades comuns da região em que vivem e o preconceito com a expressão artística, em que dançar breaking é a forma de expressão e profissão que sustenta.

Dias 4 e 5 de abril, às 20h30, no Teatro da Reitoria.

"Sebastião" - sessão extra

O musical da companhia Ateliê 23, de Manaus, é inspirado no livro “Um Bar Chamado Patrícia”, do estilista Bosco Fonseca. A montagem coloca em cena questionamentos e afirmações sobre corpos que ainda estão à margem dos cuidados e do direito à existência.

Dia 6 de abril, às 16h, no Teatro Zé Maria.

"Encantado"

Espetáculo da Lia Rodrigues Companhia de Danças que se inicia no contexto da crise sanitária provocada pelo covid-19. A escolha desse título nasceu do desejo de usar a magia e a encantação como guias para conduzir o processo naquele momento dramático que vivemos no Brasil.

Nos dias 1º e 2 de abril, às 20h30, no Guairão.

"Língua"

O espetáculo foi criado em português e em Libras, e leva para o palco uma reflexão sobre os impasses da comunicação e o encontro entre culturas surdas e ouvintes.

A dramaturgia assinada pela dupla Pedro Emanuel e Vinicius Arneiro, em interlocução com Catherine Moreira, é na verdade uma criação coletiva com o elenco — Erika Rettl, Filipe Codeço, Jhonatas Narciso, Luize Mendes Dias e Ricardo Boaretto. A peça é uma continuação da pesquisa iniciada com "Aquilo De Que Não Se Pode Falar" (2021), indicada ao Prêmios APTR.

Dias 28 e 29 de março, às 18h30, no Teatro José Maria Santos.

"El Desmontaje"

No espetáculo de Montevidéu, Uruguai, a artista Jimena Márques se coloca no palco para desmontar a experiência teatral mais relevante de sua vida.

A montagem é um híbrido entre conferência, documentário e peça de teatro, que fala de uma história não contada, com o mito de Dionísio entrecortando acontecimentos biográficos, que dialogam com o testemunho de diversas personalidades do teatro nacional uruguaio.

No dia 30 de março, às 19h, na Caixa Cultural Curitiba.

33º Festival de Curitiba


Data: De 24/3 a 6/4 de 2025
Valores: Os ingressos até R$85 (mais taxas administrativas) e também atrações gratuitas.
Ingressos:  www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.
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Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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