O único debate realizado entre os três principais candidatos ao Governo do Paraná no primeiro turno da eleição de 2026 foi marcado por embates duros e críticas de todos contra todos. Em confrontos diretos, tanto Sergio Moro (PL) quanto Requião Filho (PDT) tiveram Sandro Alex (PSD) como principal adversário , por motivos diferentes. Moro teme a aproximação do adversário, e Requião precisa derrotá-lo para conseguir uma vaga no segundo turno.
O primeiro embate foi entre Moro e Sandro Alex, e incluiu uma acusação de que o governo de Ratinho Jr. (PSD) teria dado prioridade a uma estrada municipal que favoreceria o ministro Dias Toffoli por providenciar acesso ao Tayayá - resort que ele teria vendido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Sandro Alex, secretário de Infraestrutura de Ratinho negou que tenha beneficiado o Tayayá e afirmou que "burocratas como Moro" tentaram impedir obras como a da Ponte de Guaratuba.
No debate direto entre Sandro Alex e Requião Filho, o principal tema foram as escolas cívico-militares. O candidato do PSD disse que Requião pretende fechar as escolas militarizadas, que segundo ele seriam responsáveis por elevar o Ideb do Paraná. Requião respondeu que o Ideb paranaense só foi alto porque o governo de Ratinho fez a aprovação de alunos de maneira desmedida, e negou o fechamento de escolas - disse que quem fechou o ensino de jovens e adultos.
Os dois confrontos seguintes foram entre Moro e Requião Filho. O candidato do PDT perguntou se Moro continua acreditando, como escreveu, que os Bolsonaro não combatem a corrupção. Também cobrou a proximidade de Moro com o presidente de seu partido, o deputado Valdemar da Costa Neto. Moro rebateu acusando de corrupção o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o ex-secretário do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião.
O principal tema do confronto entre Moro e Sandro Alex no segundo bloco foi uma disputa para ver quem é mais ligado a Jair Bolsonaro. Sandro Alex disse que a culpa de Bolsonaro estar preso é de Moro, por ter supostamente votado a favor da indicação de Flávio Dino para ministro do Supremo Tribunal Federal - o que morou negou que tenha acontecido. Também acusou Moro de ter traído Bolsonaro ao abandonar o governo; disse ainda que o candidato do PL não deveria abandonar o Senado para ser candidato ao Governo do Paraná.
No último embate do segundo bloco, Requião e Sandro Alex discutiram empresas públicas. Por um lado, Requião acusou o governo Ratinho de ter prejudicado os paranaenses ao vender a Copel, o que resultou em um serviço pior e em tarifa mais cara. Sandro Alex respondeu dizendo que o adversário pretende quebrar contratos e repetir o "inchaço" das estatais do governo de seu pai - chegou a dizer que 26 familiares de Requião atuavam na Copel.
O terceiro e último bloco começou de novo com a disputa entre Sandro Alex e Sergio Moro. O candidato do governo Ratinho Jr tentou mostrar que Sergio Moro não conhece bem o Paraná, ao pedir que ele apresentasse obras de seu plano de governo para regiões específicas, como a região central do estado e o Vale do Ribeira. Moro respondeu chamando Sandro Alex de ingrato, uma vez que boa parte das obras do atual governo teria sido feita com dinheiro recuperado pela Lava Jato e com recursos de Itaipu.
O debate entre Requião e Moro foi novamente o mais tranquilo, com os dois criticando o reajuste da energia promovido pela Copel e com Moro pedindo que o candidato do PDT confirmasse que o governador Ratinho e Sandro Alex apoiaram Ademar Traiano (PSD), que admitiu ter recebido propina, na eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Paraná.
No último embate da noite, Requião Filho e Sandro Alex falaram principalmente sobre saúde. Requião Filho disse que, se não fosse pelo governo Lula, a saúde do Paraná estaria parada. Já Sandro Alex elogiou os hospitais no atual governo e disse que vai investir mais em transplantes e em UTIs aéreas a partir do ano que vem.