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Partidos concentram recursos na disputa da Assembleia e da Câmara

Cinco candidatos a deputado federal do União Brasil concentram R$ 14,5 mi dos R$ 22,3 mi do partido no Paraná; 11 estão sem R$ 1 mil. Veja a concentração por partido em 2026.

Por Robô
Partidos concentram recursos na disputa da Assembleia e da Câmara
Foto: Tami Taketani/Plural
Publicado em:

Cinco candidatos a deputado federal do União Brasil concentram quase dois terços de todo o dinheiro que o partido colocou nas campanhas do Paraná — R$ 14,5 milhões de um total de R$ 22,3 milhões —, enquanto 11 dos 41 candidatos da sigla chegaram à reta final com menos de R$ 1 mil em caixa. O caso é o retrato mais claro de um padrão que se repete nos partidos paranaenses: o dinheiro se concentra em poucos nomes com chance real de eleição, e a base da chapa disputa quase sem recursos. Os dados são da prestação de contas do TSE.

> Atualização dos dados: os valores refletem a prestação de contas divulgada pelo TSE em 20 de setembro de 2026. A prestação segue em aberto e pode mudar nas próximas atualizações.

No União Brasil, o topo é ocupado por Paulo Litro (R$ 3,03 milhões), Diego Garcia (R$ 2,97 mi), Hermes Frangão Parcianello (R$ 2,92 mi), Luisa Canziani (R$ 2,90 mi) e o delegado Matheus Laiola (R$ 2,71 mi) — todos candidatos à Câmara federal, cada um com cerca de 13% do bolo. Juntos, os cinco somam 65% de todo o dinheiro do partido.

Os outros 36 candidatos do União a deputado dividem os 35% restantes — e, entre eles, 11 não passaram de R$ 1 mil. A melhor colocada fora do grupo dos cinco é a estadual Andressa Bianchessi, com R$ 1,15 milhão; do meio da chapa para baixo, o que sobra é pouco mais que troco. É uma chapa enxuta no dinheiro: a sigla escolheu bancar meia dúzia de apostas na disputa federal e deixou o resto por conta própria.

Concentração do dinheiro por partido

Como cada partido repartiu o dinheiro entre seus candidatos a deputado (federal e estadual) no Paraná, do maior caixa para o menor. Quanto maiores as faixas azul e verde, mais o dinheiro está em poucos nomes.

Maior candidato2º ao 5ºDemais da chapa
PPR$ 35,2 mi
9%
31%
PSDR$ 30,6 mi
10%
24%
PLR$ 29,3 mi
9%
32%
PTR$ 25,8 mi
12%
34%
UNIÃOR$ 22,3 mi
14%
52%
REPUBLICANOSR$ 19,9 mi
14%
30%
MDBR$ 16,8 mi
16%
25%
NOVOR$ 16,0 mi
13%
33%
PODER$ 10,8 mi
15%
38%
PSBR$ 7,6 mi
33%
24%
PDTR$ 7,5 mi
40%
23%
PSDBR$ 7,4 mi
26%
35%
CIDADANIAR$ 3,1 mi
23%
55%
SOLIDARIEDADER$ 2,2 mi
43%
43%
PSOLR$ 1,3 mi
49%
25%
AVANTER$ 1,1 mi
27%
54%

No União, os cinco maiores levam 65% de R$ 22,3 mi. No PDT, o maior sozinho leva 40%. Já PP, PSD e PL espalham: o maior fica com menos de 10%. Fonte: prestação de contas do TSE (20/09/2026); deputado federal e estadual, partidos com 10+ candidatos e mais de R$ 1 mi.

Se o União concentra em um grupo, o PDT concentra em um nome só. Dos R$ 7,5 milhões que o partido destinou aos candidatos a deputado, R$ 3 milhões (40%) ficaram com o ex-governador Roberto Requião — a maior fatia destinada a um único candidato entre os partidos com caixa relevante no estado. Depois dele, já bem distantes, vêm dois nomes com pouco mais de R$ 400 mil cada: o candidato a deputado estadual Goura e Thadeu Requião. Somados os três maiores, o partido concentra pouco mais da metade do seu caixa.

O mesmo desenho, em escala menor, aparece em outras siglas: no Solidariedade, um único nome (Galo da TV) levou 43% do dinheiro; no PSB, Luciano Ducci ficou com 33%; no PSDB, Beto Richa, com 26%. São partidos que transformam o cabeça de chapa em puxador de votos e apostam nele a maior parte dos recursos.

Os grandes espalham mais

No outro extremo estão os partidos com as maiores caixas do estado, que distribuem melhor. No PP (R$ 35,2 milhões em deputados) e no PSD (R$ 30,6 milhões), o candidato mais bem financiado fica com apenas 9% e 10% do total; no PL (R$ 29,3 milhões), 9%. PT, Novo, Republicanos e MDB seguem o mesmo caminho, com o maior nome ficando entre 12% e 16%.

São chapas mais estruturadas, com uma dúzia de nomes competitivos em vez de uma estrela só — e, coerentemente, com bem menos candidatos zerados. A diferença de estratégia fica clara na comparação: enquanto no União cinco nomes levam 65%, no PSD são precisos os oito maiores para chegar perto disso.

Dois casos pedem leitura cuidadosa. O Democrata parece o mais desigual, mas na verdade não tem dinheiro nenhum para concentrar: os 27 candidatos a deputado do partido no Paraná estão todos abaixo de R$ 1 mil. É ausência total, não concentração. O PRD, por sua vez, tem o índice de concentração mais alto de todos — um só nome com 82% —, mas sobre um total irrisório de R$ 72 mil. Por isso, ao falar em concentração, o que importa é cruzar a desigualdade com o tamanho do caixa: é aí que União e PDT se destacam.

Como apuramos esta reportagem

Os valores vêm da prestação de contas eleitorais do TSE (dado de 20 de setembro de 2026), somando o total arrecadado por cada candidato a deputado federal e estadual do Paraná e agrupando por partido. Para medir a concentração, usamos a fatia do dinheiro do partido que fica com os maiores candidatos e o índice de Gini — de 0 (dinheiro distribuído por igual) a 1 (tudo em um nome só). Foram considerados os partidos com pelo menos 10 candidatos a deputado no estado. A prestação segue em aberto e os valores são preliminares.

Perguntas rápidas

Qual partido mais concentra o dinheiro em poucos nomes no Paraná? No União Brasil, cinco candidatos a deputado federal ficam com 65% do dinheiro do partido. No PDT, um único nome — Roberto Requião — leva 40%.

Quantos candidatos do União estão sem dinheiro? 11 dos 41 candidatos a deputado têm menos de R$ 1 mil em caixa.

Quais partidos distribuem melhor? PP, PSD e PL: o candidato mais financiado de cada um fica com cerca de 9% a 10% do total.

O Democrata não é o mais concentrado? Não. O Democrata não tem dinheiro — os 27 candidatos a deputado estão abaixo de R$ 1 mil. Isso é ausência de recursos, não concentração.

Robô

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