A direita já tem pelo menos cinco pré-candidatos às duas vagas do Paraná no Senado em 2026, mas a esquerda ainda não colocou nenhum nome para a disputa. Com tantos nomes ligados ao governador Ratinho Júnior (PSD) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a avaliação é que a direita poderá dividir seus votos, o que poderia abrir caminho para um candidato ligado ao campo progressista.
Os principais nomes da direita são o governador Ratinho Júnior (PSD), caso não concorra à Presidência da República, e o deputado federal Filipe Barros (PL), que já é formalmente apoiado por Bolsonaro. Outros três nomes correm por fora: Cristina Graeml (Podemos), Deltan Dallagnol (Novo) e Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba, que pode deixar o PL para tentar uma candidatura em 2026.
No PT, os principais nomes seriam a ministra Gleisi Hoffmann, o presidente da Itaipu Binacional, Ênio Verri (que pode concorrer ao governo) e a deputada federal Carol Dartora. O partido, no entanto, esbarra na necessidade de ter bons nomes na disputa por vagas de deputado federal, para aumentar as chances de a legenda ter uma boa bancada na Câmara. Outro nome do partido é o deputado federal Zeca Dirceu, que confirmou a intenção de disputar a vaga.
Fora do PT, um possível concorrente é o ex-governador Roberto Requião, que vai oficializar sua filiação ao PDT no próximo dia 16. Requião foi senador por três legislaturas e acabou derrotado em 2018, mas seu nome ainda tem grande penetração no interior. O PDT poderia investir ainda nos deputados estaduais Goura ou Requião Filho (que já demonstrou a intenção de disputar o governo do estado) ou no ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet.
Uma opção para tentar garantir a vaga no estado e impedir a vitória de mais um bolsonarista seria concentrar as forças na reeleição de Flávio Arns (PSB). Em maio, Arns disse que ainda não tinha decidido se vai tentar um novo mandato. Os nomes dos deputado federais Aliel Machado (PV) e Luciano Ducci (PSB) também aparecem como uma opção, mas Machado é pouco conhecido pelo eleitorado da capital e Ducci não conseguiu nem chegar ao segundo turno na eleição municipal do ano passado.
Zeca Dirceu confirmou ao Plural que pretende colocar seu nome para a disputa por uma das vagas no Senado. “Tenho toda a disposição, mas não decidi nada ainda em razão do processo de eleição interna”, afirmou o deputado. “Quero conversar até final do ano com as novas direções estadual e nacional, como também com o presidente Lula. Depende muito da disposição deles em ajudar, o PT com certeza tem condições de eleger um senador no Paraná, já elegeu dois, Flavio Arns em 2002 e a Gleisi Hoffmann em 2010”.
Projeto 2026
Em ato na Avenida Paulista no dia 29 de junho, Bolsonaro disse que nem precisará sem presidente a partir de 2027 (e nem poderá, já que está inelegível): bastaria ter a maioria do Congresso. "Me deem 50% da Câmara e do Senado que eu mudo o destino do Brasil, nem preciso ser presidente", disse.
A frase confirma o projeto da extrema direita para as eleições do próximo ano: ter a maioria do Senado, o que possibilitaria limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF) e promover o impeachment de ministros do Supremo. Além de criar uma série de dificuldades para o governo (caso a direita não venha a vencer a corrida presidencial): hoje, com uma maioria ligada ao Centrão, o Congresso já tem imposto uma série de derrotas ao Executivo.
“O projeto da direita em todos os estados é eleger um nome ligado a Bolsonaro e compor a segunda vaga com o Centrão. Haveria uma série de mudanças legislativas a serem feitas, para retirar do Supremo a prerrogativa de legislar”, diz o cientista político e professor da UEL Mário Sérgio Lepre. “O Supremo já percebeu isso. Bolsonaro deve ser condenado até setembro e retirado da articulação política. O Filipe Barros tem o apoio, mas preso ele não poderá vir para o estado fazer campanha. E outros se apresentarão como candidatos dele”.
Para Lepre, um leque tão amplo de opções à direita pode abrir caminho para um candidato de esquerda crescer e disputar a segunda vaga para o Senado. “Se trouxerem apenas um nome e jogarem todas as fichas nesse nome, com a direita dividida, a esquerda tem mais chance. Pode ser alguém que compõe com a esquerda, como o Flávio Arns ou o Requião”.
Doutor em Ciência Polícia, Mateus Martins de Albuquerque avalia que muitos dos pré-candidatos da direita aguardam uma definição por parte de Ratinho Júnior. “Esse atores estão colocando seus nomes muito pela incerteza em relação à disputa ao governo e à Presidência. O Ratinho Júnior é um player que pode sair do jogo”, disse. “Esse número tende a diminuir, é uma pulverização que aparece muito pela incerteza quando à figura do Ratinho Júnior. Outra possiblidade é que esses nomes estejam apostando em pegar a segunda vaga, já que no Paraná a esquerda tem uma dificuldade muito grande de ficar com essa vaga”.