Mulheres de diversos Estados do Brasil e de países como Portugal e Itália integram o Coletivo Marianas, criado em 2014, em Curitiba, pela escritora Andréia Carvalho Gavita. A iniciativa é feminista e tem objetivo de dar espaço às mulheres na literatura.
Em 2014 Gavita, que integrava um outro grupo de mulheres, o Coletivo “Meninas que escrevem em Curitiba”, criou o Marianas, O nome homenageia a escritora Mariana Coelho (1857–1954), portuguesa que fez a carreira literária em Curitiba, mas também remete ao aprofundamento.
“Além da homenagem à nossa ‘padroeira’ Mariana Coelho, que era uma feminista ferrenha, mas também se refere às fossas marianas, que são a maior profundidade que existe no planeta, porque as Marianas trazem essa profundidade”, explica Maria Lorenci, que desde o começo integra o coletivo.
Como virar Mariana
Para ser uma Mariana basta escrever. O processo de integrar o coletivo é simples: a mulher pode acompanhar as atividades realizadas pelo coletivo e participar das discussões virtuais (veja aqui os detalhes). O coletivo trabalha com acolhimento das escritoras, que vencem a timidez em um ambiente de sororidade e feminismo.
Isso aconteceu com a jornalista Leticia Lopes, que soube de um dos saraus organizados pelo Coletivo Marianas e foi até lá acompanhada do marido. “Fui sem conhecer ninguém, li o meu texto, fui aplaudida e acolhida e aí entrei para o coletivo”, revela.

Os livros publicados pelo coletivo abarcam prosa, poesia, mas também romance e nem sempre se encaixam na definição técnica destes textos. “Essa coisa de a gente ser feminista tem muito disso, de poder trazer essa pluralidade, essa diversidade, acolher e disseminar o que é produzido pelas mulheres”, diz Danielle Rech, também membro do coletivo, que acolhe todas as mulheres.
Publicando
O trâmite para ser uma escritora não é fácil: submeter um original para uma editora, ter o texto aceito, revisão, preparação, escolha da capa e uma infinidade de procedimentos até o livro ir para a rua. Isso pode intimidar muitas mulheres, mas no Coletivo Marianas – que agora também é ponto de cultura – existe uma parceria com a Editora Donizela, que viabiliza projetos editoriais atendendo aos critérios do grupo.
Além da venda dos livros, o coletivo também conta com contribuições voluntárias das mulheres membros, para manter participação em feiras, hospedagem do site, armazenamento das obras etc. A ajuda financeira não é obrigatória.
Atividades
A agenda do Coletivo Marianas é sustentada por eventos regulares, oficinas e projetos editoriais. Entre as principais ações está a Letra de Mulher, roda de poesia realizada todo primeiro domingo do mês na Feira do Poeta, no Largo da Ordem. A iniciativa, criada por Priscila Prado e Andréia Gavita, já ultrapassou 80 edições. Outro projeto permanente é a Prosa de Mulher, encontro bimensal voltado à discussão de narrativas em prosa, coordenado pela escritora Susan Blum no Cefúria.
O coletivo também promove um Ciclo de Oficinas, sob coordenação de Danielle Rech, com atividades de incentivo à leitura e à escrita, oferecidas em formatos presenciais e virtuais. As ações se estendem ainda a bibliotecas e universidades, com apresentações de livros infantis na Biblioteca Pública do Paraná, coordenadas pela escritora Francine Cruz, e rodas de conversa na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Feliz aniversário, Marianas!
Para comemorar os doze anos, neste domingo (01), acontece o Letra de Mulher, na Feira do Poeta. O evento, além de reunir escritoras e pessoas que apreciam prosa e poesia, é o 85º organizado pelo coletivo.
Evento: 85º Letra de Mulher - 12 anos do Coletivo Marianas
Data: 1 de fevereiro
Horário: Das 10h às 13h
Local: Feira do Poeta — R. Cel. Enéas, 30 - São Francisco — Centro
Entrada gratuita
