Pular para o conteúdo

Câmara aprova moção de protesto contra uso de linguagem neutra em vídeo da UFPR

Vídeo promovia o acolhimento de novos calouros da Universidade Federal do Paraná

Câmara aprova moção de protesto contra uso de linguagem neutra em vídeo da UFPR
Publicado:

A Câmara de Curitiba passou mais de uma hora na manhã desta segunda-feira (17) discutindo uma moção de protesto contra o uso de linguagem neutra num vídeo da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Apresentado por quatro representantes da “nova direita”, o requerimento acabou aprovado por 20 votos, com voto negativo de apenas 5 vereadores.

A discussão teve como origem um vídeo divulgado nas redes sociais da UFPR em que alunos davam boas-vindas aos calouros deste ano, usando termos como “bem-vindes” e “caloures”. Os estudantes justificam no próprio vídeo a linguagem dizendo que é importante o acolhimento a quem está chegando à vida universitária.

Os ultramontanos da Câmara juram que não queriam repudiar a Universidade em si, mas sim o vídeo difundido pelo perfil oficial da UFPR. E, para defender seu ponto de vista, usaram argumentos baseados num purismo linguístico que hoje não é mais aceito nem levado a sério pelos linguistas.

Alguns, como o vereador Olímpio Mundo Polarizado (PL) levaram a discussão a extremos, dizendo que o uso não só da linguagem neutra como também de gírias é deletério para a formação do processo cognitivo das pessoas. Ou seja: quem não aprende exclusivamente a norma culta do português tende a ficar mais burro. O vereador não apresentou qualquer estudo que confirme a tese.

Eder Borges (PL), ao ouvir seus opositores dizerem que a Câmara apareceria na imprensa como uma instituição que não apenas perde tempo como também ataque a universidade mais antiga do país, tentou ser ameaçador, prometendo processo contra qualquer jornal que divulgasse essa “inverdade”.

Alguns vereadores tentaram alertar os vereadores de fatos básicos da linguística, principalmente lembrando que as línguas são vivas, e se modificam com o passar do tempo. Portanto, se uma palavra, uma construção ou uma pronúncia não estão de acordo com a norma culta, isso pode significar meramente que a língua está se modificando.

Qualquer um que estude línguas hoje sabe que, caso não houvesse transformação no modo como as pessoas falam, o latim jamais teria se transformado, por exemplo, no português e nos demais idiomas a que deu origem. Processo, aliás, que foi feito espontaneamente pelos falantes e sempre contrariando a norma multa estabelecida em cada momento da história.

Perda de tempo

Além de perderem tempo discutindo a linguagem neutra, os vereadores perderam tempo discutindo se a discussão era ou não uma perda de tempo - o que, aliás, tem se transformado em uma regra nas sessões da Câmara desde que a bancada de youtubers assumiu no início deste ano.

Na semana passada, por exemplo, o processo de votação de um simples título de vulto emérito para o ator Alexandre Nero gastou quase toda uma manhã da Câmara, e terminou com a homenagem negada em função das posturas políticas do artista.

Tags: Paraná

Mais em Paraná

Ver todos

Mais de Autor Não Encontrado

Ver todos

De nossos parceiros