Dez paranaenses e três empresas do Paraná aparecem na lista da Advocacia-Geral da União (AGU) que relaciona nomes ligados ao financiamento do ato golpista em Brasília, no último domingo (8).
O documento foi encaminhado à Justiça Federal do Distrito Federal. Em medida cautelar, a AGU pediu o bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens de 52 pessoas e sete empresas que financiaram o fretamento de ônibus para os atos golpistas. Os ataques, considerados os mais graves desde a redemocratização, resultaram na destruição dos prédios públicos na Praça dos Três Poderes.
Na lista, estão nomes de paranaenses.
Entre empresas e entidades do estado, foram apontados o Sindicato Rural de Castro; RV da Silva Serviços Florestais, em Piraí do Sul; e a Associação Direita Cornélio Procópio. Em nenhum dos estabelecimentos as ligações do Plural foram atendidas.
Pessoas físicas também aparecem no documento (veja abaixo quem são). A reportagem apurou que já houve contato da Polícia Federal com os envolvidos. Antes da lista se tornar pública, eles foram procurados pelos agentes.
Segundo a AGU, o montante bloqueado será destinado ao reparo dos danos causados pela depredação de patrimônio público, caso haja condenação. Os ataques destruíram ambientes nas sedes da Presidência da República, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). O Plenário da Corte teve cadeiras e móveis arrancados e foi praticamente minado. Obras de arte nos três prédios foram vandalizadas - algumas até roubadas. Somente na Câmara dos Deputados e no Senado, o prejuízo estimado foi de pelo menos R$ 7 milhões.
A AGU não descarta aumentar o valor a dos bloqueios em bens na medida em que a contabilização dos prejuízos, que ainda não foi concluída, avance.
Investigados por financiamento de ato golpista
-Vanderson Alves Nunes, de Francisco Beltrão - Até o momento, a reportagem não conseguiu os contatos do citado.
-Stefanus Alexssandro Franca Nogueira, de Ponta Grossa - Até o momento, não foi possível contato por nenhum dos telefones obtidos pela reportagem em nome da citado.
-Ruti Machado da Silva, de Nova Londrina * - Nega qualquer envolvimento. Segundo a citada, a responsabilidade pela caravana foi do genro. Ele é quem teria colocado o nome de Ruti Machado da Silva na nota fiscal de contratação do ônibus fretado. O genro e o filho da citada participaram dos atos. Ela afirmou não ter ido para Brasília e acrescentou que todos os esclarecimentos já foram prestados à Polícia Federal em depoimentos nesta quarta (11) e quinta-feira (12).
-Pedro Luis Kurunczi, de Londrina - A reportagem foi atendida pelo escritório de advocacia Barroso e Barroso, de Londrina, um dos telefones relacionados ao nome do citado. A secretária não esclareceu qual a relação de Pedro Luis Kurunczi com a empresa, mas afirmou que encaminharia a ele o pedido de contato. O Plural aguarda o retorno e atualizará o material assim que acionado.
-Marcelo Panho, de Foz do Iguaçu - Até o momento, a reportagem não conseguiu os contatos do citado.
-Leomar Schinemann, de Guarapuava - Até o momento, não foi possível contato por nenhum dos telefones obtidos pela reportagem em nome da citado.
-Adriano Luis Cansi, de Cascavel - A reportagem conseguiu contato nesta sexta-feira (13). Por telefone, ele negou as acusações e disse que as depredações foram provocadas pelo PT (Partido dos Trabalhadores). O Plural se colocou à disposição para mais esclarecimentos, caso julgue necessário.
-Jose Roberto Bacarin, de Cianorte - nega envolvimento. O Plural se colocou à disposição para mais esclarecimentos, caso julgue necessário.
-Adriane De Casia Schmatz Hagemann, de Realeza - Até o momento, não foi possível contato por nenhum dos telefones obtidos pela reportagem em nome da citada.
-Ademir Luis Graeff, de Missal - nega que tenha qualquer envolvimento. Afirma que não soube de nenhum ônibus que saiu de Missal e que não tem qualquer relação com financiamento dos atos.
*A reportagem errou ao identificar Ruti Machado da Silva como sendo de Londrina. O correto é Nova Londrina