Podcast - Educação e ensino | Plural
6 out 2019 - 17h30

Podcast – Educação e ensino

A escola é o lugar precípuo do ensino e um lugar destacado da educação. A família é o lugar precípuo da educação

O professor ensina com seus conhecimentos. E educa com seus exemplos, sua prática. Pouca gente pode ensinar, porque ensinar implica um conhecimento prévio, especializado, sobre algo que se queira aprender. Conhecimento é conhecimento científico. A palavra científico tornou-se desnecessária há muito tempo, desde o fim da Idade Média, mas agora é preciso reafirmá-la, porque esse mundo é mesmo uma bola. Isso foi uma metáfora mas, sim, que o mundo é uma bola, isso também precisa ser reafirmado.

A criança, o jovem, conhece o que lhe ensinam e se educa com os exemplos e práticas dos adultos. São ensinados e são educados. Em casa também se educa, quando os pais são exemplos. Não pelas palavras, mas pelos atos. Mas nem sempre isso acontece. Não basta ser pai ou mãe para ter um diploma eterno de educador. Ninguém se educa quando os pais dizem que devem amar o próximo e não interagem com os vizinhos ou odeiam minorias étnicas; nem se educam quando os pais dizem que não devem mentir e pedem para dizer que não estão para quem bate à porta; menos ainda se educam quando os pais batem, xingam, são preconceituosos. O exemplo é que educa. E educar é sempre tornar-se uma pessoa mais civilizada, ou seja, capaz de conviver com quem não é da sua família, na cidade, no espaço público.

Também a escola educa as crianças e jovens. Mas um professor não educa quando fala em democracia e não ouve o que as crianças e jovens têm a dizer; não educa quando fala em convivência e é grosso com os alunos; não educa quando é preconceituoso, quando insulta, quando impõe sua autoridade com ameaças de expulsão ou notas baixas. Educar é tornar a pessoa mais tolerante, empática com os que não são amigos, com os estranhos que compõem o mesmo espaço no qual ela habita.

Aprendemos sobre o mundo e o universo e educamo-nos para cuidar dele; aprendermos sobre as águas, ventos, matas e bichos; educamo-nos para agir sempre em favor da continuação de uma vida autêntica para todos os que estão aqui e para os que virão. A educação faz de nós pessoas, cidadãos, conscientes de onde estamos e o que podemos fazer para manter e melhorar esse ambiente. O ensino nos dá as ferramentas de compreensão e transformação.

A religião surgiu no mundo associada ao desconhecido. Os primeiros deuses serviram para que as  coisas estranhas ganhassem sentido, e os humanos ofereceram sacrifícios para que esses deuses não fizessem  essas coisas estranhas e deixassem que eles seguissem seus afazeres diários em paz. Com o tempo, a razão foi ganhando autonomia e fixando os marcos do conhecimento das coisas: o sol não é um deus; o raio não foi lançado por um deus; o terremoto não é resultado da irritação de um deus; a morte não é um castigo de um deus. E então fomos aprendendo como são as coisas e como podemos melhorar o que é possível melhorar. A religião também permaneceu em nossas vidas, como um referencial de conduta, inclusive em relação à própria razão, quando essa se esquece que serve às pessoas e ao seu bem-estar. Nas democracias maduras, a religião e a escola convivem como campos distintos mas integrados, buscando o mesmo fim: o bem estar da comunidade.

A escola é o lugar precípuo do ensino e um lugar destacado da educação. A família é o lugar precípuo da educação, assim como são os meios de comunicação, os clubes, as igrejas, que também servem como lugares para ensinar. Não há um lugar exclusivo para uma coisa nem outra e muito menos excludente de uma coisa ou outra. E não deveria haver lugar nenhum para a intolerância e a violência, para o preconceito, a discriminação, para a destruição gananciosa, para o extermínio inconsequente. Estas práticas não se confundem nunca com educar. Ninguém pode dizer que “educa ao seu modo”, pois não há o modo “odeie” no menu da educação para a civilização.

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