Professor Ari, do Dom Bosco, morre de Covid em Curitiba | Jornal Plural
20 ago 2020 - 14h59

Professor Ari, do Dom Bosco, morre de Covid em Curitiba

Um dos fundadores do grupo Dom Bosco de Curitiba, na década de 1970, Ari tinha 74 anos

O historiador e professor Ari Herculano de Souza, um dos fundadores do grupo Dom Bosco, morreu na madrugada desta quinta-feira (20), em Curitiba, vítima de complicações causadas pela Covid-19. Casado e pai de três filhos, Ari tinha 74 anos e estava internado no Hospital Santa Casa.

O enterro ocorreu no cemitério Parque Iguaçu. Não houve velório ou homenagens, conforme protocolo da Secretaria Municipal de Saúde.

Catarinense de São João do Itaperiú, mas radicado na capital paranaense desde 1971, Ari marcou a vida de gerações de curitibanos. Para alunos e amigos, é irrefutável a máxima de que poucos dominavam tão bem como ele salas de aulas repletas de estudantes inquietos diante de tanto conteúdo e responsabilidade.

Foram 34 anos como professor do curso pré-vestibular Dom Bosco, mais do que o suficiente para reavivar a memória e a saudade de milhares de ex-alunos. Nos tablados à frente das centenas de cabeças inseguras, não era caricato, tampouco performático. Nem precisava. Era sua ânsia pela educação, pela reflexão e por um mundo melhor que fixava nele toda a atenção que buscava.

“A relação dele com o aluno era olho no olho”, relembra o ex-aluno e ex-companheiro de trabalho José Augusto Real Limeira, 56 anos. “A carreira dele como professor tinha um compromisso, tinha uma finalidade. O olhar dele sempre foi como quem realmente estivesse ali para compartilhar todo o conhecimento que tinha”.

Limeira também seguiu a carreira docente, numa inspiração que se espalhou por entre muitos admiradores. O analista fiscal, Ricardo Piantadosi Neto, 35 anos, é outro deles. Encontrou Ari já à frente do corpo diretor do grupo Dom Bosco, cargo que ocupou em paralelo à atividade de professor entre 1990 e 2010. Trabalharam juntos por cinco anos, mas mantiveram um laço de amizade que o analista vai levar para toda a vida.

“Costumo dizer que ele era um professor de História que deixou história. Mesmo fora da sala de aula, estava sempre ensinando. Certa vez, depois de um café que tomamos juntos, saí decidido a começar um curso de Letras. Não tinha como não se entusiasmar com o gosto que ele mostrava em relação à educação”, relembra Neto. “E também era um amigo para qualquer momento. Quando passei um tempo desempregado, foi a pessoa que mais me ajudou. Sabia das dificuldades financeiras que eu tinha e me chamou para trabalhar com ele. Estava sempre por perto”.

Causas de vida

Espirituoso, Ari entedia o poder das palavras e não media esforços para tentar explorar as vitórias e as amarguras da condição humana. Tecia mantras para ajudar e se ajudar, mas acreditava mesmo era na mudança do mundo. Para melhor, claro! Era uma das bandeiras de vida, de luta. Não estava nas salas de aula por acaso.

A ex-aluna e jornalista Veronica Macedo, g0 anos, não hesita em dizer que Ari será um professor eternizado por muitos que, a partir dele, passaram a refletir sobre a complexidade do aqui e do agora. Também ex-parceira de trabalho, ela relembra que a generosidade era uma de suas essências, e a transformação, sua grande convicção.

“Ele foi mais que professor, ajudou na minha formação como pessoa, fortaleceu meus valores e princípios. Sempre se posicionava de maneira muito efusiva em relação aos grandes conflitos que a gente vive. Além da tristeza em si que é essa pandemia, a gente está perdendo pessoas que são essenciais, e o professor Ari é uma delas. Ele vai, mas deixa um legado enorme para a formação humana de várias gerações”.

Depois de deixar o grupo Dom Bosco, Ari passou a trabalhar com assessoramento pedagógico em escolas e empresas. Nesse tempo, viajou por várias partes do Brasil, carimbando um pouco de seu entusiasmo pela educação em cada uma delas.

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Um comentário sobre “Professor Ari, do Dom Bosco, morre de Covid em Curitiba

  1. Fui aluno de cursinho do prof. Ari Herculano de Souza e estudamos uma especialização em filosofia no mesmo ano de 1991 na PUC PR onde havia me graduado em Filosofia entre 1988-1990. Me ajudou com orientações quando comecei a dar aulas de história e ospb para turmas do noturno no C. E. Bento M. da Rocha Neto no bairro Pilarzinho. Morava em Curitiba devido a graduação, e inspirado nesta figura cativante, resolvi voltar para Londrina e prestei vestibular na UEL iniciando o curso de História de 1992 a 1995. Grato e obrigado professor Ari. Sua existência será lembrada por todos nós que fomos tocados por sua sabedoria e maestria como ser humano bacana inscrito em nossa memória.

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