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O dia D de Nelson Justus

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Nelson Justus começou a década vendo seu poder e até sua liberdade serem ameaçados: a revelação de uma série de irregularidades, trazida à tona pela série de reportagens Diários Secretos, da Gazeta do Povo e da RPC, em 2010, custou-lhe a presidência da Assembleia Legislativa e rendeu vários processos.

Quem achava que Justus, uma espécie de “síndico” permanente de Guaratuba e um dos deputados mais enfronhados no poder do estado, cairia fácil, porém, se enganou. Tendo perdido a presidência, conseguiu se alojar num cargo quase da mesma importância, comandando a Comissão de Constituição e Justiça, por onde necessariamente passam todos os projetos de lei do estado.

Ao mesmo tempo, Justus foi se esquivando de possíveis condenações judiciais até chegar aos 70 anos (hoje tem 71), o que ajuda na prescrição e poderá mantê-lo fora da cadeia de uma vez por todas, apesar da grandiosidade de tudo que se descobriu sobre seu período na presidência. Se isso e o seu poder estão ou não ligados, difícil saber.

Fim de linha?

Nesta semana, porém, a sorte de Justus pode acabar. Depois de se manter por quase uma década à frente da CCJ, o deputado comprou sem querer uma briga com o novo governador, Ratinho Jr. (PSD), com o vazamento de um vídeo durante a campanha em que falava mal dele e de seu pai, o apresentador Ratinho.

O resultado é que pela primeira vez na história da Assembleia, um governador se intrometeu diretamente na eleição da CCJ. Ratinho declarou apoio ao oponente de Justus, Fernando Francischini (PSL), e mudou até a composição da comissão para ajudá-lo. Na semana passada, oito dos 13 deputados da CCJ declararam voto em Francischini por escrito, praticamente encerrando o caso.

A eleição está marcada para esta terça (12) – e Justus ainda não desistiu. Uns dizem que ele anda pedindo votos na base da compaixão. Que, se perder a CCJ, pode até ir preso. Outros afirmam que tem pressionado o colega de partido, Plauto Miró (DEM), que como primeiro vice-presidente comanda a eleição, a fazer votação secreta – o que permitiria a deserção de quem se comprometeu com Ratinho.

“Ele sabe que não tem como fazer isso. O Plauto está até evitando conversa”, diz um deputado. “Ainda mais depois de todo esse escândalo no Senado, só cogitar eleição secreta já complica toda a imagem da Assembleia”, afirma.

O Plural apurou que amigos de Justus devem procurá-lo nesta segunda para tentar convencer o deputado a desistir da candidatura. Em troca, poderia negociar um prêmio de consolação, como a presidência da comissão de Orçamento, ou a de Finanças. “É inútil insistir. Nosso papel é mostrar isso para ele, mas ele está renitente”, diz um deputado experiente.

Prefeitura

Articuladores da Assembleia, porém, dizem que Ratinho erra ao apostar em Francischini, e não em Justus. “O Justus provavelmente nem vai ser mais candidato, as negociações com ele seriam mais tranquilas. O Francischini quer ser prefeito, será que topa votar algum assunto impopular?”, pergunta um deputado.

Francischini é um dos dois possíveis candidatos de Ratinho à prefeitura de Curitiba. O outro é o seu secretário de Justiça, Ney Leprevost (PSD).


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