14 jan 2022 - 19h38

Vacinação de crianças de 5 a 11 contra a Covid-19 começa na segunda

Imunizante será aplicado primeiro no público com deficiência permanente e com comorbidades

Curitiba começa a vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 na segunda-feira (17). As primeiras doses fazem parte do lote de 65,5 mil vacinas que chegou nesta sexta (14) ao Paraná, enviadas pelo governo federal. A Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP) já adiantou estar planejando uma campanha para incentivar a adesão à imunização infantil – que começa em meio a um novo pico de casos de infecção pelo Sars-Cov-2 no país.

Na terça-feira (18), a imunização infantil segue com crianças de 9 a 11 anos com deficiência permanente e com comorbidades, que receberão o imunizante em dez unidades de saúde exclusivas para a vacinação do público infantil, conforme o estoque de doses (confira abaixo). Nesse primeiro lote, Curitiba recebeu 9.870 doses, suficientes para os grupos chamados no início da próxima semana.

A ordem de aplicação obedecerá a critérios técnicos elaborados pelo Ministério da Saúde. Primeiramente, serão vacinadas crianças de 5 a 11 anos com deficiência permanente ou com comorbidades; indígenas e quilombolas; e as que vivem em lar com pessoas com alto risco para evolução grave da doença. Só depois será iniciada a aplicação geral, em ordem decrescente de idade. Levantamento feito pelo Plural projetou que, no Paraná, a vacinação por idade só deve começar no fim de janeiro.

A vacina aplicada nesta etapa é do laboratório Pfizer. Tem dosagem e composição distintas da destinada à população a partir de 12 anos e é envasada em frascos de cor diferente, para evitar erros. Para crianças de 5 a 11 anos, os frascos terão tampa laranja e serão aplicadas duas doses de 0,2 ml, com ao menos 21 dias de intervalo entre elas. Para os maiores de 12 anos, a vacina terá tampa roxa e será aplicada em doses de 0,3 ml.

Na capital paranaense, fazem parte do novo público-alvo da campanha 164.821 crianças. A imunização infantil será feita nas unidades de saúde, locais já estruturados para a vacinação e com profissionais capacitados no manejo da vacina contra Covid-19, informou a prefeitura. É importante que pais ou responsáveis façam o cadastro prévio das crianças no aplicativo Saúde Já, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O governo federal definiu que, assim como para os adultos, a vacinação pediátrica não é obrigatória. No entanto, o esquema é uma medida essencial no combate à pandemia e à redução de casos entre as crianças. No Paraná, o vírus da Covid-19 contaminou uma média de 45 crianças de 5 a 11 anos por dia até agora, e médicos, especialistas e autoridades sanitárias ao redor do mundo dizem que seus efeitos entre o grupo não podem ser desprezados porque há menos chance entre eles de desenvolverem a forma grave da doença.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria afirmou que estuda uma campanha para incentivar a busca de pais ou responsáveis pelos imunizantes contra a Covid-19. Em documento científico publicado no último dia 3 de janeiro, a entidade nacional apontou estudos populacionais de soroprevalência por grupo etário realizados recentemente confirmam “as evidências epidemiológicas que apontavam que crianças e adolescentes são expostos ao vírus da mesma forma que adultos”, destacando ainda que o “papel das crianças na transmissão também já foi demonstrado em diversos estudos, particularmente das crianças maiores, sendo hoje reconhecidas como possíveis vetores de transmissão, mesmo que eventualmente com menor relevância que adultos”.

O presidente eleito da SPP, Victor Horácio de Souza Costa Júnior, disse que a entidade paranaense pretende estimular pais e também os próprios pediatras a aderirem à campanha – o que poderia reforçar a taxa de sucesso da imunização do público infantil no estado.

“A Covid é uma doença que matou várias pessoas no mundo. A população pediátrica não teve a mesma proporção de óbitos, mas é uma população extremamente vulnerável. Realizar a vacinação é proteger essa criança de uma evolução que pode ser tão grave quando do adulto, sim.”

Victor Horácio de Souza Costa Júnior, presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria.

“Com campanhas de incentiva à vacinação, notícias corretas com relação à eficácia e à segurança da vacina, e adesão os pediatras, falando para seus pacientes e pais que a vacinação deve ser feita, acredito, sim, que a gente vá ter uma adesão grande”, afirma o médico. “O que a gente não pode é ficar vivendo de fake news e de notícias inverídicas que aparecem o tempo todo na internet”.

Segundo o pediatra – médico do Hospital Pequeno Príncipe (HPP), hospital pediátrico de referência no Brasil –, pais e responsáveis precisam considerar que, apesar de menos impactados pela forma mais grave da Covid, crianças não são imunes ao vírus e às suas consequências.

“A Covid é uma doença que matou várias pessoas no mundo. A população pediátrica não teve a mesma proporção de óbitos, mas é uma população extremamente vulnerável. Realizar a vacinação é proteger essa criança de uma evolução que pode ser tão grave quando do adulto, sim. Criança também morreu, também teve evolução ruim, criança também ficou com sequelas. E tem mais um detalhe: a gente não tem vacina para doença que não mata, então é extremamente importante a gente vacinar”, afirma Costa Júnior.

Em posicionamento oficial sobre a imunização de crianças e adoentes, divulgado ainda em novembro do ano passado, a Organização Mundia da Saúde (OMS) pondera que os benefícios de vacinar o grupo “vão além dos benefícios diretos à saúde. “A vacinação diminui a transmissão de Covid nessa faixa etária e pode reduzir a transmissão de crianças e adolescentes para idosos, além de ajudar a reduzir a necessidade de medidas de mitigação nas escolas.”

Assim como todas as vacinas em uso no Brasil hoje, as doses pediátricas da Pfizer passaram por um complexo esquema de ensaios clínicos. Para ter o imunizante pediátrico aprovado no Brasil, a Pfizer apresentou resultados de um estudo clínico conduzido nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha e realizado com aproximadamente 3,1 mil participantes de 5 a 11 anos de idade vacinados. Os dados foram analisados por técnicos da agência em conjunto com representantes de sociedades médica, como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Instituto de Pesquisa do Hospital Albert Einstein.

Com base nas evidências científicas disponíveis, a Anvisa concluiu que o esquema de duas doses da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos de idade é segura e eficaz na prevenção da Covid-19 sintomática, na prevenção das doenças graves, potencialmente fatais, ou condições que podem ser causadas pelo Sars-CoV-2.

Em nota técnica divulgada em dezembro para enfatizar a importância da vacinação contra a Covid-19 em crianças, a Fiocruz contabilizava, até então 5.126 casos de contaminação pelo coronavírus na faixa etária de menores de 1 ano; 5.378 casos de 1 a 5 anos; e, de 6 a 19 anos, 9.396 casos. Em relação aos óbitos, haviam sido notificados até o período 1.422 óbitos por Covid-19, sendo 418 em menores de 1 ano, 208 de 1 a 5 anos e 796 de 6 a 19 anos.

O risco de não imunizar as crianças é mais alto que as reações

A Covid-19 já vitimou 620 mil pessoas no país, dentre essas, mais de 1.400 crianças. É mito, portanto, acreditar que os pequenos não desenvolvem sintomas sérios em decorrência da contaminação e, por isso, não devem ser vacinados. A vacinação segue sendo o meio mais seguro de conter a doença em todas as faixas etárias.

Em Nota Técnica, no dia 12 de setembro de 2021, o Ministério da Saúde dispõe orientações sobre identificar, investigar e manejar eventos adversos à vacina: a miocardite/pericardite. Segundo o relatório, os casos descritos na literatura até o momento ocorreram majoritariamente em indivíduos do sexo masculino de 12 a 30 anos. 

O Programa Nacional de Imunizações orienta que os profissionais de saúde fiquem atentos aos sintomas como dor no peito, falta de ar e palpitações, que podem estar relacionados ao imunizante. O diagnóstico precoce e assertivo diminui o risco de complicações.

Apesar das possíveis reações informadas pela Pfizer, o benefício da vacina ainda é altamente favorável, considerando que os eventos adversos são raros e, portanto, considerados de baixo risco. Nos Estados Unidos, foram registrados 8 casos de miocardite, com bom quadro de evolução, em mais de 7 milhões de doses administradas em crianças de 5 a 11 anos.

Segundo estudos citados na nota de posicionamento das Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI) a favor da imunização infantil, a eficácia da vacina para prevenção da Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos é de 90.7%. E não foram observados eventos adversos graves associados à vacinação. 

Cronograma

  • Segunda feira (17/1) – Vacinação de crianças de 5 a 11 anos acamadas, crianças institucionalizadas, indígenas e quilombolas

*Vacinação extramuros: As equipes da SMS vão até os locais para a aplicação da primeira dose da Pfizer pediátrica

  • Terça-feira (18/1) – Vacinação de crianças de 9 a 11 anos com comorbidades ou deficiência permanente

*Vacinação extramuros para as crianças acamadas e vacinação nas Unidades de Saúde para crianças com comorbidades ou deficiência. 

Documentação

  • Crianças acamadas

As crianças de 5 a 11 anos acamadas atendidas pelo SUS Curitibano terão a dose agendada a partir do contato telefônico das equipes da SMS com os familiares. 

Para as crianças dessa faixa etária que estão acamadas e são atendidas em leitos da rede privada, pais e responsáveis podem notificar a situação à SMS pelo Aplicativo Saúde Já Curitiba a partir desta sexta-feira (14) – basta baixar a atualização nas lojas de aplicativos para Android ou iOS – ou pelo site, escolhendo a opção “Paciente Acamado”.  

  • Crianças com comorbidades

O público infantil com comorbidades atendido pelo SUS precisa estar cadastrado no Saúde Já para receber a convocação para a vacinação via mensagem no próprio aplicativo.

Crianças com comorbidades atendidas na rede privada devem apresentar declaração emitida pelo médico que os acompanha, segundo o modelo disponível para esses profissionais no site do CRM-PR.

  • Deficiência permanente

Para as crianças de 5 a 11 anos com deficiência permanente, o familiar ou responsável deve apresentar documento que comprove a condição, como cartão-transporte da Urbs de isento para Pessoa Com Deficiência Permanente (identificado com a letra “I” no canto superior direito); identidade (RG) emitida a partir de 2019 com a indicação “Pessoa com Deficiência” ou declaração pelo médico que acompanha a criança.

Unidades de Saúde Exclusivas para vacinação contra covid-19 de crianças de 5 a 11 anos

No dia da vacinação é necessário que um familiar ou responsável acompanhe a criança para a assinatura do termo de consentimento. Deverão ser apresentados documento de identificação com foto, comprovante de residência em nome do responsável pela criança. As unidades funcionam das 8h às 17h.

  • Distrito Sanitário Bairro Novo: Unidade de Saúde Nossa Senhora Aparecida (Rua Carlos Amoretty Osório, 169, Sítio Cercado)
  • Distrito Sanitário Boa Vista: Unidade de Saúde Santa Efigênia (Rua Voltaire, 139, Barreirinha)
  • Distrito Sanitário Boqueirão: Unidade de Saúde Tapajós (Rua André Ferreira de Camargo, 188,  Xaxim)
  • Distrito Sanitário Cajuru: Unidade de Saúde Iracema (Rua Professor Nivaldo Braga, 1571, Capão da Imbuia)
  • Distrito Sanitário CIC: Unidade de Saúde Atenas (Rua Emilia Erichsen, 45,Cidade Industrial)
  • Distrito Sanitário Matriz: Unidade de Saúde Mãe Curitibana (Rua Jaime Reis, 331,Alto do São Francisco)
  • Distrito Sanitário Pinheirinho: Unidade de Saúde Fanny/Lindóia (Rua Conde dos Arcos, 295, Lindóia)
  • Distrito Sanitário Portão: Unidade de Saúde Santos Andrade (Rua Nelson Ferreira da Luz,145, Campo Comprido)
  • Distrito Sanitário Santa Felicidade: Unidade de Saúde Bom Pastor (Via Veneto, 10, Santa Felicidade)
  • Distrito Sanitário Tatuquara: Unidade de Saúde Santa Rita (Rua Adriana Ceres Zago Bueno, 1350, Tatuquara)
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