Três escolas de Curitiba têm casos confirmados de Covid-19 | Jornal Plural
12 fev 2021 - 20h09

Três escolas de Curitiba têm casos confirmados de Covid-19

Professora soube que estava contaminada logo após reunião pedagógica com a equipe

Os professores de Curitiba iniciaram o retorno presencial às escolas. As reuniões pedagógicas começaram nesta semana e os primeiros casos de Covid-19 nas instituições de ensino também. Na Rede Municipal, ao menos três casos da doença foram confirmados, dois no Boa Vista e um no Bairro Novo, onde uma professora testou positivo nesta terça-feira (9), após reunião com a equipe escolar.

“Ela tem um problema no fígado e achou que era isso. Disse que sentia só um mal estar, boca amarga e dor na costela, mas pensou que era uma intoxicação alimentar, por isso foi pra reunião da escola. Só quando o noivo ficou ruim, eles fizeram o teste, que saiu na terça a tarde, depois da reunião, e deu positivo”, conta uma colega da escola.

Segundo a professora, todos os cuidados de segurança foram tomados, como tapete higienizadores, álcool em gel, máscaras, salas arejadas (com ventiladores ligados) e distanciamento social. Também teve lanche. “Mas tudo separado, com papel filme e individualizado.”

“Sentimos que a direção está muito preocupada, afinal, todo mundo é professor, tem família, filho, mãe, pai idoso. Estamos com muitas dúvidas e as respostas não chegam; estamos numa angústia sem fim”, revela.

“Pensamos que tudo voltaria ao normal, mas não estamos vacinados e não deveria voltar dessa forma presencial enquanto não houver a vacina para todos os profissionais da Educação que estarão na linha de frente. Começando com os alunos, vão aparecer muitos casos. Eles são assintomáticos, trazem e levam pra casa. Infelizmente, mesmo com turmas menores, vai acontecer. Não vai ter como escapar disso”, avalia a educadora.

No Caic Bairro Novo, onde estão matriculados cerca de mil estudantes, foram ao menos duas mortes pela doença durante a pandemia, um professor e um inspetor. “Os dois na mesma semana. Estamos consternados, a morte passa pela cabeça da gente.”

Outra professora da escola, que também prefere não ser identificada, diz que teme por todos e que o medo é constante. “Qualquer um de nós pode ser contaminado e contaminar os outros, colegas e crianças, que podem contaminar suas famílias irmãos, pais, avós. Sabemos que o ensino remoto não é o ideal, não atende a todos, mas é mais seguro do que retomar presencialmente às aulas”, avalia.

“A falta de posicionamento da Secretaria Municipal de Educação em relação à pandemia está expondo a população de forma desumana. O Protocolo de Retorno das Aulas Presenciais tem muitas fragilidades, jamais será cumprido na íntegra”, acredita.

Sem surtos

Procurada pelo Plural, a Secretaria Municipal de Educação informou que a escola “tomou todas as providências”, mas não disse quais. Também não informou se haverá mudanças no cronograma de volta às aulas presenciais nas escolas com casos confirmados ou testes em massa nestas instituições.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que, “até o momento, não recebeu nenhuma notificação sobre surto de Covid-19 em estabelecimentos de ensino” e que cabe à pasta apenas definir os protocolos de segurança.

Falhas no protocolo

Sobre os protocolos de segurança, o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), que envolve cerca de 15 mil profissionais, divulgou recente documento no qual aponta 10 falhas no protocolo de volta às aulas. Segundo a entidade, será impossível conter os surtos de Covid-19 nas escolas após o retorno presencial dos alunos.

A obrigação da presença nas escolas provocou a aprovação do ‘estado de greve’ entre os professores da Rede Municipal, que na próxima segunda-feira (12) preparam um ato em frente à Câmara dos Vereadores. Eles protestam contra o projeto de lei que transforma a Educação em atividade essencial durante a pandemia.

“Curitiba não tem capacidade de detectar surtos nas escolas pois nem testa. A vacina não vem tão logo e até lá vamos ficar expostos ao vírus, sem testagem, sem transparência nas informações, sem nenhuma garantia que nos dê o mínimo de segurança para o trabalho?”, questiona Wagner Argenton, professor e diretor do Sismmac. “A sensação generalizada nas escolas hoje é de medo e insegurança.”

O diretor destaca que há testes e capacidade para testagem em massa no Município. “O correto seria testar todos antes do retorno pois estamos falando de vidas, e de vidas de crianças também. Rafael Greca, ao ser reeleito, disse que só voltariam as aulas com vacina e que não seria responsável pela morte de inocentes. Então resta saber se ele vai assumir a responsabilidade, porque essa responsabilidade é do governo”, conclui.

Segundo o Sismmac, as outras duas escolas municipais com casos confirmados de Covid-19 entre os profissionais de Educação são: Lauro Esmanhoto e Bela Vista do Paraíso, ambas no bairro Boa Vista. Há também três professores suspeitos em escolas dos bairros Cajuru e Boqueirão.

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12 comentários sobre “Três escolas de Curitiba têm casos confirmados de Covid-19

  1. EM Santa Ana Mestra (Tatuquara) também teve caso de professora testando positivo esta semana, além das escolas citadas na matéria. Esta gestão municipal age com descaso com a vida dos servidores e de toda população de Curitiba.

  2. Tem duas professoras que foram afastadas por precaução nesta sexta no CIC e em Santa Felicidade por terem familiares de convívio domiciliar que testou positivo. Estamos em alerta nas escolas.

  3. “Secretaria Municipal de Educação informou que a escola “tomou todas as providências”,”. Sobre esta afirmação, é colocar a responsabilidade de uma situação gravíssima apenas nos gestores da escola e se eximir da ação de prevenção. Sem vacina, os profissionais estarão sob risco. A sociedade precisa ir até as escolas e verificarem o que realmente está sendo ofertado. A propaganda está grande. Segurança não se vende em outdoor. Os pais precisam saber que é responsabilidade dele a escolha de enviar seu filho. Os profissionais apenas darão suporte precário, pois precário também é o suporte oferecido a eles.

  4. As escolas civico-militares do município de Colombo estão sem diretores e monitores militares, os uniformes só serão entregues para os alunos e para a população a secretaria de educação passa a imagem de que está tudo organizado e é uma MENTIRA.

    1. Olá, Cristiane, a informação foi confirmada pelo Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), que representa os professores da escola. Voltaremos a falar dos casos suspeitos e confirmados nesta semana, acompanhe aqui no Plural.

  5. Olá! No protocolo municipal não há nenhuma orientação Qt a medidas depois de se confirmar casos positivos e pela resolução SESA a unidade só será fechada por 14 dias após ser confirmado epidemia. Porém não podemos exigir testagem mesmo para os que apresentarem sintomas, e sem testes não há como identificar epidemia nas unidades educacionais.

  6. No protocolo de retorno há o seguinte item ” Fazer uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para a
    realização de reuniões e eventos à distância. Se necessário o encontro
    presencial, optar por ambientes bem ventilados, fazendo uso de escalonamento para os atendimentos.” A secretaria de educação e núcleos estão agindo de forma contraditória as próprias orientações apresentadas pelos mesmos, já que nestes quatro dias foram presenciais, reuniões para: conhecimento do protocolo municipal; semana pedagógica e construção de um protocolo da unidade baseado no municipal. Fica a pergunta, se os itens listados eram esses havia necessidade de ser totalmente presencial. Se houvesse um treinamento faria todo sentido em ser presencial.

  7. A situação das escolas é muito grave. É preciso mostrar para a população que as escolas não estão preparadas para o retorno presencial. Faltam funcionários, EPIs, acesso à Internet com banda suficiente para a transmissão simultânea das várias salas de aula de cada escola, equipamentos adequados (eles pensam em transmitir as aulas a partir de câmeras e microfones de notebooks – o aluno que estiver em casa não vai conseguir ver nem escutar a aula!!), falta treinamento, faltam protocolos claros de proteção e atendimento de casos suspeitos e confirmados. Além do risco que todos correm, os alunos serão ainda mais prejudicados!

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