Teste rápido para covid-19 está nas farmácias de Curitiba | Plural
21 Maio 2020 - 23h17

Teste rápido para covid-19 está nas farmácias de Curitiba

Entenda como o exame funciona e em que situações ele deve ser feito. Objetivo é detectar imunidade contra coronavírus, que pode demorar dias após a contaminação

Os testes rápidos de coronavírus – liberados para comercialização em farmácias pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – ainda causam dúvidas com relação à confiabilidade do resultado. Antes de pagar entre R$ 180 e R$ 300 para saber se contraiu o vírus, é bom entender como o exame funciona e em que situações ele deve ser feito, já que a eficácia depende, dentre outros fatores, da qualidade do procedimento e do momento de sua realização.

Cassyano Correr, mestre em Ciências Farmacêuticas e doutor em Medicina Interna, afirma que, se executados de forma correta e a partir do oitavo dia do aparecimento dos sintomas, os testes rápidos de boa qualidade, certificados e validados, têm entre 80% e 100% de chance de acerto.

Fazer o teste no momento certo é essencial para obter resultados confiáveis, pois o exame não detecta a presença do vírus mas a de anticorpos contra o coronavírus. Segundo o farmacêutico, “o objetivo do exame não é saber se você está com o vírus; é saber se você tem imunidade contra o vírus.”

Desenvolver anticorpos em quantidade suficiente para serem detectados pelo teste pode levar dias. No caso da covid-19, o tempo de resposta do corpo humano à infecção, chamado de janela imunológica, é de cerca de sete dias.  “O que dizem por aí, que ele erra 70% das vezes, é mentira. Ele erra 70% das vezes se você fizer na hora errada. Se a pessoa está com dois dias de febre e faz o teste, não vai dar positivo, mesmo que ela esteja com coronavírus, porque não deu tempo de produzir anticorpo. É o famoso falso negativo”, explica Correr.

O teste rápido detecta dois tipos de anticorpos, os chamados IgG e IgM. Os anticorpos do tipo IgM são os primeiros a aparecer no processo de defesa do organismo, estando relacionados a infecções recentes. Os IgG são produzidos mais tardiamente e permanecem no corpo como uma espécie de memória imunológica. O exame é indicado, portanto, para quem tem sintomas há oito dias ou mais, para quem teve sintomas no passado e se curou e, também, para quem teve contato de risco há pelo menos 20 dias, ainda que esteja assintomático.

Para o profissional, que coordena o Programa de Assistência Farmacêutica Avançada da Associação Brasileira de Redes de Farmácias (Abrafarma), o treinamento detalhado dos farmacêuticos, um protocolo padronizado de atendimento e o suporte de num laboratório de retaguarda são fundamentais para  garantir a qualidade do processo e a confiabilidade do produto.

Como é feito o exame 

O teste é realizado nas farmácias, a partir da coleta de algumas gotas de sangue da ponta do dedo do paciente. O sangue é colocado em uma pequena placa. Em cerca de 20 minutos, o resultado aparece na forma de marcas coloridas, semelhante a um teste de gravidez. Se a pessoa tiver desenvolvido defesa recente contra o coronavírus, a faixa do IgM é preenchida. Caso a contaminação tenha acontecido há mais tempo, a marca aparece na área do IgG. Se não houver marca, o resultado é negativo.

E se der positivo?

No caso de resultado positivo, se a pessoa apresentar sintomas leves será orientada a ficar em isolamento e entrar em contato com um médico para mais informações. Já se os sintomas forem graves – como falta de ar e muito cansaço – ou se a pessoa fizer parte do grupo de risco, a orientação é buscar imediatamente atendimento médico, com o resultado positivo em mãos.

Na ausência de sintomas, não é preciso procurar ajuda médica. Nesse caso, o resultado positivo é um bom sinal, pois indica que organismo reagiu ao vírus sem maiores complicações e está, no momento, protegido contra ele. Isso não significa, porém, que o paciente esteja livre de ser contaminado de novo.

“Não vá achar que, porque você teve um resultado positivo de anticorpos, você pode sair por aí tendo contato com qualquer pessoa ou que não precisa mais cuidar da higiene das mãos, que não precisa mais se preocupar com isolamento social. A gente não sabe se a pessoa pode pegar de novo ou não, isso está em estudo ainda. Por precaução, mesmo que a pessoa tenha imunidade e esteja sem nenhum sintoma, totalmente bem, a gente orienta a preservar os cuidados e reduzir o risco de nova contaminação”, alerta Correr.

Onde fazer

Em Curitiba, o exame pode ser feito em duas redes de farmácias, por enquanto. Na Nissei, custa R$ 180 e deve ser agendado pelo site. Sete lojas estão habilitadas a realizar o teste até o momento: Bacacheri, Jardim das Américas, Vila Hauer, Bigorrilho, Portão, Santa Felicidade e Alto da XV. “Por questões de segurança, os exames serão realizados em modelo drive-thru (de dentro do carro), em área especialmente montada no estacionamento da farmácia, somente via agendamento para controlar o fluxo de pessoas e atender todas as medidas de segurança, distanciamento e evitando a aglomeração”, explica a gerente do RH, Regina Molinari.

Já na Morifarma, o agendamento é realizado pelo telefone (41) 3122-6900. O exame tem custo de R$ 299 e é aplicado na unidade do bairro Seminário.

Treinamento farmacêutico

Algumas empresas oferecem treinamento a farmacêuticos para aplicação de testes rápidos do coronavírus. Na plataforma Clinicarx ele é gratuito. A empresa também utiliza um software que padroniza o atendimento. “O sistema pergunta sobre o quadro do paciente e indica se o teste é recomendado ou não, como interpretar, etc. O farmacêutico segue os passos e reduz a chance de erros. A gente se esforça pra levar pra farmácia o mesmo nível de critério de qualidade e prevenção que teria dentro do laboratório”, explica Correr, CEO na empresa.

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