15 out 2021 - 14h16

Servidor investigado pela CPI da Covid abandona o cargo e é demitido da Cohapar

Apadrinhado pelo ex-deputado paranaense Abelardo Lupion, Roberto Ferreira Dias foi desligado da companhia por não voltar ao posto após fim de atestado médico

Um dos principais elos entre o Ministério da Saúde e contratos de compra de vacina investigados pela CPI da Covid, do Senado, Roberto Ferreira Dias foi demitido da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), onde era servidor de carreira desde fevereiro de 2012. A informação foi obtida pelo Plural nesta quinta-feira (14). A demissão foi efetivada há uma semana, no dia 7 de outubro.  

Dias estava legalmente licenciado da Cohapar desde que assumiu a direção do departamento de Logística do Ministério da Saúde, em janeiro de 2019. Ele chegou ao cargo por indicação de seu apadrinhado, o ex-deputado federal pelo Paraná Abelardo Lupion, que também teve cargo comissionado no início da atual gestão presidencial.

Na Cohapar, desde sua admissão até junho de 2018, pouco após Cida Borghetti – esposa do atual líder do governo na Câmara e ex-ministro da Saúde Ricardo Barros (PP) – assumir o governo, suas funções passaram de assessor a superintendente, chegando ao cargo de diretor interino por 20 dias. O crescimento profissional ganhou novos rumos quando Cida Borghetti indicou Lupion, então presidente da Cohapar, para o cargo de Secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná. Lupion levou Dias para a Seil e deu a ele um cargo comissionado no valor de R$ 12 mil.

A última movimentação do holerite de Dias no governo do Paraná foi em agosto. Em resposta à ausência de novas atualizações, a Cohapar confirmou o desligamento porque o próprio servidor não voltou mais ao posto depois do vencimento de um atestado médico.

O atestado – cujo motivo não foi informado por questões legais – teve validade entre 5 de agosto e 5 de outubro de 2021. “Ao final do período legal de afastamento, encerrado em 05/10, ele foi notificado e não se reapresentou à empresa e, como ele já não havia se apresentado anteriormente, a empresa optou pelo seu desligamento, que foi efetivado no dia 07/10”, informou, acrescentando que a demissão decorreu de um procedimento administrativo interno. “Atualmente, portanto, ele não compõe mais o quadro de funcionários da companhia”.

Nesta sexta (15) pela manhã, Dias foi procurado por meio de seu advogado, Marcelo Sedlmayer, do Distrito Federal. À reportagem, Sedlmayer disse que seu cliente está, neste momento, no Paraná, mas que não estava sabendo do desligamento dele e, portanto, não poderia se pronunciar a respeito. Dias deve voltar para Brasília ainda durante este fim de semana e, extraoficialmente, espera-se que ele permaneça em Brasília até o fim dos trabalhos da CPI.

Esta é a segunda demissão do investigado em quatro meses. Demitido do Ministério da Saúde em junho, Dias é acusado de ter pedido propina para autorizar a compra de doses do imunizante AstraZeneca. Em episódio revelado pela Folha de S. Paulo, ele teria dado sinal verde para a formalização do contrato caso houvesse o pagamento por fora de US$ 1 por dose. Em depoimento à CPI, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que Bolsonaro teria associado Ricardo Barros ao esquema – o que o deputado nega.

O agora ex-funcionário da Cohapar também tem seu nome ligado a supostas irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin, cujo contrato de R$ 1,6 bilhão – ao valor unitário de US$ 15 a dose, a mais cara do país – foi cancelado depois de que supostos episódios de “pressões” para fechar a compra vieram à tona. Outra ligação apontada foi do ex-servidor com a VCTLog, contratada do Ministério da Saúde para distribuir vacinas contra o coronavírus. A empresa é suspeita de ter feito pagamentos a Dias.

Ao ser ouvido pela CPI da Covid, ele negou todas as acusações. Foi ele, inclusive, quem protagonizou um dos episódios mais polêmicos dos trabalhos da comissão: saiu do depoimento preso, após ordem do presidente Omar Aziz (PSD-AM). O senador justificou o pedido dizendo que Dias tinha mentido durante todo seu depoimento, contrariando provas contundentes.

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