Se as mulheres pararem o mundo para! | Jornal Plural
Clube Kotter
8 mar 2019 - 14h22

Se as mulheres pararem o mundo para!

A greve faz um apelo a todos que combatem as desigualdades, que são contra a violência contra a mulher que saiam às ruas, porque “juntas somos mais fortes”

Texto e fotos de Daniela Drummond.

Hoje, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Em pleno 2019 as mulheres continuam trabalhando mais do que os homens e ganhando menos. São responsáveis pelo cuidado doméstico, das crianças, dos idosos, dos doentes da família. Lavam a louça, fazem o almoço, ou quando conseguem trabalhar fora acabam precisando da ajuda de outras mulheres para cuidar dos seus filhos e fazer a limpeza da casa. As mais pobres acumulam tudo. O emprego fora e trabalho em casa.

Lutando pela causa das mulheres diversos coletivos pelo mundo organizam a Greve Feminista Internacional. Com o lema “Se as mulheres pararem o mundo para”.  Em 2018 a Espanha teve 5 milhões de grevistas no dia 8 de março, para 2019 esperam-se mais adeptas.

Só em Portugal são 12 cidades envolvidas, desde as maiores Lisboa, Porto, Braga até cidades pequenas como Vila Real. Durante toda a semana diversos eventos marcaram a chamada para a data, com ações da Rede 8 de Março e da  A Coletiva, como aulas abertas nas universidades.

Como explica Andrea Peniche, da A Coletiva, a Greve Feminista surge precisamente nas manifestações na Polônia em defesa da Lei do Aborto e depois se estendeu à Argentina no movimento “Ni una a menos”  e em 2017 se torna um movimento internacional. “Quando nós falamos em mudar as coisas estamos a falar das nossas vidas concretas. É urgente mudar a desigualdade salarial porque nós ganhamos em média 16% a menos. É preciso mudar a justiça machista porque diariamente esbarramos em acórdãos que responsabilizam as mulheres pela agressão que sofreram, nós falamos pelas mulheres mortas, porque as que morreram são as que chegaram ao fim da linha”, afirma.

A greve faz um apelo a todos que combatem as desigualdades, que são contra a violência contra a mulher que saiam às ruas, porque “juntas somos mais fortes”. Para aquelas que não podem sair de casa no dia e estarem nas ruas por não poderem ser substituídas na vida doméstica o movimento pede que elas coloquem um avental na janela como forma de se juntarem à luta simbólica.

As pesquisas mostram que as mulheres trabalham pelo menos 1h45 a mais que os homens diariamente nas atividades domésticas, mas sabe-se que em países de cultura machista muitas vezes o trabalho doméstico é todo serviço das mulheres da casa.

A mexicana Frida González estudante de Comunicação na Universidade do Porto conta que aderiu ao movimento por vir do México de um estado em que praticamente todos os dias desaparecem mulheres e alguns dias depois aparecem mortas. Foram vítimas de feminicídio. Ela relata ter medo de sair às ruas e ser agredida para se manifestar, mas que mesmo assim irá.

Em Portugal o movimento feminista é livre para se manifestar, assim como os mais diversos movimentos sociais. “Vou me manifestar, todos os dias tenho medo de sair e ser agredida, pelo simples fato de ser mulher. Temos que lutar para que as mulheres possam ter uma vida digna. Muitas estão paralisadas pelo medo, vamos lutar por nós e criar um mundo melhor para todas.”

A estudante brasileira de Sociologia, Fabiana Martins, fala sobre o feminismo plural, ressaltando que os contextos das conquistas das mulheres é diferente nas diversas partes do mundo. “Aqui na Europa as mulheres já tiveram muitas conquistas que ainda não tivemos na América Latina e no Brasil. Seguimos lutando. Não há nenhum país que seja o paraíso, a luta das mulheres é mundial”.

O manifesto da greve tem como planos de ação a greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico, à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços e a greve estudantil. O objetivo é tirar debaixo do tapete as diversas desigualdades e violência que as mulheres enfrentam.  O movimento se organiza pelas redes sociais, principalmente no Facebook, a partir dele as mulheres marcam um horário e uma atividade e vão às ruas. Mulheres de todo o mundo podem se unir.

Alguns sindicatos de Portugal como o Sindicato Nacional de Ensino Superior – SINESUP, o Sindicato das Trabalhadoras da Saúde, Solidariedade e Segurança Social – STSSSS e o Sindicato de Todos os Professores – STOP também convocaram a greve feminista emitindo um pré-aviso.

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