Risco de incêndio fecha montanhas em Curitiba e Litoral | Jornal Plural
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18 set 2020 - 17h06

Risco de incêndio fecha montanhas em Curitiba e Litoral

Turismo foi autorizado há um mês mas desrespeito levou a nova proibição

O desrespeito de visitantes acendeu sinal de alerta para o risco de queimadas e fez o governo do Paraná voltar atrás e suspender o funcionamento de quatro dos 18 parques estaduais que tiveram a reabertura liberada em agosto. O descumprimento de normas vigentes durante a pandemia pesou na decisão, que passa a valer a partir desta sexta-feira (18). Entre as unidades agora fechadas estão o Pico do Marumbi, Pico Paraná e Serra da Baitaca, entre Curitiba e o Litoral do estado. O outro parque estadual fechado é o de Ibicatu, no Norte do Paraná.

Além de aglomerações relatadas, somente a Serra da Baitaca registrou dois incêndios na última semana. Um deles, no domingo (13), teria sido provocado por visitantes que faziam churrasco em uma área particular. As chamas, no entanto, avançaram em direção às trilhas do Morro do Anhagava.

“Nós vamos fechar pelo não cumprimento das regras e também por conta da continuidade da estiagem, que traz um risco maior de incêndio”, justifica Rafael Andreguetto, diretor de Patrimônio Natural do Instituto Água e Terra (IAT), responsável pela gestão das unidades de conservação do Estado.

Segundo ele, denúncias de desrespeitos que colocam em risco a vegetação nativa vêm se acumulando. Além disso, trilhas informais estão sendo cada vez mais usadas como acesso por grupos impedidos de entrar nos parques.

“Nós tivemos vários casos de pessoas desrespeitando, subindo para acampar. Quem vai acampar vai cozinhar, fazer fogueira. Nós continuamos em pandemia e temos que manter isolamento. Ao mesmo tempo, também precisamos compreender que nesses locais há material orgânico muito fácil para queimar. E esses incêndios que vimos foram em uma montanha que cuida do abastecimento de Curitiba, que vive uma crise hídrica”, alerta Andreguetto.

Em nota publicada nas redes sociais, a Federação Paranaense de Montanhismo (Fepam) disse que chegou a se posicionar contrária à decisão, mas consentiu o fechamento por concordar que a falta de cuidados poderia aumentar o risco de incêndios ambientais. O acesso à associados da Fepam será permitido somente para auxílio a ações de monitoramento e prevenção de degradação ambiental e focos de incêndio.

A nova Portaria também vale para o Parque Estadual de Ibicatú, no Norte do Paraná. Conforme o diretor, não há previsão de retorno das visitações nestes locais. Fechados desde o dia 18 de março por causa da pandemia do coronavírus, os 18 parques estaduais gerenciados pelo governo do Paraná voltaram a receber visitantes no dia 15 de agosto.

As demais unidades que não entraram na Portaria publicada nesta sexta seguem abertas. Para a retomada das atividades nestes locais, o IAT estabeleceu público limitado a 50% da capacidade de cada local, mas continuam proibidos acampamentos, práticas esportivas coletivas e eventos dentro dos locais.

“Infelizmente, o novo normal para a sociedade não é um novo normal de respeito e cuidado com a vida. As pessoas têm que entender que a natureza vai continuar ali, a montanha vai continuar ali e que elas vão poder visitar, mas com respeito. Se não, vamos ter que tomar outras atitudes, autorizar auto de infração, multar, fazer até apreensão de equipamentos”, apela o diretor.

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