RH do Bem ajuda quem perdeu emprego para a pandemia | Jornal Plural
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20 maio 2020 - 21h09

RH do Bem ajuda quem perdeu emprego para a pandemia

Projeto curitibano dá suporte via internet para recolocação no mercado de trabalho

Pesquisadores já haviam estimado que o Paraná poderia perder até 60 mil empregos formais em três semanas de quarentena. Uma estatística que a psicóloga e supervisora de recursos humanos, Tatiane Mesquita, vem percebendo na prática. Há 15 anos atuando na área de RH, com foco em recrutamento, sempre foi praxe receber pedidos de ajuda com recolocação e revisão de currículo. Nas circunstâncias atuais, no entanto, os pedidos de ajuda com emprego aumentaram. “Comecei a perceber que essas pessoas precisavam de mais do que uma revisão de currículo. Isso era algo muito básico, que não ia garantir a recolocação e a empregabilidade delas”, diz a profissional.  

De férias das atividades na multinacional na qual trabalha, na região metropolitana de Curitiba, Mesquita resolveu se dedicar mais a esse tipo de auxílio. Quando o período de férias se encerrou, ela já estava prestando consultoria integrada e gratuita para nove pessoas. “Não queria deixá-los na mão”, diz. Foi então que, se propondo a ampliar a ideia, fez uma postagem em sua conta pessoal do Instagram. “Da noite para o dia, eu tinha sete amigas se dispondo a ajudar. No segundo dia eram 16. No terceiro, 21”, relembra. 

Com 15 anos de experiência em RH, a psicóloga Tatiane Mesquita é idealizadora do RH do Bem. Foto: Rodolfo Buhrer/Fotoarena

Foi assim, de forma espontânea, que nasceu há cerca de um mês o RH do Bem, uma iniciativa composta por 110 profissionais de RH, dispostos a prestar consultorias personalizadas para quem procura recolocação no mercado de trabalho. Com presença digital apenas no Instagram, o projeto funciona de maneira simples: quem está sem emprego envia o currículo via e-mail. O arquivo será direcionado a um profissional que entrará em contato para marcar videoconferências. O acompanhamento pode ter entre três e cinco orientações, que podem contemplar desde revisão de currículo e LinkedIn, passando por noções de imagem pessoal e análise de potenciais, chegando à formatação de um plano de carreira. Não há restrições quanto ao perfil dos atendidos pela iniciativa.

A depender de cada situação, o projeto também oferece atendimento psicológico em casos mais críticos. “Entendemos que podemos aliviar um pouco a dor e o sofrimento dessas pessoas em um momento tão conturbado”, diz a idealizadora. Longe de prometer vagas de emprego, a ideia é dar suporte a quem precisa de ajuda nesse período difícil. “A gente se dispõe a preparar essas pessoas para o mercado de trabalho”, diz Mesquita.

É o que aconteceu, por exemplo, com uma mulher vítima de violência doméstica, atendida pelo projeto. Recém-saída de uma relação abusiva, foi preciso um trabalho de autoestima para determinar objetivos e caminhos possíveis para um futuro diferente. “O atendimento conosco acabou, mas ela tem um plano, sabe exatamente o que quer, o caminho, quais os passos e as ações a seguir. E está segura para fazer isso”, diz a psicóloga.

Com um total de 115 voluntários (cinco na parte de comunicação e 110 consultores), o RH do Bem já atendeu 245 pessoas em busca de recolocação profissional, ou emprego, e outros 150 currículos estão em uma lista de espera. “O número é só consequência, nosso maior objetivo é impacto. O que diferencia o projeto é a profundidade do nosso plano junto às pessoas”, diz Mesquita. 

Mais do que a consultoria profissional, a consultora entende que os atendimentos são uma chance de promover mudanças a curto, longo e médio prazo na vida das pessoas: é uma chance de pensar sobre planos e objetivos de vida. Para ela, o voluntariado é uma forma de diminuir as distâncias sociais: “É uma gota no oceano, mas acredito que o oceano é feito de várias gotinhas”, diz.

Serviço
Quem precisar de ajuda para conseguir recolocação no mercado de trabalho pode escrever para [email protected], com o assunto “Recolocação”, anexando seu currículo, e contando um pouco da sua história. 

Quem quiser colaborar voluntariamente com o projeto, pode escrever para [email protected], com o assunto “Voluntário” para receber informações sobre o processo de seleção.

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