Ratinho preferiu agradar outros Poderes e sacrificar funcionalismo | Jornal Plural
4 jul 2019 - 0h13

Ratinho preferiu agradar outros Poderes e sacrificar funcionalismo

No dia em que propôs parcelar inflação, governo garantiu repasses a TJ e Assembleia

Governar é fazer opções. Ratinho Jr. (PSD) fez a sua nesta semana, ao preferir repassar dinheiro para os chefes de outros Poderes, mesmo que isso significasse deixar o funcionalismo ainda mais na penúria. Para Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público e Tribunal de Contas, Ratinho garantiu recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), que havia prometido cortar. Já aos servidores, fez a proposta de parcelar só a inflação do último ano (a dos dois anos anteriores nem foi mencionada) até 2022. E ainda condicionou isso ao fim do direito à licença-prêmio.

Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada à Assembleia Legislativa e aprovada nesta quarta-feira, Ratinho chegou a cortar R$ 570 milhões dos demais Poderes. Na última hora, voltou atrás e devolveu R$ 370 milhões àquilo que o ex-secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, chamava de “ilhas de prosperidade” no Paraná. Só esses R$ 370 milhões de diferença seriam suficientes para dar perto de 2% de reposição ao funcionalismo.

Não há quem se lembre de ver Ratinho prometendo na campanha: “Manterei os repasses aos demais Poderes, ainda que a lei não obrigue e eles não precisem do dinheiro”. Mas foi o que fez depois de eleito. Por outro lado, para o funcionalismo Ratinho prometeu repor o que a inflação vinha comendo. Em uma entrevista à sua própria emissora, disse que os servidores já tinham dado sua cota de sacrifício. Eleito, deixou a promessa numa gaveta e foi dar o dinheiro público a quem possa fazer algo por ele.

Nos discursos que tem feito sobre a impossibilidade de fazer a reposição da inflação aos servidores, Ratinho sempre fala sobre a necessidade de manter as finanças em dia num momento de crise. No entanto, isso não bate com a gastança que o governo vem fazendo em outras áreas. Com os R$ 370 milhões que deu de graça a desembargadores e deputados. Com os R$ 500 milhões que pagou de dividendos a acionistas de Copel e Sanepar no primeiro semestre. Com os R$ 2,6 milhões que gastou só para propagandear seu altruísmo ao devolver um avião locado.

A decisão de não dar a reposição aos servidores tem, evidente, um fator econômico. Mas há também um fator político importante. Quando o recurso é limitado, o governante tem a prerrogativa de decidir o que vai priorizar. Ratinho fez sua opção.

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