3 maio 2021 - 22h17

Ratinho anuncia vacinação de professores, mas Curitiba indica que não seguirá plano

Ideia é usar parte dos imunizantes das pessoas com comorbidades. Plano facilitaria volta integral às aulas presenciais pretendida pelo governo do Paraná

A decisão anunciada pelo governo do Paraná de vacinar professores a partir de agora, junto com as pessoas que apresentam comorbidades, ainda não deixa claro como isso funcionará. O governo, por meio de sua liderança na Assembleia Legislativa, disse que vai usar parte das vacinas destinadas a comorbidades para os profissionais da Educação. No entanto, a prefeitura de Curitiba disse que não é possível fazer isso.

“O Paraná deseja remanejar, por decisão própria, doses da vacina para os profissionais da Educação.” A declaração foi dada pelo líder do governo na Assembleia Legislativa (Alep), Hussein Bakri (PSD), nesta segunda-feira, 3 de maio.

A mudança está relacionada à ideia do governo de Ratinho Jr. (PSD) de forçar a volta às aulas presenciais para até 100% dos alunos. Na semana passada, uma resolução passou a permitir que as escolas recebam todos os matriculados, desde que mantenham 1,5 metro de distância entre os alunos.

O secretário da Saúde, Beto Preto, também falou sobre a inclusão dos educadores na vacinação com as próximas doses. Segundo ele, nesta semana, o Estado deve apresentar um plano para a imunização dos professores. “Estamos montando uma proposta, não está fechada ainda, de começar a vacinar, com um percentual de todas as cargas, os trabalhadores em Educação. Passamos essa semana inteira montando proposta, debatemos com o setor, internamente na secretaria, e devemos ter, entre hoje e amanhã, uma proposta para ser apresentada que utilize um pouco destas vacinas também.”

Documento semelhante foi apresentado por Beto Preto, na semana passada, ao secretário nacional de Vigilância em Saúde, Arnado Medeiros. A intenção é que o governo federal incluía os profissionais da Educação na próxima fase do Programa Nacional de Imunizações, assim como fez com as forças de Segurança Pública. A ação seria o que Beto Preto chamou de “um passo adiante para o retorno às aulas”.

O retorno

Questionada pelo Plural sobre os planos para a adaptação das escolas à liberação de 100% dos alunos em sala de aula – visto que muitas registraram surtos de Covid-19 em fevereiro – a Secretaria de Estado da Educação disse apenas que seguirá com o distanciamento de 1,5 metro entre os estudantes.

“Todo o estudo para uma possível volta das atividades presenciais está sendo analisado cuidadosamente e em parceria com a própria comunidade escolar. A previsão de vacinação dos professores está mantida e o trabalho é para que ela comece assim que as pessoas com 60 anos sejam vacinadas; com isso, os docentes recebem a vacina simultaneamente às pessoas com comorbidades”, reiterou a pasta.

“A vacinação destes grupos será feita de maneira simultânea, com previsão de aplicação das doses no mês de maio, de acordo com a programação de entrega de vacinas pelo Ministério da Saúde. As aulas nas escolas estaduais retornarão em paralelo à imunização dos professores”, disse a Seed.

O governador Ratinho Jr (PSD) falará nesta terça-feira (4) com a Imprensa sobre o retorno gradativo das aulas presenciais.

Curitiba segue Plano Nacional

Na Capital do Paraná, as aulas presenciais estão suspensas desde 26 de fevereiro, após nova onda de casos e mortes por coronavírus. Na ocasião, várias escolas e Centros Municipais de Educação Infantil registraram surtos da doença. De acordo com a Prefeitura de Curitiba não há previsão para o retorno presencial. As aulas seguem no modelo remoto e “qualquer mudança nesse cenário depende da avaliação das autoridades de saúde”.

Segundo a Secretaria Municipal da Educação, apenas 5% dos profissionais da área integram o grupo de risco para a Covid-19 e seguem afastados das unidades.

Sobre a vacinação dos professores, a Prefeitura diz que “segue estritamente” o Plano Nacional de Vacinação. “As vacinas enviadas pelo Ministério da Saúde já chegam aos municípios com a destinação específica ao público que será atendido, ou seja, elas já chegam ‘carimbadas’. Até o momento, foram enviadas doses para profissionais de saúde, idosos e um pequeno quantitativo para forças de segurança.”

Seguindo o Plano Nacional, o próximo grupo a ser vacinado é o das pessoas entre 18 e 59 anos com comorbidades. “A orientação do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) é a de que todos os municípios sigam o plano nacional. Descumprir a ordem prevista no plano enseja, inclusive, investigação dos órgãos de controle. Vacinar categoria diferente da estipulada gerará falta de doses para outros públicos prioritários ou mesmo falta de segunda dose para completar o esquema vacinal de quem já recebeu a primeira dose, como já vem ocorrendo em alguns municípios que não seguiram o plano nacional.  Esses municípios, inclusive, estão sendo acionados pelos órgãos de controle”, reforça a Secretaria de Saúde da Capital.

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3 comentários sobre “Ratinho anuncia vacinação de professores, mas Curitiba indica que não seguirá plano

  1. O que o Ratinho Jr e seu secretario estão fazendo é um absurdo.
    Renato Feder um.bilionário da Multilaser, o.que ele quer com o PR? Muitos professores MORRERAM no retorno às aulas, profissionais DE APROXIMADAMENTE 40 anos. Eles não podem tirar do grupo de comorbidades, e o retorno presencial de cem por cento seria absurdo mesmo com vacina, já que ha novas cepas. Supostamente há dedo d a rede privada aí.

    1. A questão não é tão simples, trata-se da comunidade escolar como um todo, direção, equipe pedagógica, agentes educacionais I e II, ADM, corpo docente, discente, país e responsáveis.

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