Quando fazer o teste para Covid-19 | Jornal Plural
3 ago 2020 - 21h41

Quando fazer o teste para Covid-19

O tipo de exame depende do início dos sintomas. Assintomáticos podem testar falso positivo

Fazer, ou não, o exame para detectar o coronavírus no organismo, e qual o melhor dia para isso, remete a muitas dúvidas. Para entender, é preciso saber que existem dois tipos de testes: os que detectam os anticorpos, que são os sorológicos (de farmácia ou de laboratório), e o que detecta o próprio vírus, chamado de RT-PCR (molecular). Para o resultado correto, é necessário entender em qual momento eles se tornam identificáveis.

Para tirar todas as dúvidas, o Plural montou um pequeno manual com a ajuda da médica Maria Esther Graf, infectologista do Hospital de Clínicas (HC), mestre em Ciências da Saúde, professora na Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Controle de Infecção do Hospital do Trabalhador (HT) e presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar.

*Em que casos fazer exame para Covid-19?

A indicação deve ser baseada no quadro clínico, no qual o principal indicativo são os sintomas. Caso tenha entrado em contato direto com alguém que tem a doença e você estiver sem sintomas (assintomático), a principal recomendação é observar o aparecimento de sintomas – como febre, tosse, perda de olfato e paladar, dor de garganta, cansaço e falta de ar.

*O que é o exame PCR? Quando fazer?

O RT-PCR é um exame que detecta a presença do vírus no paciente. O material é colhido do nariz e da boca com swab, uma espécie de cotonete. O melhor momento para fazer este tipo de teste é do 3º ao 9º dia após o início dos sintomas.

*Quando fazer o exame sorológico (de sangue)?

Os exames de sangue (sorológicos) podem ser feitos em laboratórios ou em farmácias. Eles detectam a presença de anticorpos, mas só a partir de uma semana da infecção. Os melhores resultados são após 14 dias do início dos sintomas.

Teste rápido sorológico, vendido em farmácias. Foto: Pedro Ribas/SMCS

*Caso a pessoa tenha contato com positivado, esteja assintomática e queira fazer o teste, em que momento e qual o tipo mais indicado?

Testar PCR negativo, no caso de quem teve contato com alguém doente, significa que no momento do teste a pessoa não está com a doença, mas no dia seguinte já não tem como afirmar isso. É preciso monitorar para avaliar o desenvolvimento de sintomas.
No caso do exame sorológico, é preciso esperar uma semana de incubação e duas para gerar anticorpos, então, o melhor momento seriam três semanas depois do contato.

*Por que os resultados demoram tanto, alguns até 10 dias úteis?

O sorológico é mais rápido e simples porque detecta os anticorpos no sangue. O PCR, pela técnica molecular, é muito mais trabalhoso e demora mais, especialmente com a demanda maior de exames.

*Existe falso positivo?

Falso positivo são pacientes que não tiveram quadro clínico nenhum e detectam anticorpos (no caso do exame sorológico). Isso acontece porque os anticorpos IGM podem cruzar com outras doenças virais, inclusive com a vacina contra influenza e com o vírus da dengue. Quando você faz o teste sem ter tido sintomas, ele pode representar um falso positivo pois não significa necessariamente que o anticorpo detectado é específico contra a Covid-19.

Para os sorológicos o mais indicado é com coleta de sangue e não na ponta do dedo, porque a sensibilidade do exame é melhor. Na coleta, analisa-se o plasma e não o sangue total. Esses exames sorológicos são muito importantes para inquéritos epidemiológicos e populacionais – para monitorar a circulação de anticorpos numa população.

Fonte: Brazilian Association of Infection Control and Hospital Epidemiology

*E o falso negativo, quando acontece e como evitar?

O PCR pode dar falso negativo se não for feito no tempo adequado, pois nos primeiros três dias de sintomas não há muita excreção viral, então pode não detectar o vírus. A técnica de coleta também precisa ser adequada.
No sorológico, o falso positivo é mais comum e acontece geralmente quando a pessoa não teve quadro clínico sugestivo e faz o teste.

*Por quantos dias se transmite o vírus? E os assintomáticos? Depois disso, é seguro?

A pessoa vai infectar outras principalmente no período em que tem sintomas. O assintomático transmite pouco. Existe também a contaminação pelo pré-sintomático. Essa pessoa – que ainda está incubando o vírus e vai ter sintomas – pode eliminá-lo, contaminando outros.

*Em qual momento sair do isolamento? Sai com máscara? Tem algum cuidado específico?

A última orientação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) é que, para casos leves, o paciente pode sair do isolamento 10 dias após o início dos sintomas e se estiver 24 horas sem febre. Quem tem sintomas, fica isolado. A orientação é sair com máscara porque, ainda que a pessoa não esteja transmitindo, é uma doença nova cercada de incertezas.

*Quem se contaminou pode se infectar novamente? Por quanto tempo a pessoa está imune ao coronavírus?

A resposta só o tempo vai dizer já que não sabemos quanto duram esses anticorpos que neutralizam o vírus. No cenário de uma nova doença, não tem como afirmar que a imunidade é duradoura.

Exame PCR com swab (cotonete). Foto: Pedro Ribas/SMCS

Diagnóstico Médico

É importante lembrar que para o diagnóstico da doença, ou encaminhamento para o exame, é necessário consultar um médico. Ele saberá o período em que doença se encontra e indicará o melhor teste e tratamento necessário.

Os testes rápidos de farmácia podem ser realizados sem pedido médico. Já para o PCR, a guia de solicitação é essencial. Este exame está na lista de cobertura obrigatória dos planos de saúde, desde que o paciente apresente sintomas que levem à suspeita da doença, relatados pelo médico. As operadoras têm até três dias úteis para analisar o encaminhamento médico e liberar o teste, ou apresentar os motivos da negativa.

“Caso o paciente atenda aos requisitos para cobertura do exame e o plano de saúde negue autorização, ou não autorize, no prazo de três dias úteis, ele deve registrar a queixa no site da ANS e também na Ouvidoria da operadora”, explica a advogada especialista em Direito Médico e à Saúde, Melissa Kanda.

“Nestes casos, o beneficiário pode realizar o exame em caráter particular e, depois, pedir reembolso para o plano de saúde, mediante apresentação da nota fiscal ou recibo de pagamento”, afirma Melissa, integrante da Comissão de Direito à Saúde da OAB/PR.

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