13 jan 2022 - 17h46

Prefeitura mantém bandeira amarela, mas limita a 70% a ocupação de estabelecimentos

Medida é por causa do aumento de casos de Covid devido a variante ômicron

Nesta quinta-feira (13), a prefeitura de Curitiba anunciou que prorrogará por mais sete dias a bandeira amarela na cidade. Apesar da manutenção da sinalização, o município decidiu limitar em até 70% a ocupação nos estabelecimentos comerciais da cidade. As medidas foram tomadas devido ao aumento dos casos de Covid-19 da variante ômicron e com a declaração de epidemia da Influenza A (H3N2) pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná.

A decisão, idealizada pelo Comitê de Técnica e Ética Médica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), foi tomada após a avaliação dos indicadores da pandemia e da capacidade de resposta do sistema de saúde do município frente ao novo cenário. Ela ficará em vigência até o dia 20 de janeiro. Com isso, a prefeitura pretende manter as atividades econômicas em funcionamento.

O novo decreto mantém as medidas já tomadas anteriormente, como a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos ou de uso coletivo em Curitiba e a proibição do consumo de bebidas alcoólicas em via pública. Seguem fundamentais o uso de máscara facial, higienização constante das mãos (com álcool em gel 70% ou água e sabão), distanciamento social e manutenção dos ambientes arejados.

Em caso de sintomas respiratórios, a pessoa deve se isolar e procurar atendimento nos serviços de saúde, seja público ou privado, para verificar o melhor momento para realizar a testagem contra a Covid. Com o aumento no número de casos, faltam testes em alguns locais de coleta. Em outros, a fila de espera para agendar a verificação.

Cenário

Curitiba está há 190 dias em bandeira amarela. Nos últimos dias, o número diário de casos novos subiu 1.204,2% e a média móvel de casos ativos subiu de 566,5% no mesmo período, tendo contabilizado 9.104 casos em 12 de janeiro.

A média móvel do número de mortes por data de divulgação teve aumento de 60%, quando comparado há 14 dias.

Nesta quarta-feira (12), a taxa de ocupação dos 65 leitos de UTI SUS exclusivos para Covid-19 foi de 54%, com 35 pacientes internados. A taxa de ocupação dos 161 leitos de enfermarias SUS Covid-19/SRAG está em 70%. Há 48 leitos vagos.

Veja aqui como é feito o cálculo da bandeira de alerta da Covid-19 em Curitiba.

Veja como ficam as principais atividades

Respeitando até 70% da capacidade de público prevista no Certificado de Licenciamento do Corpo de Bombeiros (CLCB)

  • Atividades comerciais de rua não essenciais, galerias, centros comerciais e shopping centers;
  • Atividades de prestação de serviços não essenciais, tais como escritórios em geral, salões de beleza, barbearias, atividades de estética, saunas, serviços de banho, tosa e estética de animais, floriculturas e imobiliárias;
  • Academias de ginástica e demais espaços para práticas esportivas individuais e coletivas;
  • Restaurantes, lanchonetes, panificadoras, padarias, confeitarias e bares;
  • Lojas de conveniência em postos de combustíveis;
  • Comércio varejista de hortifrutigranjeiros, quitandas, mercearias, sacolões, distribuidoras de bebidas, peixarias, açougues, e comércio de produtos e alimentos para animais;
  • Mercados, supermercados, hipermercados e lojas de material de construção;
  • Parques infantis e temáticos;
  • Cinemas, museus, circos e teatros para apresentação musical ou teatral;
  • Casas de festas e de recepções, incluídas aquelas com serviços de buffet, salões de festas em clubes sociais e condomínios e estabelecimentos destinados ao entretenimento, tais como casas de shows, casas noturnas e atividades correlatas;
  • Eventos corporativos, de interesse profissional, técnico e/ou científico, como jornadas, seminários, simpósios, workshops, cursos, convenções, fóruns e rodadas de negócios;
  • Mostras comerciais, feirões e feiras de varejo;
  • Serviços de call center e telemarketing;
  • Igrejas e templos;
  • Eventos esportivos profissionais com público externo e de apresentação teatral ou musical em espaços abertos.

Suspensa

  • Consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas, salvo em feiras livres e de artesanato.

Colaborou Jully Ana Mendes.

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2 comentários sobre “Prefeitura mantém bandeira amarela, mas limita a 70% a ocupação de estabelecimentos

  1. Limitar a 70% a ocupação de estabelecimentos.
    Por que esta medida?
    A resposta pode estar nas entrelinhas:
    “Com isso, a prefeitura pretende manter as atividades econômicas em funcionamento.”

    Então, de novo, na prática, assistimos à vitória do discurso da “economia que não pode parar”. Porque Greca e Ratinho agem politicamente de forma alinhada a bolsonaro. A respeito, seria importante retomar esta matéria do Plural:

    https://www.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/ratinho-e-greca-continuaram-politica-de-bolsonaro-para-covid-19-no-pr-diz-pesquisa-da-ufpr/

    Ainda que pareça desconexo, não à toa, Greca homenageou com a maior honraria da cidade, durante a pandemia, nada menos que Michel Temer. Do Plural, de novo:
    https://www.plural.jor.br/noticias/poder/depois-de-homenagear-doria-greca-da-maior-condecoracao-municipal-a-temer/

    Não mais à toa, após a cerimônia, Temer e o prefeito foram recebidos em almoço pelo governador Ratinho Júnior, no Palácio Iguaçu.

    Ora, Michel Temer é um dos golpistas que articulou o desmonte do Brasil – que continua em curso. E que serviu de avenida para a ascenção de bolsonaro.

    Portanto, Temer também é partícipe da tragédia político-institucional, que se estende para a catástrofe (ainda) vivida na saúde pública. Sim, a enormidade de mortes que acontecem no Brasil foi e é causada por políticas nefastas urdidas nos porões do bolsonarismo. Os entraves e atrasos para a vacinação de crianças são, neste momento, mais uma manifestação do modus operandi do bolsonarismo. A propósito, o “discurso da economia” sempre esteve na ponta da língua do presidente genocida.

    Assim que, em Curitiba e no Paraná, prefeito e governador continuam fazendo ginásticas políticas para não se opor ao bolsonarismo e suas lógicas.

    (Quando Temer recebeu a referida comenda das mãos de Greca, se apressou a defender o “teto de gastos”. Alguém ainda tem dúvidas de quão perverso é isso? Ora! A miséria e a fome, em meio à pandemia, não são obra do acaso.)

    Há, no entanto, um elemento novo:

    as vacinas estão garantindo que, com o crescente número de casos, particularmente com o avanço da variante ômicron, não haja aumento significativo de óbitos.

    Desta forma, as reduções nos números de mortes são vistas como um indicador do “novo normal”.

    O prefeito Greca, desde o início, tem apostado todas as fichas nas vacinas. E Greca é todo propaganda. O discurso eivado de signos religiosos, de viradas mágicas, o “pavilhão da cura”… Greca tem a habilidade de articular este discurso ao da “capacidade da ciência vencer o vírus”. O estrago causado por este tipo de narrativa mistificadora não deveria ser menosprezado.

    Hoje, o número de casos na cidade se aproxima daquilo que ocorreu na pior fase da pandemia até agora. Quase 2.500 casos notificados, em 13/01.
    É verdade, o número de mortes continua baixo, na comparação com 2021. Porém, a taxa de crescimento do número de casos é muito maior agora do que quando ocorreram as outras ondas.

    Será que apostar todas as fichas nas vacinas é a melhor política pública?

    Em notícia recente, o New York Times mostra que, mesmo com as vacinas, se houver aumento desenfreado no número de casos, resultarão muitas mortes: https://www.nytimes.com/interactive/2022/01/09/us/omicron-cities-cases-hospitals.html

    Ou seja, não parece ser prudente insistir no discurso de que (só) as vacinas salvam.
    Faz-se imperativo intensificar outras medidas de proteção e de combate ao vírus.

    É por isso que, dado o contexto, a opção da prefeitura de limitar a 70% a ocupação de estabelecimentos não parece ser suficiente.

    Provavelmente, nas próximas semanas, assistiremos a hordas de pessoas contaminadas com o vírus. Os números continuarão aumentando na curva íngreme. Agora, as crianças não vacinadas estão em risco.

    Ainda é janeiro. Em fevereiro, volta às aulas e a prefeitura não faz nada, nadica de nada, a respeito.

    Por quê?
    Talvez, a resposta esteja naquela frase:

    “Com isso, a prefeitura pretende
    manter as atividades econômicas em
    funcionamento.”

    A economia tem primazia. Rimou!

    E as gentes?
    E se muitas gentes desenvolverem quadros crônicos e tiverem sequelas?
    Crianças?

    Este velho professor em férias está aqui em seu cantinho. Horrorizado. O bolsonarismo não só continua grande. Também nos ameaça engolir. Até a alma.
    Ai!

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