"Parem de nos matar", dizem mulheres contra onda de feminicídios | Jornal Plural
16 fev 2019 - 0h00

“Parem de nos matar”, dizem mulheres contra onda de feminicídios

No dia 14 de fevereiro, comemora-se em diversos países o Dia de São Valentim e o Dia dos Namorados. Em Portugal a data foi marcada…

No dia 14 de fevereiro, comemora-se em diversos países o Dia de São Valentim e o Dia dos Namorados. Em Portugal a data foi marcada por protestos nas cidades de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Aveiro, motivada pelos crimes cometidos somente nesse ano de 2019 que já totalizam dez feminicídios.

“Parem de nos matar”, “Agora estamos juntas”, “Justiça machista e resistência feminista!” foram algumas das frases proferidas pelo grupo que se uniu em uma das principais ruas do Porto, a rua de Santa Catarina – que reúne turistas do mundo todo – com apitos, megafone e tambores para chamar atenção para a causa das mulheres.

A multidão percorreu as ruas da cidade passando pela Igreja dos Clérigos até os Jardins da Cordoaria e parando em frente ao Tribunal de Relação do Porto, onde protestaram contra decisões machistas dos juízes, como a que ficou conhecido como o da “sedução mútua” em que foi suspensa a pena de dois homens acusados de violarem uma mulher de 26 anos, alegando que ela seduziu ambos e culpabilizando a vítima.

Fizeram parte da manifestação mulheres das mais diversas faixas etárias, que frisavam a necessidade de resistência e de mudança e conscientização da sociedade. Helena Ferreira, investigadora e doutoranda em Estudos Culturais, ressaltou que a violência de gênero deve ser tratada como feminicídio. “Estamos preocupadas com a porcentagem em relação à população, somos um país pequeno”, diz fazendo a comparação com o tamanho do Brasil, já que Portugal tem uma população de 5% da população do Brasil, segundo o censo de 2017.

Violência no Namoro

O governo de Portugal lançou uma campanha contra violência no namoro, a #NamorarMemeASério para a eliminação da violência no namoro, ajudando a identificar alguns dos comportamentos que são demonstrativos de situações de violência tanto física, psicológica ou sexual.

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) apresentou o estudo “Violência no Namoro 2019” que teve a participação de 4.938 jovens de todos os distritos portugueses, que revelou que houve um aumento da violência psicológica nos relacionamentos afetivos. A pesquisa também mostrou que 58% dos jovens que namoram ou namoraram dizem já ter sofrido qualquer forma de violência por parte do companheiro e que 67% acham isso natural.

A musicista Claudia Alves que participou da mobilização diz que está preocupada já que não percebe uma educação social e de gênero efetiva. “Fico contente de ver essa gente toda na manifestação, porque é assim que a gente educa. Estamos em frente ao tribunal porque teve um juiz que usou uma justificativa de adultério baseando-se em citações bíblicas para baixar a pena de um indivíduo que matou sua mulher”, explica.

Greve Internacional Feminista

O objetivo da manifestação que não estava prevista no calendário dos coletivos feministas foi quebrar o silêncio das mulheres e convidar mais adeptos para a Greve Internacional Feminista do dia 8 de março, movimento que teve origem na Espanha no ano passado. “Fomos todas atropeladas neste início do ano com as notícias de muitos feminicídios de maneira que não podíamos ficar caladas”, explica Andrea Peniche, que é coordenadora editorial e ativista da A Coletiva. Andrea destaca a preocupação com o resultado dos estudos que apontam uma naturalização da violência nos relacionamentos entre os jovens o que nos preocupa muito, ao mostrar que nas novas gerações o problema da violência não estará resolvido.

A volta das manifestações do movimento feminista e a divulgação mostra que o feminismo é muito transformador na causa que traz que é um movimento que busca os direitos iguais para homens e mulheres. Não é um movimento de revanche.

A Greve Feminista aconteceu pela primeira vez em 2018, mas em 2019 busca mais adeptos. São cerca de 10 núcleos organizados em Portugal que tenta o apoio de movimentos sindicais para visibilizar que se as mulheres pararem seus trabalhos remunerados por um dia e também suas atividades domésticas a sociedade irá ser impactada. “Nós mulheres somos as mais pobres, recebemos os menores salários, as menores aposentadorias, fazemos os trabalhos domésticos, somo as responsáveis pelo cuidado das crianças, idosos e doentes nas famílias, faltamos ao trabalho, tudo isso reflete na nossa previdência social. Sem falar nas mulheres que abandonam o trabalho remunerado para cuidar de alguém da família, complementa Andrea. A greve também se foca no eixo estudantil e no apelo simbólico do não consumo.

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