Paraná perdeu quase 83% de novos contratos do Fies | Jornal Plural
3 abr 2019 - 0h02

Paraná perdeu quase 83% de novos contratos do Fies

Em 2014, melhor ano do programa, foram 165 mil contratos novos; em 2017, o número caiu para 27 mil

O número de novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) celebrados no Paraná caiu 83,3% no ano de 2017 em relação a 2014. Naquele ano o programa registrou seu melhor desempenho no estado, com 165.143 contratos de cursos com mensalidade média de R$ 877,36.

Em 2017, segundo dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), as instituições de ensino superior paranaenses receberam apenas 27.562 novos alunos com o financiamento.

Os contratos do Fies permitem que alunos aprovados em cursos de graduação em instituições privadas financiem até 100% do valor do curso com taxas de juros subsidiadas. De acordo com as últimas regras vigentes, estudantes com renda familiar per capita mensal de até três salários mínimos podem financiar o curso com juro zero.

Pior para os mais pobres

A redução no número de contratos afeta estudantes que não têm condições de cursar cursos superiores privados sem o financiamento e as instituições que perdem alunos. Os dados obtidos pelo Plural mostram que, no Paraná, o Fies beneficiou principalmente mulheres (56,48% dos contratos de 2014), estudantes de escolas públicas (78,73%) e estudantes dos cursos de Direito (29.056 contratos), Engenharia Civil (14.461 contratos) e Administração (11.366 contratos).

Só nos cursos de Direito, a redução no número de contratos foi de 84,32% em 2017 em relação a 2010, primeiro ano com dados disponíveis. Isso não significa que todas essas vagas foram extintas, mas certamente ficaram mais caras.

Na modalidade do Fies para estudantes com renda familiar per capita de até cinco salários mínimos, no período de 2010 a 2017, houve um aumento de 77,81% no valor médio da mensalidade dos cursos financiados no estado. Os estudantes com renda superior a cinco salários podem acessar outras modalidades do financiamento ofertadas, mas com condições de financiamento mais caras.

O aluno que contrata um financiamento estudantil irá pagar o valor financiado depois da formatura, quando teoricamente já está no mercado de trabalho. Mas o aumento no valor médio da mensalidade aumenta o endividamento do estudante.

Nos cursos de medicina do Paraná, por exemplo, o estudante que contratou o Fies em 2010 financiou cursos com mensalidade média de R$ 2.244,66. Em 2017, a mensalidade média dos cursos de medicina no Fies estava em R$ 5.981,60, um aumento de 167% no período.

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